O banco era de madeira daqueles verdes, de jardim, a beirar
o relvado inglês, sentada nele, passeava o olhar pelos tons de Outono
que caíam em redor como uma espécie de enormes flocos de neve acastanhada.
Meio perdido o olhar, ensombrado por nostalgia, tentava encontrar significado para o vazio
que sentia.
Ultimamente a ideia da morte invadia-lhe a mente numa
fracção de segundos, deixando uma sensação esquisita que se esforçava por afastar .
Passava a vida a esquecer que somos seres finitos.
Interrogava-se como sentiriam aqueles que, pela ordem natural das “coisas” ou
pela força das circunstâncias, mais
perto desse términos estariam; que pensariam?
Será que a natureza é benévola e nos
vai desprendendo suavemente de tudo aquilo que durante a vida conquistámos, muitas vezes com sangue , suor
e lágrimas?
A vida tinha sido
uma longa viagem de auto descoberta através dos meandros da
natureza humana mais profunda; naturalmente estava atenta mas a insatisfação interior era tanta, que
nada parecia fazer sentido: sem afectos não valia nada!
E ela que sempre esteve pronta para amar, apenas encontrou
no seu caminho pessoas com imaturidade
emocional: gente com medo da vida e do sofrimento que a mesma implica e sem
coragem para mudar seja o que for, a fazer lembrar casulos com crisálidas
mortas. E sem sofrimento não há renovação.
Seja como for há que continuar o caminho. Levantou-se e
procurou o calor de um animado centro comercial: lá dentro sentia-se mais
reconfortada e depois sempre havia o brilho das luzes e o riso das crianças a
tirar fotografias no colo do Pai Natal.

olhando o rio da minha aldeia















