Toco-te , assim
Com as minhas mãos
Nesse líquen avermelhado
Testemunho do teu sangue
Ali, eternamente derramado.
Percorro-te, entre os verdes
Que te choram
Alamedas ensombradas
Minha quinta de lágrimas,
Em altar idolatradas.
Meu bosque de árvores
Centenárias
Guardas em ti
O mistério eterno
Máscara de traição e amor
Olhando o rio que corre
A ultima cidade do Norte
Para sempre serás lembrada
Como um cenário de dor.
30 novembro 2009
Manhãs e tardes de Domingo
São tristes as manhãs,
feitas de domingos solitários
os pássaros debicam lá fora
e trazem um canto fugaz e aguçado
São tristes as tardes
feitas de névoa e silêncio amargurado
as persianas descem vorazes
sobre a mesa vestida de branco
rendada e vazia, jaz uma jarra
sem o perfume dos lilazes,
nesta solidão sonolenta
de vida apenas cinzenta.
No olhar, mais do que céus
lagos profundos, procurando os teus
E a vida dorme, adormecida
e eu fecho às vezes as mãos
fecho-as em vão
geladas, sem sol quente do verão
Ninguém profundamente me conhece
nem talvez a alguém interesse.
Bastam-me as cotovias
no meu silêncio
e a dor já não me dói, já não a sinto.
Branco rosário de contas de lithium.
feitas de domingos solitários
os pássaros debicam lá fora
e trazem um canto fugaz e aguçado
São tristes as tardes
feitas de névoa e silêncio amargurado
as persianas descem vorazes
sobre a mesa vestida de branco
rendada e vazia, jaz uma jarra
sem o perfume dos lilazes,
nesta solidão sonolenta
de vida apenas cinzenta.
No olhar, mais do que céus
lagos profundos, procurando os teus
E a vida dorme, adormecida
e eu fecho às vezes as mãos
fecho-as em vão
geladas, sem sol quente do verão
Ninguém profundamente me conhece
nem talvez a alguém interesse.
Bastam-me as cotovias
no meu silêncio
e a dor já não me dói, já não a sinto.
Branco rosário de contas de lithium.
27 novembro 2009
O livre arbitrio
O livre arbítrio (a propósito da aula de História Medieval Portuguesa do Prof. Varandas)
Vocês sabem o que é o livre arbítrio? É a capacidade de dizer ( entre outras coisas )que não acreditam em Deus. Mas depois surge a interrogação: - e se o paraíso existe?
E o que eu tenho estado a perder? O paraíso são prados verdejantes, a gente toda vestida de branco, numa plenitude, não há barulhos, mas também não há comezainas!!
E depois? Se eu for para lá , também não há actos de procriação e não havendo actos de procriação , que se lixe o paraíso!
Era nisto que eu pensava antes de conseguir um pouco de concentração para escrever sobre a Noite; sentia-a como um negro animal de olhos húmidos e brilhantes, avançando devagar. Ocupava pouco mais de uma sala de escassos metros quadrados e ia-me sufocando com o seu manto de silêncio. Lá fora um voo tresmalhado de pássaros, adormecidos até ao exagero, tinham caído do galho.
Continuei a querer pensar que o Paraíso não existia. Era muito mais importante sentir que os teus lábios tinham pétalas de flor que o vento espalhava sobre o meu corpo, bailando este até cair exangue nos portões enferrujados do Purgatório ali já perto da esquina.Subitamente, estremeci. Acordei com olhos de carneiro mal morto, sacudi os pensamentos e fechei a janela. A noite ficou lá fora.
E o prof. Varandas continuava debitar matéria para uma aula super-interessada nestas matérias da existência ou não da responsabilidade do ser humano perante escolhas hipotéticas.
Vocês sabem o que é o livre arbítrio? É a capacidade de dizer ( entre outras coisas )que não acreditam em Deus. Mas depois surge a interrogação: - e se o paraíso existe?
E o que eu tenho estado a perder? O paraíso são prados verdejantes, a gente toda vestida de branco, numa plenitude, não há barulhos, mas também não há comezainas!!
E depois? Se eu for para lá , também não há actos de procriação e não havendo actos de procriação , que se lixe o paraíso!
Era nisto que eu pensava antes de conseguir um pouco de concentração para escrever sobre a Noite; sentia-a como um negro animal de olhos húmidos e brilhantes, avançando devagar. Ocupava pouco mais de uma sala de escassos metros quadrados e ia-me sufocando com o seu manto de silêncio. Lá fora um voo tresmalhado de pássaros, adormecidos até ao exagero, tinham caído do galho.
Continuei a querer pensar que o Paraíso não existia. Era muito mais importante sentir que os teus lábios tinham pétalas de flor que o vento espalhava sobre o meu corpo, bailando este até cair exangue nos portões enferrujados do Purgatório ali já perto da esquina.Subitamente, estremeci. Acordei com olhos de carneiro mal morto, sacudi os pensamentos e fechei a janela. A noite ficou lá fora.
E o prof. Varandas continuava debitar matéria para uma aula super-interessada nestas matérias da existência ou não da responsabilidade do ser humano perante escolhas hipotéticas.
24 novembro 2009
Arte Real da Poesia
A poesia é o eco da tempestade
Eclodindo dentro do ser
Sentindo de todas as formas
Na noite escura da alma
Num eterno renascer
Ser feliz é estar livre do mundo
Livre de mim
Livre de ti
Do pesado peso da insensibilidade
Viver hoje, sem o ontem
Alma mater sem idade
Seguindo a intuição
Buscando o sentido oculto
Alquimia da Verdade
Eclodindo dentro do ser
Sentindo de todas as formas
Na noite escura da alma
Num eterno renascer
Ser feliz é estar livre do mundo
Livre de mim
Livre de ti
Do pesado peso da insensibilidade
Viver hoje, sem o ontem
Alma mater sem idade
Seguindo a intuição
Buscando o sentido oculto
Alquimia da Verdade
23 novembro 2009
Via Láctea
Num planeta distante, a anos luz do sistema galáxico H-5, existiam milhões de seres que se afirmavam todos diferentes e todos iguais entre si.
Imediatamente começam por aí as idiossincrasias destes habitantes intra-planetários.
Dotados pelo grande Mestre do Cosmos de características superiores aos habitantes de outros planetas, estranhamente se degladiavam , infligindo sofrimento e numa constante manifestação do caos.
Usavam para sua locomoção, estranhos pedaços de metal de cores classificadas como primárias, em que se encerravam lançando-se em conduções frenéticas, acelerando o ritmo cardíaco dos próprios e, de com quem eles partilhavam esses momentos apelidados de “passeios”.
Foi por me ter lembrado de um destes momentos que decidi passar para o meu registo de bordo o seguinte:
- Imbuído de um acto de aculturação apreendido ao longo dos tempos e , segundo um código de boa educação, para facilitar a entrada da sua companheira extra-terrestre, abriu a porta do veículo ajudando-a a acomodar-se numa espécie de almofada em suspensão que era comum aos dois .
- Juntos rumaram até uma vasta extensão de águas revoltas, estabilizando na beira do abismo o motor que , prontamente correspondeu ao comando.
- Invadidos que foram por um processo químico que rapidamente alastrou a cada centímetro dos seus corpos, experimentaram um elevado nível de prazer que os deixou em processo de quase ebulição, traduzindo-se no final por uma fusão íntima do intervenientes, como se de um processo de alquimia se tratasse. Um pedaço de Tempo transformado em verdadeira Arte Real. Findo que foi este momento e no trajecto de volta, o elemento masculino encerrou-se num mutismo avassalador e desde então nunca mais foi o mesmo. Enclausurou-se no meio uma massa protectora chamada casulo, construída de vários materiais, que permitem aos seres humanos sentirem-se em completa segurança - pensam eles.
E ela esgotada com a frenética actividade e alteração química a nível psicossomático permitiu de um modo involuntário que os seus circuitos se desintegrassem e ardeu ali mesmo pulverizando-se na poeira estelar.
- Foi assim que surgiu a Via Láctea, pedaços de emoções perdidas no espaço.
- Actualmente quando olho o vasto azul pontilhado de luz, recordo-me de mim sem saber onde pára o corpo que perdi algures no Cosmos!
Imediatamente começam por aí as idiossincrasias destes habitantes intra-planetários.
Dotados pelo grande Mestre do Cosmos de características superiores aos habitantes de outros planetas, estranhamente se degladiavam , infligindo sofrimento e numa constante manifestação do caos.
Usavam para sua locomoção, estranhos pedaços de metal de cores classificadas como primárias, em que se encerravam lançando-se em conduções frenéticas, acelerando o ritmo cardíaco dos próprios e, de com quem eles partilhavam esses momentos apelidados de “passeios”.
Foi por me ter lembrado de um destes momentos que decidi passar para o meu registo de bordo o seguinte:
- Imbuído de um acto de aculturação apreendido ao longo dos tempos e , segundo um código de boa educação, para facilitar a entrada da sua companheira extra-terrestre, abriu a porta do veículo ajudando-a a acomodar-se numa espécie de almofada em suspensão que era comum aos dois .
- Juntos rumaram até uma vasta extensão de águas revoltas, estabilizando na beira do abismo o motor que , prontamente correspondeu ao comando.
- Invadidos que foram por um processo químico que rapidamente alastrou a cada centímetro dos seus corpos, experimentaram um elevado nível de prazer que os deixou em processo de quase ebulição, traduzindo-se no final por uma fusão íntima do intervenientes, como se de um processo de alquimia se tratasse. Um pedaço de Tempo transformado em verdadeira Arte Real. Findo que foi este momento e no trajecto de volta, o elemento masculino encerrou-se num mutismo avassalador e desde então nunca mais foi o mesmo. Enclausurou-se no meio uma massa protectora chamada casulo, construída de vários materiais, que permitem aos seres humanos sentirem-se em completa segurança - pensam eles.
E ela esgotada com a frenética actividade e alteração química a nível psicossomático permitiu de um modo involuntário que os seus circuitos se desintegrassem e ardeu ali mesmo pulverizando-se na poeira estelar.
- Foi assim que surgiu a Via Láctea, pedaços de emoções perdidas no espaço.
- Actualmente quando olho o vasto azul pontilhado de luz, recordo-me de mim sem saber onde pára o corpo que perdi algures no Cosmos!
22 novembro 2009
Serotonina
Serotonina
Um íntimo furor deixa escapar o desespero, mas mal consegue acalmar as batidas surdas de um coração que atordoa o cérebro.
Atrás da porta, depois de tantos passos furtivos, treme, será de medo?De súbito, pára pensando, que não consegue distinguir coisa nenhuma , como se estivesse relendo por mais de mim vezes e outras tantas assim, as palavras que joga ao vento. Aquelas mesmo que ele mandou em jeito de recado por umas quantas ondas escoadas pelo cabo de fibra coaxial . E o pensamento transforma-se à medida em que lhe varia o humor entre o racional e o irracional!
Do outro lado sempre o mesmo vulto fustigado e distante, em cujo ar de espanto transparece a irritação. Agora, já distante das palavras, que nada mais valem , perderam o sentido diante de tanto desvario que retine ao sabor do acidental, oscila ao sabor das intempéries que permeiam uma sucessão de dias infelizes, em altos e baixos típicos de uma personalidade arquejante quando se vê encurralada diante da própria sombra, o que resta é acreditar que o verbo cria a imagem, que a mente cria o desejo inconfessado e aprisionado dentro de si própria, para sem mais indagar, possa declarar que todo o artifício, qual síndrome, é contra o equilíbrio.No espelho do desespero, revê-se o enigma, e não se consegue visualizar onde termina a moldura e começa a imagem, não se sabe quem possa desvendar... A família, talvez, e um médico psiquiatra, quiçá, possam ajudar. Quem sabe umas quantas pílulas que lhe reponham a serotonina !
Pois quem sabe!
Mas se ninguém lhe responder, resta-lhe o velho ditado popular “ Quem está mal, mude-se”!
Tudo isto porque…..As pessoas são surpreendentes às vezes, entre um egoísmo e egocentrismo quase a tocar a insanidade, acabam por demonstrar a falta de delicadeza dos sentimentos, e misturar no mesmo saco de lixo todos os momentos em que foram realmente enganadas, com aqueles outros, que não precisariam de ser dissimulados.
Um íntimo furor deixa escapar o desespero, mas mal consegue acalmar as batidas surdas de um coração que atordoa o cérebro.
Atrás da porta, depois de tantos passos furtivos, treme, será de medo?De súbito, pára pensando, que não consegue distinguir coisa nenhuma , como se estivesse relendo por mais de mim vezes e outras tantas assim, as palavras que joga ao vento. Aquelas mesmo que ele mandou em jeito de recado por umas quantas ondas escoadas pelo cabo de fibra coaxial . E o pensamento transforma-se à medida em que lhe varia o humor entre o racional e o irracional!
Do outro lado sempre o mesmo vulto fustigado e distante, em cujo ar de espanto transparece a irritação. Agora, já distante das palavras, que nada mais valem , perderam o sentido diante de tanto desvario que retine ao sabor do acidental, oscila ao sabor das intempéries que permeiam uma sucessão de dias infelizes, em altos e baixos típicos de uma personalidade arquejante quando se vê encurralada diante da própria sombra, o que resta é acreditar que o verbo cria a imagem, que a mente cria o desejo inconfessado e aprisionado dentro de si própria, para sem mais indagar, possa declarar que todo o artifício, qual síndrome, é contra o equilíbrio.No espelho do desespero, revê-se o enigma, e não se consegue visualizar onde termina a moldura e começa a imagem, não se sabe quem possa desvendar... A família, talvez, e um médico psiquiatra, quiçá, possam ajudar. Quem sabe umas quantas pílulas que lhe reponham a serotonina !
Pois quem sabe!
Mas se ninguém lhe responder, resta-lhe o velho ditado popular “ Quem está mal, mude-se”!
Tudo isto porque…..As pessoas são surpreendentes às vezes, entre um egoísmo e egocentrismo quase a tocar a insanidade, acabam por demonstrar a falta de delicadeza dos sentimentos, e misturar no mesmo saco de lixo todos os momentos em que foram realmente enganadas, com aqueles outros, que não precisariam de ser dissimulados.
20 novembro 2009
Carta à Igreja em Laodiceia
Existe em mim uma forma de anjo
que luta incessantemente
contra o dragão
Mas continuo sem asas de águia
até que aprenda a dominar o corpo
que à luz deu tal varão.
Entre selos e trombetas, fenece
o fruto que tanto apeteceu
um rio de água cristalina
abre as portas do céu.
Feiticeiro impuro
rasgas em mim
desejos insanos
tudo está feito
o Alfa e o Omega
O principio e o Fim.
Sempre existirá um lago
que arde com fogo e enxofre
apenas a ti caberá
escapar de tão triste sorte.
Lê-me ,
A besta emerge da terra,
por onde fugi um dia
Parece cordeiro com chifres
de touro.
Queimaste-me a alma, roubaste-me
o espirito a golpes de espada.
Deixas-te-me assim amaldiçoada .
que luta incessantemente
contra o dragão
Mas continuo sem asas de águia
até que aprenda a dominar o corpo
que à luz deu tal varão.
Entre selos e trombetas, fenece
o fruto que tanto apeteceu
um rio de água cristalina
abre as portas do céu.
Feiticeiro impuro
rasgas em mim
desejos insanos
tudo está feito
o Alfa e o Omega
O principio e o Fim.
Sempre existirá um lago
que arde com fogo e enxofre
apenas a ti caberá
escapar de tão triste sorte.
Lê-me ,
A besta emerge da terra,
por onde fugi um dia
Parece cordeiro com chifres
de touro.
Queimaste-me a alma, roubaste-me
o espirito a golpes de espada.
Deixas-te-me assim amaldiçoada .
18 novembro 2009
Mar
"Porque o melhor, enfim,/É não ouvir nem ver.../Passarem sobre mim
E nada me doer."
Camilo Pessanha
Mar,
que rolas incessantemente
imensa chama fria que arde
assim aos pés da gente
num lusco-fusco de marés
que nos embalam docemente.
Luzeiros á noite pela praia fora
pelo mar dentro
mágicas rendas finas
de ondas tecidas
transportam o brilho
das estrelas caidas.
E só as tuas águas
me apagam a febre fantasma,
que em ondas
revoltas, me vai afogando
e o estertor começa
na água morrente
pela noite fora
Traz-me o mar de rojo
aquele que me devora
como uma serpente.
@
E nada me doer."
Camilo Pessanha
Mar,
que rolas incessantemente
imensa chama fria que arde
assim aos pés da gente
num lusco-fusco de marés
que nos embalam docemente.
Luzeiros á noite pela praia fora
pelo mar dentro
mágicas rendas finas
de ondas tecidas
transportam o brilho
das estrelas caidas.
E só as tuas águas
me apagam a febre fantasma,
que em ondas
revoltas, me vai afogando
e o estertor começa
na água morrente
pela noite fora
Traz-me o mar de rojo
aquele que me devora
como uma serpente.
@
11 novembro 2009
Loucura do Interdito
O Discurso é filho do Amor
Nasceu belo e magnifico
Nessa terra da loucura,
em que o Eu não era eu
onde o Imaginário perdura.
Hoje sei, que escrevo ,
não para ti, que és o Principio
que não me fará nunca ser amado
porque o discurso, esse sim
estará sempre
inacabado.
E ao contrário de mim,
a escrita nada compensa
apenas no começo desta
como algo sublimado
e só está onde não estás
ou seja, em mais nenhum lado
Tudo se representa assim ,
eterno conto inacabado,
um cenário de fantasmas,
que sempre me incomodam
ainda mais do que os meus.
Porque são fantasmas teus!
Chocam-me sem cessar
colidem com a capacidade
de te poder recriar,
Neste discurso, nascido
da angústia de te amar.
Eu de um lado
Tu do outro
e no meio
o modo presente
amo-te
sem Verbo infinito
frase-palavra
que soa apenas num grito.
Só assim fará sentido
na loucura do interdito.
Nasceu belo e magnifico
Nessa terra da loucura,
em que o Eu não era eu
onde o Imaginário perdura.
Hoje sei, que escrevo ,
não para ti, que és o Principio
que não me fará nunca ser amado
porque o discurso, esse sim
estará sempre
inacabado.
E ao contrário de mim,
a escrita nada compensa
apenas no começo desta
como algo sublimado
e só está onde não estás
ou seja, em mais nenhum lado
Tudo se representa assim ,
eterno conto inacabado,
um cenário de fantasmas,
que sempre me incomodam
ainda mais do que os meus.
Porque são fantasmas teus!
Chocam-me sem cessar
colidem com a capacidade
de te poder recriar,
Neste discurso, nascido
da angústia de te amar.
Eu de um lado
Tu do outro
e no meio
o modo presente
amo-te
sem Verbo infinito
frase-palavra
que soa apenas num grito.
Só assim fará sentido
na loucura do interdito.
10 novembro 2009
vai o tempo fugindo; entre amarguras e sonhos
sem que a vontade efective o desejo
de sorver com loucos beijos
os teus làbios cor de morte
Aquela enorme frieza, desse corpo tumular
merecia melhor sorte
do que este breve findar.
@
------------
As tuas mãos tão brancas d'anemia...
os teus olhos tão meigos de tristeza...
- É este enlanguescer da natureza,
Este vago sofrer do fim do dia.*
*CP
sem que a vontade efective o desejo
de sorver com loucos beijos
os teus làbios cor de morte
Aquela enorme frieza, desse corpo tumular
merecia melhor sorte
do que este breve findar.
@
------------
As tuas mãos tão brancas d'anemia...
os teus olhos tão meigos de tristeza...
- É este enlanguescer da natureza,
Este vago sofrer do fim do dia.*
*CP
02 novembro 2009
Simulacros de uma verdade rasurada
Guardo na memória
restos de uma cartografia simulada
simulacros de uma verdade rasurada
caminhos do efémero
onde não encontrei nada.
E.... como dizia, não Pessoa, mas David
"Por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos (...)"
Agora, quanto mais te desfaço, mais
a morte chega em mim.
é tempo de iniciar
este começo do fim.
restos de uma cartografia simulada
simulacros de uma verdade rasurada
caminhos do efémero
onde não encontrei nada.
E.... como dizia, não Pessoa, mas David
"Por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos (...)"
Agora, quanto mais te desfaço, mais
a morte chega em mim.
é tempo de iniciar
este começo do fim.
30 outubro 2009
Asas
De tanto gritares e não conseguires
fazer-te ouvir
transformaram-se as tuas mãos
em asas para me fazeres sorrir
À noite fecho os olhos,
e da minha janela da alma
convido-te a voar comigo
aos locais onde sempre
quisemos ir.
E nessa forma sonhada
surge a o teu riso
num vulto de coisa alada
e acordo já tão tarde
sentido-me assustada
por saber que ganhaste asas
e no meu sonho
partiste de forma inesperada.
Logo, mais à noite
vou-me preparar
para outra jornada
Transformar as minhas mãos
em nada.
Assim , sem mãos já não sonho
porque a poesia ficará
por dizer, aqui
dentro do meu peito fechada!
Voaste para tão longe,
como conseguiste tu deixar-me assim
abandonada?
para que serve ter asas ou mãos
se subiste tão alto e não me levaste
contigo?
Já me chamam desterrada,
Quisera eu ser assim
forma eternamente alada.
fazer-te ouvir
transformaram-se as tuas mãos
em asas para me fazeres sorrir
À noite fecho os olhos,
e da minha janela da alma
convido-te a voar comigo
aos locais onde sempre
quisemos ir.
E nessa forma sonhada
surge a o teu riso
num vulto de coisa alada
e acordo já tão tarde
sentido-me assustada
por saber que ganhaste asas
e no meu sonho
partiste de forma inesperada.
Logo, mais à noite
vou-me preparar
para outra jornada
Transformar as minhas mãos
em nada.
Assim , sem mãos já não sonho
porque a poesia ficará
por dizer, aqui
dentro do meu peito fechada!
Voaste para tão longe,
como conseguiste tu deixar-me assim
abandonada?
para que serve ter asas ou mãos
se subiste tão alto e não me levaste
contigo?
Já me chamam desterrada,
Quisera eu ser assim
forma eternamente alada.
26 outubro 2009
Memórias
Nascem na memória
imagens de metades perdidas
Cortadas ao meio,
Estranhamente divididas
por um fino esteio,
cruéis imagens feridas
Espécie de teia emaranhada
Uma voz que ecoa, distante
Que corta
Ecoa , absorta , magoada
vidro cinzelado a diamante.
Efémera recordação ,
Lamparina flamejante
Lançando sombras no chão
Onde se recorta, intacto
O teu vulto flutuante
E por vezes as memórias
Atraiçoam, sem saber
Se lembramos hoje
O que vivemos ontem,
Se o ontem não existiu
Que lembranças ficarão?
Do que não foi vivido
Por não existirmos hoje
Na nossa recordação
Nas memórias que fingimos
Deixar o tempo roubar
Qual bicho que nos devora
Este nosso imaginar
Até que virá um dia
Em que a memória se vai
Para um qualquer lugar
E nos deixa tão sós
Sem nada para recordar.
25-10-2009
imagens de metades perdidas
Cortadas ao meio,
Estranhamente divididas
por um fino esteio,
cruéis imagens feridas
Espécie de teia emaranhada
Uma voz que ecoa, distante
Que corta
Ecoa , absorta , magoada
vidro cinzelado a diamante.
Efémera recordação ,
Lamparina flamejante
Lançando sombras no chão
Onde se recorta, intacto
O teu vulto flutuante
E por vezes as memórias
Atraiçoam, sem saber
Se lembramos hoje
O que vivemos ontem,
Se o ontem não existiu
Que lembranças ficarão?
Do que não foi vivido
Por não existirmos hoje
Na nossa recordação
Nas memórias que fingimos
Deixar o tempo roubar
Qual bicho que nos devora
Este nosso imaginar
Até que virá um dia
Em que a memória se vai
Para um qualquer lugar
E nos deixa tão sós
Sem nada para recordar.
25-10-2009
20 outubro 2009
Sonhos
Sonho às vezes , sonhos impossíveis
Coisas de menina, que não cresceu ainda
Sonho a saudade que sinto
De não te sentir assim
Poder deitar a cabeça nos teus braços
No teu aroma de jasmim.
Sonho que chegas no teu cavalo de pau
Chegas inteiro, no silêncio das grandes noites estreladas
para me leres um velho conto de fadas.
Sonho que me abraças como se fosses a corda
E eu pião ou a tua bola colorida.
Aquela que , mais do que tudo, tanto gostas de rolar.
Ficamos ali, devagar, parados, entre sombras
Sentindo a dois , aquele imenso abraçar.
Então, uma onda suave nos invade
Como se não existisse mais nada
Como se tu fosses remo e eu a tua jangada.
E remamos os dois juntos, no mar calmo
Sem parar.
Avanço de proa erguida, sentindo o teu remar
Sempre em redor de nós, onde me irás abraçar
Até ao dia final em que o sonho se acabar.
Uma onda rolará, revolvendo o côncavo
Do meu peito a palpitar.
E no dorso curvo dos montes
Negro corcel me irá arrebatar
Agitando as longas asas
Quebrando os ninhos em flor
Acordarei do meu sonho
Num pesadelo de dor
Eu que não queria sonhar
Não queria adormecer
Sinto um cortejo sinistro
Que me vem ver a morrer.
Coisas de menina, que não cresceu ainda
Sonho a saudade que sinto
De não te sentir assim
Poder deitar a cabeça nos teus braços
No teu aroma de jasmim.
Sonho que chegas no teu cavalo de pau
Chegas inteiro, no silêncio das grandes noites estreladas
para me leres um velho conto de fadas.
Sonho que me abraças como se fosses a corda
E eu pião ou a tua bola colorida.
Aquela que , mais do que tudo, tanto gostas de rolar.
Ficamos ali, devagar, parados, entre sombras
Sentindo a dois , aquele imenso abraçar.
Então, uma onda suave nos invade
Como se não existisse mais nada
Como se tu fosses remo e eu a tua jangada.
E remamos os dois juntos, no mar calmo
Sem parar.
Avanço de proa erguida, sentindo o teu remar
Sempre em redor de nós, onde me irás abraçar
Até ao dia final em que o sonho se acabar.
Uma onda rolará, revolvendo o côncavo
Do meu peito a palpitar.
E no dorso curvo dos montes
Negro corcel me irá arrebatar
Agitando as longas asas
Quebrando os ninhos em flor
Acordarei do meu sonho
Num pesadelo de dor
Eu que não queria sonhar
Não queria adormecer
Sinto um cortejo sinistro
Que me vem ver a morrer.
19 outubro 2009
História perdida
À noite, quando as luzes se apagam, perfilam-se nas prateleiras longas vultos alinhados militarmente , um enorme exército que silencioso comunica entre si .
Havia já algum tempo que me apercebia de tais movimentações e pela manhã notava , que alguns deles tinham alterado o lugar que lhes tinha sido destinado. Dispus-me a ficar de atalaia servindo-me de alguns auxiliares de vigilância.
Na primeira noite, munida com um longo fio de linha cor de café com leite, tratei de marcar algumas dessas prateleiras circundado-as de modo a que ficassem aprisionadas.
Esperei ansiosamente os primeiros alvores do dia que se anunciava cinzentão e desci, pé ante pé, pela velha escada de madeira, que rangia contra a minha vontade; do meu interior saia uma voz que lhe ordenava a ela que se calasse que não rangesse mais a velha tábua carunchosa – tinha de a mandar substituir, mil vezes o tinha pensado e outras tantas o tinha adiado - e que me deixasse, agora também eu uma espécie de clandestina a coberto da madrugada, subrepticiamente introduzir-me no meio do exército aparentemente emudecido.
Finalmente consegui aterrar no sofá de couro , envelhecido pelo uso e cheio de longas estrias claras que lhe sulcavam a pele – até lhe ficavam bem, davam-lhe um certo ar de imponência, aquele que apenas quem percebe dessas coisas de rugas sabe avaliar o que significam e como tal , entende de modo particular o superior significado e designio das mesmas.
Dediquei-me então a olhar com atenção, indagar quem se tinha deslocado do respectivo lugar, inquiri as quotas, os espaços vazios, que a cada noite que passava aumentavam a negra volumetria , fazendo lembrar enormes bocas escuras, desdentadas, prontas a tragar quem por ali passasse desprevenido.
E, não é que faltavam ali mais uns dois ou três exemplares raros?!! Belas capas de cor de carneira, com ferros dourados tinham desaparecido – mas para onde???
Na prateleira do fundo, aquela que tinha as almas guardadas dos escritores de última flor de Lácio, tinha sumido uma edição rara dos Lusíadas e mais além uma outra, com o testemunho de uma vida passada nas Áfricas acabava de cair em combate, espalhada no chão, as páginas outrora ilustradas com gravuras, agora arrancadas, jazia por terra horrivelmente mutilada.
Quedei-me muda, tal era o meu espanto, sem reacção no corpo que se deixou abater no velho sofá de couro, afundei-me então em pensamentos; quem seria o traste, o bandido que ousava assim enfrentar os meus domínios e roubar-me as almas dos que há muito tinham partido e tinham sido confiadas à minha guarda?
As longas linhas cor de café com leite , algumas delas, haviam sido quebradas, outras mantinham-se intactas. Algum corpo se tinha introduzido na sala e tinha roubado mais do que bom par de almas mudas e silenciosas e, eu não sabia como!!!
Mas ...eis que... numa modesta prateleira, já lá mais para o fundo, estava um livro que eu nunca houvera visto, sem quota, um estranho exemplar assim como se fosse uma alma recém -chegada, com capa de cor creme, algo acetinada, uma espécie de veludo, com uma rosa carminada a ilustrar o frontispício; peguei-lhe delicadamente , abri tentando identificar o autor da curiosa prosa que se adivinhava de inicio numa magnifica escrita cortesã , letra pequena, vistosa e elegante.
De imediato percebi que tinha ali a chave do enigma.
Narrava então – e com isto perdi duas noites lendo hipnotizada – a paixão do autor , bibliófilo – pois está claro – e todo o processo em como se tinha tornado um elzeviromaníaco, procurando sofregamente edições realizadas pelos Elzevier e sonegando como se de um cleptomaníaco se tratasse, as almas dos que á minha guarda tinham ficado.
Esta é a história de uma história perdida , que diz respeito a todos quanto amam os livros, aos que tem prazer de os abrir, de lhes sorver o aroma, esse perfume inconfundível que se solta do seu interior , uma espécie de espirito que vive em cada livro e nos narra maioritáriamente na primeira pessoa entre silêncios , sons e imagens que nenhum de nós poderá jamais viver, porque não são as nossas experiências mas sim, os testemunhos de quem para sempre viverá entre mil folhas de papel, exército silencioso e vivo perfilado militarmente nas prateleiras de cada casa que nem a poeira dos tempos fará silenciar.
Havia já algum tempo que me apercebia de tais movimentações e pela manhã notava , que alguns deles tinham alterado o lugar que lhes tinha sido destinado. Dispus-me a ficar de atalaia servindo-me de alguns auxiliares de vigilância.
Na primeira noite, munida com um longo fio de linha cor de café com leite, tratei de marcar algumas dessas prateleiras circundado-as de modo a que ficassem aprisionadas.
Esperei ansiosamente os primeiros alvores do dia que se anunciava cinzentão e desci, pé ante pé, pela velha escada de madeira, que rangia contra a minha vontade; do meu interior saia uma voz que lhe ordenava a ela que se calasse que não rangesse mais a velha tábua carunchosa – tinha de a mandar substituir, mil vezes o tinha pensado e outras tantas o tinha adiado - e que me deixasse, agora também eu uma espécie de clandestina a coberto da madrugada, subrepticiamente introduzir-me no meio do exército aparentemente emudecido.
Finalmente consegui aterrar no sofá de couro , envelhecido pelo uso e cheio de longas estrias claras que lhe sulcavam a pele – até lhe ficavam bem, davam-lhe um certo ar de imponência, aquele que apenas quem percebe dessas coisas de rugas sabe avaliar o que significam e como tal , entende de modo particular o superior significado e designio das mesmas.
Dediquei-me então a olhar com atenção, indagar quem se tinha deslocado do respectivo lugar, inquiri as quotas, os espaços vazios, que a cada noite que passava aumentavam a negra volumetria , fazendo lembrar enormes bocas escuras, desdentadas, prontas a tragar quem por ali passasse desprevenido.
E, não é que faltavam ali mais uns dois ou três exemplares raros?!! Belas capas de cor de carneira, com ferros dourados tinham desaparecido – mas para onde???
Na prateleira do fundo, aquela que tinha as almas guardadas dos escritores de última flor de Lácio, tinha sumido uma edição rara dos Lusíadas e mais além uma outra, com o testemunho de uma vida passada nas Áfricas acabava de cair em combate, espalhada no chão, as páginas outrora ilustradas com gravuras, agora arrancadas, jazia por terra horrivelmente mutilada.
Quedei-me muda, tal era o meu espanto, sem reacção no corpo que se deixou abater no velho sofá de couro, afundei-me então em pensamentos; quem seria o traste, o bandido que ousava assim enfrentar os meus domínios e roubar-me as almas dos que há muito tinham partido e tinham sido confiadas à minha guarda?
As longas linhas cor de café com leite , algumas delas, haviam sido quebradas, outras mantinham-se intactas. Algum corpo se tinha introduzido na sala e tinha roubado mais do que bom par de almas mudas e silenciosas e, eu não sabia como!!!
Mas ...eis que... numa modesta prateleira, já lá mais para o fundo, estava um livro que eu nunca houvera visto, sem quota, um estranho exemplar assim como se fosse uma alma recém -chegada, com capa de cor creme, algo acetinada, uma espécie de veludo, com uma rosa carminada a ilustrar o frontispício; peguei-lhe delicadamente , abri tentando identificar o autor da curiosa prosa que se adivinhava de inicio numa magnifica escrita cortesã , letra pequena, vistosa e elegante.
De imediato percebi que tinha ali a chave do enigma.
Narrava então – e com isto perdi duas noites lendo hipnotizada – a paixão do autor , bibliófilo – pois está claro – e todo o processo em como se tinha tornado um elzeviromaníaco, procurando sofregamente edições realizadas pelos Elzevier e sonegando como se de um cleptomaníaco se tratasse, as almas dos que á minha guarda tinham ficado.
Esta é a história de uma história perdida , que diz respeito a todos quanto amam os livros, aos que tem prazer de os abrir, de lhes sorver o aroma, esse perfume inconfundível que se solta do seu interior , uma espécie de espirito que vive em cada livro e nos narra maioritáriamente na primeira pessoa entre silêncios , sons e imagens que nenhum de nós poderá jamais viver, porque não são as nossas experiências mas sim, os testemunhos de quem para sempre viverá entre mil folhas de papel, exército silencioso e vivo perfilado militarmente nas prateleiras de cada casa que nem a poeira dos tempos fará silenciar.
16 outubro 2009
A nossa Hora.
Às vezes imagino-te assim
A dormir no meu vale claro
Apertado entre dois montes
Aconchegado entre mim
No horizonte passeia o sol
Já quase deitado em nós
Devagar desaparece
Entre a vertigem do espaço
Um momento que não esquece
Então tudo é simples,
De uma imensa calmaria
E nos teus olhos eu vejo
Brotar toda essa magia
Um brilho de menino doce
A sorrir no meu regaço
Ao longe o casario
Entre quintais floridos
A colorir este espaço
E sonho, nesse delírio
Desde a noite até ser dia
Que os meus cabelos te cobrem
Ondulando no teu corpo
Uma estranha melodia
Em que vibramos os dois
Em que te perco e te tenho
Ao achar tão perto assim
O teu olhar já perdido
Em ondas dentro de mim.
Sou assim, diante da paisagem
Alguém que te vê
Como aguarela colorida
Que prende sem saber porquê.
Há agora nos montes ondulados
Um cansaço imenso de chover
Todos reclamam as gotas
Que nos fazem renascer
Como as flores , secas curvadas
Que se abrem de par em par
Assim é o meu corpo
Quando o teu por mim passar.
16_10_2009
A dormir no meu vale claro
Apertado entre dois montes
Aconchegado entre mim
No horizonte passeia o sol
Já quase deitado em nós
Devagar desaparece
Entre a vertigem do espaço
Um momento que não esquece
Então tudo é simples,
De uma imensa calmaria
E nos teus olhos eu vejo
Brotar toda essa magia
Um brilho de menino doce
A sorrir no meu regaço
Ao longe o casario
Entre quintais floridos
A colorir este espaço
E sonho, nesse delírio
Desde a noite até ser dia
Que os meus cabelos te cobrem
Ondulando no teu corpo
Uma estranha melodia
Em que vibramos os dois
Em que te perco e te tenho
Ao achar tão perto assim
O teu olhar já perdido
Em ondas dentro de mim.
Sou assim, diante da paisagem
Alguém que te vê
Como aguarela colorida
Que prende sem saber porquê.
Há agora nos montes ondulados
Um cansaço imenso de chover
Todos reclamam as gotas
Que nos fazem renascer
Como as flores , secas curvadas
Que se abrem de par em par
Assim é o meu corpo
Quando o teu por mim passar.
16_10_2009
Um país de Poesia
Às vezes sonho com um país de Poesia
Praças cheias de rosas
Praias cheias de maresia
Um novo mundo sem mal
Corpos feitos de cristal
Sem me falares das desgraças
Nem de contos de loucura
Uma terra em tons dourados
De espigas a bailar
Papoilas no areal
Como se magia fosse
Ver tingir de rubra cor
Este meu pobre país
Que a cada dia que passa
Se torna mais infeliz.
Pela hora das trindades
Tocavam sinos docemente
Havia o pão e as rosas
E um sorriso ficava
Nos lábios de toda a gente.
Mas...tudo fenece rápido
Com a chegada dos tais
Que em meu nome e no teu
Dão cabo deste ideal
E nos transformam a nós
Em triste cortejo de ais.
Moribundo Portugal!
Praças cheias de rosas
Praias cheias de maresia
Um novo mundo sem mal
Corpos feitos de cristal
Sem me falares das desgraças
Nem de contos de loucura
Uma terra em tons dourados
De espigas a bailar
Papoilas no areal
Como se magia fosse
Ver tingir de rubra cor
Este meu pobre país
Que a cada dia que passa
Se torna mais infeliz.
Pela hora das trindades
Tocavam sinos docemente
Havia o pão e as rosas
E um sorriso ficava
Nos lábios de toda a gente.
Mas...tudo fenece rápido
Com a chegada dos tais
Que em meu nome e no teu
Dão cabo deste ideal
E nos transformam a nós
Em triste cortejo de ais.
Moribundo Portugal!
14 outubro 2009
Borboletando
Ele há coisa mais bela
Do que a beleza da poesia
Quando pousa com asas de borboleta
Numa folha de papel?
Uma alegre sinfonia!
Imaginai agora...
Que a poesia tem cor
Tem som
Movimento
Ah! Pois! e tem dor
Dizem-me ao ouvido,
Os meus secretos fantasmas.
Movimento de ondas partidas
Largadas, perdidas.
Som de trovão a bramir
No mar!
Espécie de tropel
Cavalos alados a poisar
De mansinho
Na minha folha de papel!
Voai mais um pouco...
Além...ali
Onde um desejo fatal de pertencer
Mesmo assim a quem tanto nos faz
Sofrer.
Que nunca está lá!
Apenas as asas de borboleta,
pousam com encanto
Num fio dos teus cabelos prateados
E solta-se a magia
Da poesia
Em movimento
Enquanto os meus olhos reprimem
Violentamente o pranto
Todo o sentimento.
Prontos a fugirem
A qualquer momento
Rebentar os diques
Inventar os bosques
Sem terra queimada
E sonho-te assim
Poesia inventada.
Do que a beleza da poesia
Quando pousa com asas de borboleta
Numa folha de papel?
Uma alegre sinfonia!
Imaginai agora...
Que a poesia tem cor
Tem som
Movimento
Ah! Pois! e tem dor
Dizem-me ao ouvido,
Os meus secretos fantasmas.
Movimento de ondas partidas
Largadas, perdidas.
Som de trovão a bramir
No mar!
Espécie de tropel
Cavalos alados a poisar
De mansinho
Na minha folha de papel!
Voai mais um pouco...
Além...ali
Onde um desejo fatal de pertencer
Mesmo assim a quem tanto nos faz
Sofrer.
Que nunca está lá!
Apenas as asas de borboleta,
pousam com encanto
Num fio dos teus cabelos prateados
E solta-se a magia
Da poesia
Em movimento
Enquanto os meus olhos reprimem
Violentamente o pranto
Todo o sentimento.
Prontos a fugirem
A qualquer momento
Rebentar os diques
Inventar os bosques
Sem terra queimada
E sonho-te assim
Poesia inventada.
Ausências.
Não sei escrever sobre a ausência da cor
Que quase sempre vejo nos teus olhos
Empalidecidos, de tez translúcida
Onde jaz sempre espelhada a dor.
Pudesse eu , insuflar-te na alma
Uma fonte dolorosa e sagrada
Que te iluminasse e sentisses
Como eu anseio ser amada.
Abrasas-me assim, lentamente
Neste torpor sem luxúria
De não te poder sentir
Minguo nesta penúria
Rasgando o senso comum
De abandonares o teu corpo
E sermos apenas um!
Ressoam, ecoam em mim
O Ar, a Luz e a Cor
Mas ando triste, solitária
Eu só te tenho na Dor.
È só na Dor que te tenho
Na dor da incompreensão
Perco-me de mim em ti
Nesta estranha solidão.
Que quase sempre vejo nos teus olhos
Empalidecidos, de tez translúcida
Onde jaz sempre espelhada a dor.
Pudesse eu , insuflar-te na alma
Uma fonte dolorosa e sagrada
Que te iluminasse e sentisses
Como eu anseio ser amada.
Abrasas-me assim, lentamente
Neste torpor sem luxúria
De não te poder sentir
Minguo nesta penúria
Rasgando o senso comum
De abandonares o teu corpo
E sermos apenas um!
Ressoam, ecoam em mim
O Ar, a Luz e a Cor
Mas ando triste, solitária
Eu só te tenho na Dor.
È só na Dor que te tenho
Na dor da incompreensão
Perco-me de mim em ti
Nesta estranha solidão.
O Outro
Vão para ti, amor de algum dia,
os gritos rubros da minha alma em sangue;
vives em mim, corres-me nas veias,
andas a vibrar
na minha carne exangue!
Mas, quando nos teus olhos poisa o meu olhar
enoitado e triste,
vejo-te diferente...
Aquele que tu eras, e que eu amo ainda,
perdeu-se de ti
...e só em mim existe!
Poema de Judith Teixeira, ed. &etc; 1996, que nos idos tempos de 1923, foi apelidada de "desavergonhada" ao corroer os Santíssimos Costumes da PÁTRIA LUSITANA ( AO TEMPO REPUBLICANA E LAICA E DEMOCRÁTICA) .... o gOVERNADOR cIVIL DE lISBOA, AÇICATADO PELA ALTA BRIDA DE UNS QUANTOS ESTUDANTES CATÓLICOS, SEDENTOS DE MÃO PESADA CONTRA A CHAMADA LITERATURA DISSOLVENTE QUE INUNDAVA OS ESCAPARATES, FAZ CREMAR, ENTRE OUTROS EXEMPLARES DAS cANÇÕES DE ANTÓNIO BOTTO E RAÚL LEAL.
ACTUALMENTE A CREMAÇÃO FAZ-SE DE MODO MAIS DISCRETO....
os gritos rubros da minha alma em sangue;
vives em mim, corres-me nas veias,
andas a vibrar
na minha carne exangue!
Mas, quando nos teus olhos poisa o meu olhar
enoitado e triste,
vejo-te diferente...
Aquele que tu eras, e que eu amo ainda,
perdeu-se de ti
...e só em mim existe!
Poema de Judith Teixeira, ed. &etc; 1996, que nos idos tempos de 1923, foi apelidada de "desavergonhada" ao corroer os Santíssimos Costumes da PÁTRIA LUSITANA ( AO TEMPO REPUBLICANA E LAICA E DEMOCRÁTICA) .... o gOVERNADOR cIVIL DE lISBOA, AÇICATADO PELA ALTA BRIDA DE UNS QUANTOS ESTUDANTES CATÓLICOS, SEDENTOS DE MÃO PESADA CONTRA A CHAMADA LITERATURA DISSOLVENTE QUE INUNDAVA OS ESCAPARATES, FAZ CREMAR, ENTRE OUTROS EXEMPLARES DAS cANÇÕES DE ANTÓNIO BOTTO E RAÚL LEAL.
ACTUALMENTE A CREMAÇÃO FAZ-SE DE MODO MAIS DISCRETO....
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