28 fevereiro 2008



Hoje dei-me conta de que cheguei tarde
Cheguei tarde à estação
Ou seria apeadeiro?
Como é possível
Ter-te perdido assim?
Mesmo que corresse
Que saltasse
Apanharia sempre
Um combóio em movimento
Nada será como as viagens
Que tem principio e um meio
Meio, meio gostoso
O gosto da descoberta
Do lugar só nosso
Ainda não ocupado
Mesmo que te apanhe
Na estação intermédia
Será uma meia viagem
Incompleta, inacabada
Apenas porque não teve principio
Alguém ocupou o lugar que não era meu.
Alguém deixou nesse lugar
Uma memória
Um rasto
Uma pista
Uma folha de jornal
Que relata sobre a morte e sobre a vida
Caso político do dia
Daquele dia em que eu não estava
Porque a minha viagem era outra
Perdida no caminho
Para chegar
Ao apeadeiro
À estação
Onde te encontrei partindo
Sentindo-me intrusa
Abandonei-me!
Entreguei o bilhete a
Jesus Cristo
Ele que decida
Quem chegará ao fim!

20 fevereiro 2008

Menino Pastor


Créditos da imagem: www.fotodependente.com/img3890.htm

Para ti que um dia tornaste possível o sonho do menino pastor
Com o desejo que, o caminho escuro que vais trilhar seja um pequeno atalho,
e que encontres depressa o amanhã com luz brilhante de esperança,
Que Deus te guarde e te traga de volta a olhar de novo mil oceanos de verde e azul, na foz do rio de ouro e nas velhas canoas que tu tanto gostas.



Era uma vez um menino pastor.
Guardava cabras e ovelhas
Andava pelas cercanias da serra
Na companhia de ventos e das chuvas.
Não conhecia o mar
Apenas o azul imenso do céu.
Um dia chegaram gentes estranhas à aldeia
O menino pastor nunca tinha visto nada assim.
Traziam atrás de si , estranhas máquinas
Como se fosse espelhos onde se podia rever
De olhos vivos e curiosos olhavam ele, e os seus 3 cães
estes abanando as caudas, ladrando com desconfiança.
Medo do desconhecido, o do menino!
Prometerem-lhe tais gentes estranhas ver o mar.
O seu sonho era mesmo ver o mar
E , numa alegre manhã, partiu
conduzindo pela mão segura do seu pai
Em direcção ao distante oeste
Terras de mar sem fim.
Emudeceu de espanto
Perante beleza tamanha
Depois de tanto caminhar
Tanto olhar perdido
Sem saber onde poisar
Pediu ao pai que o ensinasse a ver
A compreender
Porque existia a serra e o mar
Mas, também o pai não sabia
Explicar a beleza do infinito
O azul era diferente
O verde não era verde
Também ele tinha crescido nas fragas enevoadas da serra
Por entre o estio do verão e as águas geladas do Inverno
Aquela era uma paisagem desconhecida
Sentados os dois na areia, de mão dada
Perdidos no mundo
Mas juntos no espanto
E na inocência
Do infinito que os juntou
Ali, naquele pedaço de areia

15 fevereiro 2008

Será que as declarações do Director Nacional da Policia Judiciária sobre o crime de madie são isentas?...Devem ser sim....

Será que as declarações do Director Nacional da Polícia Judiciária sobre o crime de Madie são isentas ...
ou têm um preço... veja-se o Diário da República da sexta-feira mais próxima da sua entrevista. Coincidência...?????
- Despacho n.º 3133/2008, D.R. n.º 28, Série II de 2008-02-08
Ministérios das Finanças e da Administração Pública e da Justiça
Atribuí ao director nacional da Polícia Judiciária, licenciado Alípio Fernando Tibúrcio Ribeiro, um subsídio mensal de residência -.....


1 - É atribuído ao Director Nacional da Polícia Judiciária, Licenciado
Alípio Fernando Tibúrcio Ribeiro, um subsídio mensal de residência
no valor correspondente a 50 % da ajuda de custo diária que competir
a funcionários com vencimentos superiores ao valor do índice 405 da
escala salarial do regime geral x 30 dias.


2 - O disposto no número anterior produz efeitos desde 10 Abril de 2006.



--
--------- ----------------- ---------------
"No final, nossa sociedade será definida não somente pelo que construímos, mas, pelo que nos recusamos a destruir." - John Sawhill.

12 fevereiro 2008

Um poema perfeito




Poema perfeito é
Aquele que faz sentir
A neve fria a derreter
Sob o sol da manhã.
Que faz sonhar com
O céu estrelado
E a noite de luar
Sobre a estrada.
É quando consegues ver
Em cada palavra
O nascer do novo ser
Que grita para vida
Num frenesim de medo
Por ter quebrado
As amaras do ventre materno
Em momento sublime de perfeição.
Poema perfeito é
O riso de menino
A cascata que canta
O rio que escorre mansamente
A flor que desabrocha.
Mas não sei fazer
Poemas perfeitos
Já não existe neve no meu país
Não existem estações
Há muito tempo que não nasce uma criança
As aldeias estão desertas e todos partiram
Deixando atrás de si , rastos de solidão
Pedras soltas, que rolam pelos montes.
Apenas os ventos ululantes
Raivosos , sombrios
Percorrem os caminhos semeados de ervas daninhas.
No velhinho cruzeiro
As almas perdidas reúnem-se à noite
Esperando pela eternidade
Presas no cativeiro do abandono
Sem flores nem velas
Que alumiem as lápides
Em cada manhã o astro rei renova a sua posição
Mas a esperança terminou
Porque o rio que outrora cantava alegremente
Calou-se para sempre
Sufocado com as ruínas
Das casas construídas com pedaços de fragas
Que a mão do homem amorosa e firme talhou
Um dia.
Apenas cortinas rasgadas
Acenam, pedindo socorro
Em cada um das janelas
Que ficaram para trás,
Mudas e quietas
Esventradas
Negras bocas
Pedindo auxílio
Sem som, sem cor
Esmaecidas
Sem letras.
O poema perfeito não existe
Apenas pedaços de palavras
Códigos indecifráveis
À mercê das intempéries
E de um tempo
Que avança sempre
Não sei para onde.

30 janeiro 2008

Recados Para Orkut - RecadosOnline.com

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Fui deserto
Fui lago
Sou chuva
Fui vento
Coluna de um templo
Murmúrio do sol
espero no tempo
Velando o teu sono
aguardando o dia
Em que a Luz te traga
Inteiro, Completo
Peregrino da alma

28 janeiro 2008

Recados Para Orkut - RecadosOnline.com

Na densa floresta, existia uma gruta, emoldurada por fetos de grandes dimensões, resolvi caminhar até lá, nessa tarde solarenga.
Ao chegar à orla da densa mata, apercebi-me da escuridão fresca e convidativa que ante os meus olhos eu sentia repousante.
Segui o trilho, tantas vezes já por mim percorrido, o sol estendia os seus raios coados através das ramagens, levemente onduladas dos pinheiros e abetos, que em conjunto escondiam toda a beleza daquele lugar.
O chilrear dos pássaros ecoava em toda a parte. Dezenas de trinados harmoniosos formavam a mais bela orquestra para deleite do meu espirito.
Lugar mágico este – pensei.

(continua...)

Arroba

A pouca vergonha que se passa neste pais

Demorou até um pouco para ver se não dava nas vistas. Mas a Festa continua...

Segundo a revista Focus (pág.25), a EDP conta com um novo assessor jurídico. Foi nomeado pelo ex-ministro António Mexia (actual presidente executivo da EDP) e vai ganhar cerca de EUR 10.000/mês
Quem é ele? Perguntam vocês...
Pensem um pouco... Mais um bocadinho...

Não era fácil:
Pedro Santana Lopes (MAIS UM JOB)
A opinião pública é fabricada por quem? Pela COMUNICAÇÃO SOCIAL.
-
E porque é preciso ter os jornalistas na mão.... O subsistema de saúde "dos fazedores de opinião" é INTOCÁVEL!!!
A Caixa de Previdência e Abono de Família dos Jornalistas é dirigida por uma comissão administrativa cuja presidente é a mãe do ministro António Costa (PS) e do Director-Adjunto da Informação da SIC, Ricardo Costa.
Maria Antónia Palla Assis Santos - como não tem o "Costa", passa despercebida...
O Ministro José António Vieira da Silva (PS) declarou, em Maio último, que esta Caixa manteria o mesmo estatuto!
Isso inclui regalias e compensações muito superiores às vigentes na função pública (ADSE), SNS e os outros subsistemas de saúde

. Um quadro superior da GALP, admitido em 2002, saiu com uma indemnização de 290.000 euros, em 2004. Tinha entrado na GALP pela mão de António Mexia (PSD) e saiu de lá para a REFER, quando Mexia passou a ser Ministro das Obras Públicas e Transportes
O filho de Miguel Horta e Costa (CDS-PPD), recém licenciado, entrou para lá com 28 anos e a receber, desde logo, 6600 euros mensais.Freitas do Amaral foi consultor da empresa, entre 2003 e 2005, por 6350 euros/mês, além de gabinete e seguro de vida no valor de 70 meses de ordenado.

Um quadro superior da GALP, admitido em 2002, saiu com uma indemnização de 290.000 euros, em 2004. Tinha entrado na GALP pela mão de António Mexia (PSD) e saiu de lá para a REFER, quando Mexia passou a ser Ministro das Obras Públicas e Transportes

Ferreira do Amaral, presidente do Conselho de Administração. Um cargo não executivo (?) era remunerado de forma simbólica: 3.000 euros por mês, pelas presenças. Mas, pouco depois da nomeação, passou a receber PPRs no valor de 10.000 euros, o que dá um ordenado "simbólico" de 13.000 euros...

Outros exemplos avulsos, ainda na GALP:
-Um engenheiro agrónomo que foi trabalhar para a área financeira a 10.000 euros por mês;
- A especialista em Finanças que foi para Marketing por 9800 euros/mês...
- Neste momento, o presidente da Comissão executiva ganha 30.000 euros e os vogais 17.500.
- Com os novos aumentos, Murteira Nabo passa de 15.000 para 20.000 euros mensais.Assim, este dream team à moda de Portugal, pode dar cobertura a um bando de sanguessugas que não têm outro mérito senão o cartão de militante. Ou o pagamento de um qualquer favor político...




PESO DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS NA POPULAÇÃO ACTIVA (Dados de 2004)
(Fonte EUROSTAT, publicado no Correio da Manhã)
Suécia---------------- 33,3%
Dinamarca----------- 30,4%
Bélgica---------------- 28,8%
Reino Unido--------- 27,4%
Finlândia------------- 26,4%
Holanda-------------- 25,9%
França---------------- 24,6%
Alemanha------------ 24%
Hungria--------------- 22%
Eslováquia------------ 21,4%
Áustria---------------- 20,9%
Grécia---------------- 20,6%
Irlanda---------------- 20,6%
Polónia---------------- 19,8%
Itália------------------- 19,2%
República Checa--- 19,2%
PORTUGAL--------- 17,9%
Espanha-------------- 17,2%
Luxemburgo---------- 16%



Não há pois funcionários públicos a mais. Há sectores em falta e outros em excesso.


A reforma administrativa deverá começar por mudar o seguinte:
- Cada ministro deste e de outros governos tem, para seu serviço pessoal e sob as suas ordens directas, uma média de 136 pessoas (entre secretários e subsecretários de estado, chefes de gabinete, funcionários do gabinete, assessores, secretárias e motoristas) e 56 viaturas, apenas CINCO vezes mais que no resto da Europa.E a verdade que saiu do programa «Prós e Contras» da RTP de 22 de Maio foi que temos uma comunicação social corrupta e ao serviço de quem tem muito dinheiro.
Nestes dias, a ideia que mais uma vez a comunicação social vendeu à opinião pública, foi a da necessidade de 200 mil despedimentos na função pública. Resulta que somos o 3º país da U.E. com menor percentagem de funcionários públicos na população activa.
Assim se informa e se faz política em Portugal.


Entre os ilustres reformados do Parlamento encontramos figuras como:
Almeida Santos........................ 4.400, euros;
Medeiros Ferreira..................... 2.800, euros;
Manuela Aguiar......................... 2.800, euros;
Pedro Roseta............................ 2.800, euros;
Helena Roseta........................... 2.800, euros;
Narana Coissoró . .................... 2.800, euros;
Álvaro Barreto........................... 3.500, euros;
Vieira de Castro..........................2.800, euros;
Leonor Beleza . ........................ 2.200, euros;
Isabel Castro............................. 2.200, euros;
José Leitão................................ 2.400, euros;
Artur Penedos............................1.800, euros;
Bagão Félix............................... 1.800, euros.

(Vêem? Tadinhos destes "desconhecidos",
que se não fosse esta esmola estavam a comer na Mitra)

Quanto aos ilustres reintegrados , encontramos os seguintes:

Luís Filipe Pereira 26.890, euros / 9 anos de serviço;
Sónia Fortuzinhos 62.000, euros / 9 anos e meio de serviço;
Maria Santos 62.000, euros /9 anos de serviço;
Paulo Pedroso 48.000, euros / 7 anos e meio de serviço
(e ainda vamos ver se não vai receber indemnizações pelo processo Casa Pia);
David Justino 38.000, euros / 5 anos e meio de serviço;
Ana Benavente 62.000 , euros / 9 anos de serviço;
M.ª Carmo Romão 62.000, euros / 9 anos de serviço;
Luís Nobre Guedes 62.000 , euros / 9 anos e meio de serviço.
A maioria dos outros deputados que não regressaram estiveram lá somente na última legislatura, isto é, 3 anos, o suficiente para terem recebido cerca de 20.000 euros cada !É ESTA A CLASSE POLÍTICA QUE TEM A LATA DE PEDIR SACRIFÍCIOS AOS PORTUGUESES PARA DEBELAR A CRISE!!!!!!

Serão os políticos os únicos malandros?
Não! 9 em cada 10 aposentados com mais de 5.000 euros mensais foram juízes !!!Lista de Aposentados no ano de 2005 (Janeiro a Novembro) com pensões de luxo:

São os seguintes os valores em Euros:
Janeiro
Ministério da Justiça
5380.20 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
Março
Ministério da Justiça
7148.12 procurador-geral Adjunto Procuradoria-Geral República
5380.20 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5484.41 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
Empresas Públicas e Sociedades Anónimas
6082.48 Jurista CTT Correios Portugal AS
Abril
Ministério da Justiça
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5338.40 Procuradora-Geral Adjunta
Procuradoria-Geral República - Antigos Subscritores
6193.34 Professor Auxiliar Convidado
Maio
Ministério da Justiça
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55 Procurador-Geral Adjunto Procuradoria-Geral República
5460.37 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5338.40 Procuradora-Geral Adjunta Procuradoria-Geral República
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura


Junho
Ministério da Justiça
5663.51 Juiz Conselheiro Supremo Tribunal Administrativo
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
Julho
Ministério da Justiça
5182.91 Juiz Direito Conselho Superior Magistratura
5182.91 Procurador República Procuradoria-Geral República
5307.63 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55 Procurador-Geral Adjunto Procuradoria-Geral República





Agosto
Ministério da Justiça
5173.46 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Conservadora Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Notário Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5043.12 Notária Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Conservador 1ª Classe Direcção Geral Registos Notariado
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5027.65 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5173.46 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5173.46 Notário Direcção Geral Registos Notariado
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5159.57 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Notária Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Ajudante Principal Direcção Geral Registos Notariado
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5173.46 Notário 1ª Classe Direcção Geral Registos Notariado
5173.46 Notária Direcção Geral Registos Notariado

Setembro
Ministério dos Negócios Estrangeiros
7284.78 Vice-Cônsul Principal Secretaria-Geral (Quadro Externo)
6758.68 Vice-Cônsul Secretaria-Geral (Quadro Externo)

Ministério da Justiça
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
Ministério da Educação
5103.95 Presidente Conselho Nacional Educação

Outubro
Ministério da Justiça
5498.55 Procurador-Geral Adjunto Procuradoria-Geral República

Novembro
Ministério dos Negócios Estrangeiros
7327.27 Técnica Especialista Secretaria-Geral (Quadro Externo)
Tribunal de Contas
5663.51 Presidente
Ministério da Justiça
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
5015.16 Professor Coordenador Inst. Superior Engenharia Lisboa

Vítor Constâncio governador do Banco de Portugal
ganha 272.628 € por ano, ou seja quase 3.894 contos MENSAIS, 14 meses/ano.

Outros ordenados chorudos do Banco de Portugal :

O Vice-governador, António Pereira Marta - 244.174 €/ano

O Vice-governador, José Martins de Matos - 237.198 €/ano
José Silveira Godinho - 273.700 €/ano
Vítor Rodrigues Pessoa - 276.983 €/ano
Manuel Ramos Sebastião - 227.233 €/ano
O Vice-governador, António Pereira Marta até acumula com o seu salário com a sua pensão como reformado … do Banco de Portugal.
Aliás, o Vítor Rodrigues Pessoa, também tem uma reforma adicional de 39.101 €/ano
Total 316.084 €/anoe o José Silveira Godinho também acumula com uma pensão do BP, mais 139.550 €/ano
Total 413.250 €/anoCampos e Cunha, ex-ministro das Finanças recebeu durante os dois meses em que esteve no Executivo 4600 euros mensais de ordenado e uma reforma de 8.000 euros do Banco de Portugal.



juízes dizem que vão para a greve, nós começamos a perceber porquê...

António Marinho (Jornal Expresso 17 de Setembro) refere os seguintes privilégios dos magistrados :

1) Recebem um subsídio de renda de casa no valor de 700 EUR mensais, mesmo que residam em casa própria. E, se forem casados com outro magistrado, habitando em casa própria cada um deles recebe esse subsídio (logo, 1400 EUR). A situação atinge mesmo o absurdo já que até os magistrados aposentados ou jubilados incorporam esse subsídio nas suas reformas (!?), nas mesmas condições dos que se encontram no activo. Mais ainda: O subsídio de renda de casa dos magistrados está isento de IRS, após acórdão do STA, ou seja, decisões dos magistrados. Será possível que alguém possa auferir uma remuneração permanente, que essa remuneração entre no cálculo da reforma, mas que esteja isenta de IRS?????
2) Os magistrados do Supremo Tribunal Administrativo, do Supremo Tribunal de Justiça e do Tribunal Constitucional que residam fora da área da Grande Lisboa recebem ajudas de custo precisamente quando se deslocam para o seu local de trabalho. A situação torna-se tanto mais incompreensível quanto é certo que os referidos magistrados usufruem de viagens totalmente gratuitas em todos os transportes públicos terrestres e fluviais, incluindo os comboios Alfa.

Aeroporto da Ota
Miguel Sousa Tavares)
Uma história de 2 aeroportos:
Áreas:
Aeroporto de Malaga: 320 hectares
Aeroporto de Lisboa: 520 hectares.
Pistas:
Aeroporto de Malaga: 1 pista,
Aeroporto de Lisboa: 2 pistas.
Tráfego(2004):
Aeroporto de Malaga: 12 milhões de passageiros, taxa de crescimento, 7% a 8% ao ano.
Aeroporto de Lisboa: 10,7 milhões de passageiros, taxa de crescimento 4,5% ao ano.
Soluções para o aumento de capacidade:
Malaga: 1 novo terminal, investimento de 191 milhões de euros, capacidade 20 milhões de passageiros/ano. O aeroporto continua a 8 Km da cidade e continua a ter uma só pista.
Lisboa: 1 novo aeroporto, 3.000 a 5.000 milhões de euros, solução faraónica a 40Km da cidade.
E o que dá sermos ricos com o dinheiro dos outros e pobres com o próprio espirito. Ou então alguém tem de tirar os dividendos dos terrenos comprados nos últimos anos. Ninguém investiga isto? E preciso fazer alguma coisa.
(créditos Tiagogmail)
Aqui deixo umas quadras dedicadas ao "nosso"
Ministro da Saúde Correia de Campos
publicadas em resposta ao "País das Telenovelas"

http://q3.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ae.stories/8169&va=399705#399705

O Povo já fala e teme
Com medo que lhe aconteça
Ter de chamar o INEM
No caso duma doença

Esta senda de horrores
Só para poupar dinheiro
É ideia de doutores
Com apoio dum engenheiro

Estas são agora as normas
Só há que obedecer
Para poupar nas reformas
Se a velhada morrer

Se a doença te ataca
Sem apoio de doutores
Podes morrer numa maca
Lá por esses corredores

Muita sorte terás tu
É a verdade crua e nua
Se não te puserem nu
Numa maca lá na rua

Tudo isto é bem sinistro
E estranha esta atitude
Do nosso primeiro ministro
E do ministro da saúde.

Almart

25 janeiro 2008

Rua do Sol ao Alto

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Passei na Rua do Sol ao Alto e entrei na loja do “homem dos animais”.
È que vi na montra uma gaiola de grades douradas, daquelas gaiolas lindas onde as grades são de ouro puro com comedouros de cristal.
Gaiolas adequadas para oferecer a almas que encantam pássaros de bico amarelo.
Para que quereria ele uma gaiola destas se os pássaros de várias cores cantam melhor em liberdade?
A não ser que....
- Espera!
Não me digas que era uma gaiola de cristal? Em que cada poema trinado por um pássaro de bico amarelo teria a frequência do paraíso?
Como seria belo ter vários pássaros a cantar dentro de uma gaiola de cristal?
Sei de um sítio onde existem gaiolas destas!
Na rua do Sol ao Alto, no começo de cada madrugada, se abrires a tua janela e escutares a tua alma , milhares de pássaros de bico amarelo cantarão só para ti.
Acabei agora mesmo de ouvir o belo trinado de um...
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O País das telenovelas.


blog:http://cotaonoumbigo.blogspot.com
(créditos da imagem)

O país das telenovelas!
O responsável por um dos mais fabulosos guiões veio hoje a público garantindo que “esta situação do INEM é extraordinária, mas reconhece que há muito trabalho a fazer para melhorar os serviços de emergência”
Favaios já não é por excelência só conhecido por produzir um dos melhores vinhos licorosos o denominado “Moscatel de Favaios”, agora sim também fazendo parte do elenco de uma co-produção audiovisual na telenovela com o título “nem Santo António nos vale.”
Em Castedo, no Bairro de Santo António, a “sorte” do falecido foi já estar morto, caiu célere pelas escadas e finou-se sem precisar do CODU, INEM ou mesmo das VMER!!!
Imaginem só a sorte do Senhor Ministro (que entre dentes deve ter murmurado: escapei-me desta , o homem afinal morreu sozinho – Safa!
Em Aveiro o “outro” caiu estatelado no chão e, como se não bastasse, levou com a maca em cima – traumatismo craniano – toda esta “cena” passou-se nos corredores da Urgência do Hospital ....aguardemos as cenas dos próximos capítulos...( não sei porquê lembra-me os corredores da morte. Adiante!

“A polémica surgiu quando os bombeiros de Alijó e Favaios foram solicitados para uma emergência a meio da noite pelo CODU - Centro de Orientação de Doentes Urgentes. Aparentemente, os operacionais de serviço não souberam lidar muito bem com o caso. Os responsáveis pelas corporações de Favaios e Alijó acreditam que houve um mal entendido.”
Pois!....Vila Real nem sabia onde era Castedo (ainda se fosse Castelões). Favaios está sozinho (tudo dorme o merecido sono numa noite fria de inverno, para além de que, a Corporação de Bombeiros é Voluntária ).
Alguém me explica como sai uma viatura de emergência médica só com um condutor?
Nada “disto” é importante quando o bombeiro diz que nem caneta tem!!!! – Excelente guião este!!!
Mas eu não quero fazer parte deste elenco!!!! O senhor Ministro Correia de Campos diz que :”estamos a cobrir o país com ambulâncias”....esqueceram-se de umas quantas coisas....
Canetas, mapas, e ai! .recuso-me a continuar a escrever esta palhaçada!
SENHOR MINISTRO:
Demita-se! (antes que lhe dê um AIT ou AVC e o CODU o INEM e o VMER não se entendam por falta de coordenação e de meios materiais e humanos) .
Deixe o povo em paz e não chateie o Presidente da Câmara de Anadia, e outros que tais, saia devagarinho pela porta dos fundos e vá gozar a choruda reforma a que tem direito (coisa que não sei quantos milhões de portugueses que votaram no PS não vai ter direito NUNCA!
Graças a Deus que não votei em si, mas.. não sei se me safo do CODU e a culpa é do Satanás que deve ter uma quota parte lá para os lados do INEM (agora transformado em Inferno).
A propósito, que teria acontecido ao “outro” que esperou 50 minutos em Odemira se o acidente de trabalho fosse de maior gravidade??
Ah! E a grávida a quem foi diagnosticado um feto morto ás 11 semanas?
Ainda existem milagres! Não é que a criancinha conseguiu vingar e vencer o sistema (até aqui) e está viva, de boa saúde segundo as ultimas ecografias e o olhar pasmado da médica e da mãe!
Entretanto a conscienciosa médica do Hospital Amadora Sintra.....volatilizou-se....!!!!
Aguardem ..vêem aí mais profissionais de saúde..parece-me que do Uruguai (gargalhada sonora). E o nossos "João Semana", estarão no deserto criado pelo Mário Lino???
Tudo isto seria uma telenovela cómica....se não fosse trágica !

21 janeiro 2008



Na curva do teu pescoço
Descansava, descuidada
uma pequena pérola
de pureza imaculada.


como inocente criança.
em constante contrapasso
pendia sob o abismo
de cair no meu regaço

E os meus olhos a olhavam
Com ansioso desejo
De a poder afagar
Ao de leve com um beijo.

20 janeiro 2008

Bichinho de conta



Meu bichinho de conta
que vive a rolar
Enrolado em si
Enrolado em mi
Pulsando forte
Na palma da mão
Bichinho de conta
Conta a conta
Contando um conto
Fechado e aberto
Redondo e brilhante
No meu coração
De bicho de conta
Conto de bichos
Sem conta nenhuma
Apenas um conto
Fechado e aberto
Sem fecho algum
De contas perdidas.

O Bicho-da-conta é membro da subordem Oniscidea da ordem Isopoda e constituem o maior grupo de crustáceos verdadeiramente terrestres, pertencentes a super família Oniscoidea, que possuem a capacidade de se enrolarem como uma bola o que fornece protecção e auxilia na redução da perda d’água por evaporação.
São pequenos animais terrestres de corpo comprido, normalmente acizentado ou rosado, que vive em locais húmidos, debaixo das pedras ou detritos vegetais. Algumas espécies, quando ameaçadas, enrolam-se numa esfera quase perfeita. Alimentam-se de vegetais apodrecidos

A caverna



Pergunto-me porque foges?
Porque te escondes nesse fosso
De dor
De desamor
Caverna de escuridão e
de silêncio.
Onde te afundas
em ira raivosa e surda.
Conseguisse eu
com a força do beijo
das palavras entrelaçadas
tecer uma corda de sinais.
Que te traga á luz do dia
Não te despenhes tu
Nos rochedos sombrios
Que a tua alma traiçoeira
Coloca no caminho.
Ergue o teu corpo e olha
Na entrada da caverna
Há um tufo de flores
Perfumadas.
Que nascem todas as primaveras
Esperando
Que saias para as colher.
Não recuses a esperança
Não mates a seiva verde.
Que me corre nas palavras
Apanha o verbo
e vive!

16 janeiro 2008

Missão Impossível

MISSÃO IMPOSSÍVEL

Em 20 de Fevereiro de 1745, Alexandre de Gusmão, secretário de D. João V, advertia o desembargador Inácio da Costa Quintela de que as leis "nunca devem ser executadas com aceleração", pois "nos casos crimes sempre ameaçam mais do que na realidade mandam, devendo os ministros executores delas modificá-las em tudo o que lhes for possível, principalmente com os réus que não tiverem partes; porque o legislador é mais empenhado na conservação dos vassalos do que nos castigos da Justiça e não quer que os ministros procurem achar nas leis mais rigor do que elas impõem". E concluía: "Deste modo de proceder ordena S. Majestade se abstenha e que esta lhe sirva de aviso."
Ocorreu-me isto ao ler o que o inspector- -geral da ASAE diz numa entrevista ao Sol. Para ele, tudo são regulamentos a aplicar, com uma aceleração maquinal e implacável, e sem ter em conta os contextos concretos ou a situação do País. E tirar-nos da cauda da Europa é ser-nos indiferente que outros países não façam assim, mantenham a sua culinária tradicional e salvem as suas actividades de restauração.
Numa economia em crise, 50% dos restaurantes, regra geral pequenas empresas que asseguram um pouco por toda a parte a subsistência familiar e alguns postos de trabalho, não cumprem integralmente os regulamentos e assim, segundo o inspector-geral, têm de fechar.
Mesmo que o desemprego, a desertificação, os prejuízos para o turismo e até a fome sejam males muito superiores aos decorrentes de uma série de minudências a que a ASAE franze o nariz. Tanto zelo executório deveria ser temperado pelo bom-senso e pelas normas, nacionais e internacionais, que impõem o maior respeito pelas tradições culturais, em que se inclui a gastronomia com a imensa variedade das suas propostas e a artesanalidade necessária da sua confecção, requisito essencial da genuinidade, da tipicidade e da qualidade. Uma coisa é reprimir infracções verificadas (falta de limpeza, mixórdia, deterioração, gato por lebre, fuga ao fisco...) e responsabilizar exemplarmente os seus autores, outra é querer preveni-las em absoluto e em abstracto, metendo insensatamente no mesmo saco tanto o que pode ser muito grave como o que não tem importância nenhuma. Uma coisa é o controlo de regras básicas de higiene e segurança alimentar, outra o vezo inquisitorial sem critério ou discriminação, em nome do politicamente correcto, da rastreabilidade e do Estado da colher de pau. A carne fica oito a dez dias em vinha de alhos, numa receita de Lamego; a perdiz é de comer "com a mão no nariz"; a caça não sai propriamente dos matadouros; a temperatura das mãos que amassam certos queijos artesanais é determinante da sua qualidade; há vinhos que envelhecem em barricas de madeira de há muito impregnadas; a culinária caseira, só viável como actividade de subsistência se fornecer restaurantes (o que, aliás, o fisco pode sempre controlar), é um repositório riquíssimo que inevitavelmente se perderá se não puder continuar nos termos em que existe; e assim por diante... Se tudo isso e muito mais for proibido, ou plastificado, liofilizado, higienizado até ao ridículo, nem por isso aumentará a segurança alimentar, mas em compensação dar-se-á uma destruição obstinada e sistemática do património cultural e do tecido económico. Esse fundamentalismo de sinal totalitário tem tanto de delirante como de missão impossível. A menos que, um dia destes, a ASAE resolva mandar os clientes andarem sem sapatos nos restaurantes e criar uma inspecção para o teor dos sulfatos de peúga; verificar com uma zaragatoa, à entrada, a limpeza das mãos deles e se trazem as unhas de luto; impor uma lavagem do dinheiro em espécie e dos cartões de crédito antes de entregues para pagar a conta; proibir toalhas e guardanapos de pano nas mesas; obrigar os empregados a usarem escafandro e o cozinheiro a encapuzar-se para evitar que espirre para cima do esparguete; e, last but not least, determinar a imprescindível desinfecção do cu da galinha antes de ela pôr os ovos...
Vasco Graça Moura
in Diário de Notícias
2008.01.09

15 janeiro 2008

Partida

Assim partiu a tua voz, etérea.
Através de finos fios, translucidos
percorrendo orientes desconhecidos
deixou olhos de água no caminho,
e pérolas brotando.
Récitas de poesia adormecida
beijando o verso mansamente
e o meu olhar perdido em ti.
Deixaste a brisa da alma
e todo o toque e som
se uniram
numa melodia silenciosa e infinita.
Para sempre fica a réstea
da paisagem amada
marca saudosa de travo
doce e amargo.
Ferro marcado no corpo.
Ferida aberta no espirito.
Assim partiste embalado
pelo mármore da eternidade.
Ficou a recordação
um jardim com grades
e eu,
solitária na paisagem
sem fronteiras.

11 janeiro 2008




Pudesse eu rasgar o espaço e encontrar-te
Abrir as cortinas de branca névoa
encontrar-me numa ilha
de palavras.
Rasgar o som do silêncio
e fazer-te ecoar dentro da minha voz
Pudesse eu tocar-te como quem sente
tanger as cordas da minha viola
olhando serena a melodia
que escapava dos teus dedos
pudesse eu , imortalizar-te
na memória da minha alma
e eternamente seríamos um só!

06 janeiro 2008

DO OPUS DEI À MAÇONARIA - A INCRÍVEL HISTÓRIA DO BCP, por Miguel Sousa Tavares

DO OPUS DEI À MAÇONARIA - A INCRÍVEL HISTÓRIA DO BCP,
por Miguel Sousa Tavares

05/01/2008 artigo de 29 de Dezembro do "Expresso".

Em Portugal, como tudo vai acabar sem responsáveis e sem responsabilidades, convém recordar os principais momentos deste «case study», para que ao menos afalta de vergonha não passe impune.1. Até ao 25 de Abril, o negócio bancário em Portugal obedecia a regras simples:cada grande família, intimamente ligada ao regime, tinha o seu banco. Os bancos tinham um só dono ou uma só família como dono e sustentavam os demaisnegócios do respectivo grupo. Com o 15 de Abril e a nacionalização sumária de todaa banca, entrámos num período revolucionário' em que "a banca ao serviço do povo" se traduzia, aos olhos do povo, por uns camaradas mal vestidos e malencarados que nos atendiam aos balcões como se nos estivessem a fazer um grandefavor.
Jardim Gonçalves veio revolucionar isso, com a criação do BCP e, mais tarde, da Nova Rede, onde as pessoas passaram a ser tratadas como clientes e recebidas porprofissionais do ofício. Mas, mais: ele conseguiu criar um banco através de umMBO informal que, na prática, assentava na ideia de valorizar a competência sobre o capital. O BCP reuniu uma série de accionistas fundadores, mas quem de factomandava eram os administradores — que não tinham capital, mas tinham «knowhow».
Todos os fundadores aceitaram o contrato proposto pelo "engenheiro" — à excepção de Américo Amorim, que tratou de sair, com grandes lucros, assim queachou que os gestores não respeitavam o estatuto a que se achava com direito (edinheiro).2. Com essa imagem, aliás merecida, de profissionalismo e competência, o BCP foi crescendo, crescendo, até se tornar o maior banco privado português, apenas atrás doúnico banco público, a Caixa Geral de Depósitos. E, de cada vez que crescia, eranecessário um aumento de capital. E, em cada aumento de capital, era necessário evitar que algum accionista individual ganhasse tanta dimensão que pudessepassar a interferir na gestão do banco. Para tal, o BCP começou a fazer coisas poucorecomendáveis: aos pequenos depositantes, que lhe tinham confiado as suas poupanças para gestão, o BCP tratava de lhes comprar, sem os consultar, acções dopróprio banco nos aumentos de capital, deixando-os depois desamparados peranteas perdas em bolsa; aos grandes depositantes e amigos dos gestores, abria-lhes créditos de milhões em «off-shores» para comprarem acções do banco,cobrindo-lhes, em caso de necessidade, os prejuízos do investimento. Desta formaexemplar, o banco financiou o seu crescimento com o pêlo do próprio cão — aliás, com o dinheiro dos depositantes —e subtraiu ao Estado uma fortuna em lucrosnão declarados para impostos. Ano após ano, também o próprio BCP declaravalucros astronómicos, pêlos quais pagava menos de impostos do que os porteiros do banco pagavam de IRS em percentagem.
E, enquanto isso, aqueles que lhe tinham confiado as suas pequenas ou médiaspoupanças viam-nas sistematicamente estagnadas ou até diminuídas e, de seis em seis meses, recebiam uma carta-circular do engenheiro a explicar que os mercadosestavam muito mal.3. Depois, e seguindo a velha profecia marxista, o BCP quis crescer ainda mais eengolir o BPI. Não conseguiu, mas, no processo, o engenheiro trucidou o sucessor que ele próprio havia escolhido, mostrando que a tímida "renovação" anunciada nãopassava de uma farsa. E descobriu-se ainda uma outra coisa extraordinária e que sediria impossível: que o BCP e o BPI tinham participações cruzadas, ao ponto de hoje o BPI deter 8% do capital do BCP e, como maior accionista individual, ter-setornado determinante no processo de escolha da nova administração... doconcorrente! Como se fosse a coisa mais natural do mundo, o presidente do BPI dá uma conferência de imprensa a explicar quem deve integrar a nova administraçãodo banco que o quis opar e com o qual é suposto concorrer no mercado, todos osdias...4. Instalada entretanto a guerra interna, entra em cena o notável comendador Berardo — o homem que mais riqueza acumula e menos produz no país —protegido de Sócrates, que lhe deu um museu do Estado para ele armazenar a suacolecção de arte privada. Mas, verdade se diga, as brasas espalhadas por Berardo tiveram o mérito de revelar segredos ocultos e inconfessáveis daquela casa. Eassim ficámos a saber que o filho do engenheiro fora financiado em milhõespara um negócio de vão de escada, e perdoado em milhões quando o negócio inevitavelmente foi por água abaixo. E que havia também amigos do engenheiro e daadministração, gente que se prestara ao esquema das «off-shores», que igualmenteviam os seus créditos malparados serem perdoados e esquecidos por acto de favor pessoal.5. E foi quando, lá do fundo do sono dos justos onde dormia tranquilo, acorda inesperadamente o governador do Banco de Portugal e resolve dizer que já bastava:aquela gente não podia continuar a dirigir o banco, sob pena de acontecer alguma coisa de mais grave como, por exemplo, a própria falência, a prazo.6. Reúnem-se, então, as seguintes personalidades de eleição: o comendadorBerardo, o presidente de uma empresa pública com participação no BCP e ele próprio ex-ministro de um governo PSD e da confiança pessoal de Sócrates, mais, aoque consta, alguém em representação do doutor «honoris causa» Stanley Ho — aquem tantos socialistas tanto devem e viceversa.E, entre todos, congeminam um «take over» sobre a administração do BCP,com o «agrément» do dr. Fernando Ulrich, do BPI. E olhando para o panorama perturbante a que se tinha chegado, a juntar ao súbito despertar do dr. VítorConstando, acharam todos avisado entregar o BCP ao PS. Para que nãorestassem dúvidas das suas boas intenções, até concordaram em que a vice-presidência fosse entregue ao sr. Armando Vara (que também usa 'dr.')— esse expoente políticoe bancário que o país inteiro conhece e respeita.7. E eis como um banco, que era tão independente que fazia tremer os governos, desagua nos braços cândidos de um partido político — e logo o doGoverno. E eis como um banco, que era tão cristão, tão «opus dei», tão boasfamílias, acaba na esfera dessa curiosa seita do avental, a que chamam maçonaria. 8. E, revelada a trama em todo o seu esplendor, que faz o líder da oposição?Pede em troca, para o seu partido, a Caixa Geral de Depósitos, o banco público. Pedee vai receber, porque há 'matérias de regime' que mesmo um governo com maioria absoluta no parlamento não se atreve a pôr em causa. Um governointeligente, em Portugal, sabe que nunca pode abocanhar o bolo todo. Sob pena deos escândalos começarem a rolar na praça pública, não pode haver durante muito tempo um pequeno exército de desempregados da Grande Família doBloco Central.Se alguém me tivesse contado esta história, eu não teria acreditado. Mas vemos,ouvimos e lemos. E foi tal e qual.