A minha alma é um braseiro a consumir a soma dos meus dias.
Estéril, morre perto da sombra do oásis chamado sonho.
Há um negro poço onde à noite me debruço e vejo as estrelas a cintilarem.
Escolho entre o brilho das estrelas e o calor do sol.
Falta-me a escada para descer ou talvez abra os braços e voe nas ondas quentes do horizonte.
Abro os olhos e vejo-te em forma de pássaro suspenso no manto diáfano do dia.
Deixa que se extinga o último sopro da brisa e faz de mim fénix.
Mais tarde gritarás no branco silêncio o que nunca eu ousei dizer-te.
Nesse instante as palmeiras darão frutos e o doce das tâmaras saciará o meu desejo de ti.
