17 junho 2011

O que é Nacional é bom


Escrevinhei um poema, que guardei no fundo da gaveta, já lá vai um bom par de anos. Supostamente  não era para ser lido. Recentemente fui à procura do dito e vi que o papel tinha sido roído por algum insecto bibliófilo, não sobrou uma única letra.  Com  a minúcia possível e munida de lupa procurei em todas as gavetas o autor de semelhante atentado. Por fim, encontrei  o dito bicho e acusei-o do crime de posse de propriedade intelectual. Eis que o malandro me transmitiu que tinha registado os direitos da poesia na Sociedade Portuguesa de Autores. Quanto ao suporte em papel alimentou-se do mesmo e procriou uma nova geração de bibliófagos: deu á luz mais outros tantos animais, que espalhados pelo mundo fora tem conseguido sobreviver à custa do papel escrito. Da próxima vez que tal suceder, em vez de atilar uma qualquer letra, cilindro-o  por inteiro mesmo correndo o risco de deixar o poema sem um til.Tenho ainda uma solução final: convidar para coabitação alguns morcegos vindos ali dos lados de Mafra. Tudo isto para vos dizer que o que é nacional é bom, não só o pão da mencionada localidade, como também os morcegos que habitam o Convento, já para não referir os bibliófilos espalhados pelo continente ( e ilhas). 
@ Reservados todos os Direitos de Autor

14 junho 2011

Caça ao Poema










O Sono de Vénus e Cupido

Estou cansada, aqui sentada
Farta de magicar, vã tentativa
De um poema modelar.
Apetece-me fugir, até tenho
A porta aberta!
Foge, levanta-te e foge
Vais ver que a alma desperta.
Oh, se fugir, não consigo
Acabar este poema,
Fica a rima incompleta.
O que será uma pena!
Anda lá, não importa!
Sai porta fora e respira
Não te esqueças, que
 há gente a sonhar  como tu.
Escolhe um alvo, olha-o bem
Estica o arco e atira a flecha
Solta o braço
Leve mas com segurança
Acerta-lhe no miocárdio
Logo abaixo das três camadas
De pele branca e luzidia
Não te esqueças da couraça
Que usamos todos os dias!
Quando acertares em alguém
Terás caçado o poema.
Podes agora sonhar
Como quem sonha pedaços
De renda antiga
Feitos de colchas das mães
Deita-te só, e descansa
segura dentro de ti
O poema aprisionado
Aquele que te sacia
E te mantém renovado.





12 junho 2011

O fluído misterioso









Vénus
Ando à procura do poema
Sem métrica e sem  método
Desordenado e caótico
Mas que faça algum sentido
E que não seja neurótico

Ando à procura do poema
Daquele que já foi vivido.
Não quero o poema dorido
Tão pouco o poema sofrido
Quero cantar a alegria
Do poema renascido
Se alguém sentir na poesia
Esse misterioso fluído
Entenderá por si mesmo
Que a vida tem um sentido.
E que através  da poema
Nada será proibido

08 junho 2011

Trago em mim todos os rios do mundo

William Turner - Ausschnitt

Esta noite o mar inundou-me os olhos
Trago em mim todos os rios do mundo
Vulcões de lava irrompem estilhaçando marés
A espuma desfaz-se no cais sob o signo do eterno
Caminho peregrina por sobre a nuvem densa
Há uma dor nova que me diz que ainda existo
Na bagagem do destino levo a bruma da memória
Já não cabe aqui dentro a tempestade
Abatem-se as fragas ao raio
Vergo-me sob o peso da luz que me cegou
E adormeço no cansaço do desejo não consumado.
Amar é deixar correr todos os rios do mundo em nós
Deixá-los ir, livres, soltos, para que regressem em forma de nuvem.
@Reservados todos os Direitos de Autor

07 junho 2011

Fragmentos

Aniquila-me a ideia da morte e da felicidade
Tanto me destruo nesta oscilação
E o pensamento pende
Entre razão e emoção
Tenho um carrasco a vigiar
Ali na parede, entre o vão de uma janela
Dá as horas, dita-me o dia
E de noite abro as portadas
E esgueiro-me através dela.

Nesta espera angustiante
Entre morte e felicidade
Nunca sabendo quando
Quase sempre a enlouquecer
Vejo a soma dos meus dias
Num soturno entardecer.

06 junho 2011

A última gota de espuma



William Turner-Fishermen at Sea
No teu corpo existem velas que fogem de mim
Com elas afastas os alvores da madrugada
E navegas à bolina
Sem nunca chegar ao fim
Na manhã aberta ao sol
Rasgam-se as trevas
Com o grito das gaivotas
Que te perseguem
Iluminas o mar com um véu de espuma
Cada vez mais longe.
Afogo-me aqui e agora
Quando deixo de ver na linha do horizonte
A última onda que te levou
A última gota de espuma
Que sorvi, sem saber contudo
Que não haverá mais mar.
Abro o poema em cada dia maldito
Nego e renego o dito
Reinvento o horizonte sem brisa
Lá ao fundo está um barco parado
E na areia da praia jaz o grito.

04 junho 2011

Esta Lisboa que eu amo.

E o paraíso existe aqui
Nas ruas da minha cidade
Nas sete colinas adormecidas
Nas mouras encantadas
Nas estórias ao luar
Nos sons da minha cidade
Há rouxinóis a cantar
Nos murmúrios, nos pregões
No suave marulhar
Há o rio a deslizar
Manso e aveludado
Leva os navios ao mar
Lisboa, menina e moça
A mais bela capital
Esta Lisboa que eu amo
Princesa de Portugal.

03 junho 2011

Segredos

Tenho bem guardado um segredo,
De tão guardado que está
De tão secreto que é
Que já nem me lembro dele
No dia em que to contei
Jurei que esqueceria
Guardado dentro de mim
Prometi que não diria.
Mas como posso eu viver
Cerceada de mistério
Sem nunca poder dizer
O que guardo aqui no peito
Este amor de caso sério
E de tão serio que é
Que me vai custar a vida
Amar-te assim em segredo
E sentir-me tão perdida.
.

Melodias





Somos as aves de fogo por sobre os campos celestes" - acrílico s/ tela s/ platex -Costa Brites - Março 2000


Há um disco a tocar em tons de azul
Enquanto que lá fora o dia avança
Em momentos de silêncio lento
No verde da letra agitada
O meu olhar é um pássaro
Que faz em ti o ninho do sonho.

02 junho 2011

O pardal de Belém

Alguém lhe ligou a combinar um jantar a dois. Estava um bom fim de tarde, o Tejo a vazar ,debaixo de um imenso véu azul matizado de laranja. O calor apertava ali para os lados da estação fluvial de Belém. Era giro deixar aqui o carro e íamos de barco a Porto Brandão ou à Trafaria disse ela, mas de imediato estancou à pressão o passo que a levava em direcção à bilheteira. Reparou que no asfalto quente estava uma ave minúscula, rosada, sem vestígio de penas e, dentro da sua fragilidade piava incessantemente:- Deixa, vamos embora, já está quase morta, e é tão pequenina, que vais tu fazer com ela?

Prosseguiram o trajecto entrando na embarcação, olhavam alternadamente as duas margens do rio, captando imagens aqui e ali, guardando pedaços de um tempo ocioso , oscilando o barco e oscilando ela também ,entre bombordo e estibordo fugindo-lhe a ela o pensamento para avezita caída no chão.

Jantaram, e de regresso d repetiram o caminho feito três horas antes. Desta feita, de volta à estação fluvial de Belém

Precisamente no mesmo local, três horas depois , a ave continuava viva e a chamar pelos pais. Era noite cerrada. Num impulso, ela baixou-se, pegou-lhe com ternura, aconchegou-a na mão, ouvindo o pipilar suplicante de ajuda. Trouxe-a para casa. Na madrugada do novo dia acordou bem cedo, eram 5 e meia da manhã, procurou seguir o ritmo das aves que acordam com os primeiros alvores. Procurou alimentá-lo, continuava vivo e era decididamente um lutador!

Faltou ao emprego, pediu um dia de férias e ficou-se pela casa, perdida em tantos pensamentos, tanta reflexão sobre a fragilidade da vida, a tenacidade e sobretudo pasmava-se ela própria com a paciência que é necessária para com mil gestos criar uma tão frágil e minúscula criatura. Procurou na internet sites sobre criação de aves, comprou papa para crias na loja de animais e de 30 em 30 minutos, mais coisa menos coisa, alimentava-o. Quantos cuidados, quantos voos!

Ligou a uma amiga e disse-lhe que devia estar a ficar doida por apanhar um pardal no chão e ausentar-se do emprego. E afinal de nada serviu! A meio da tarde o pardal morreu e ela deu por si a chorar, frustrada por não o ter conseguido salvar.

31 maio 2011

Sobre a dor

Às vezes dói-me. E dói-me muitas vezes. Uma dor fina no peito, do lado esquerdo. No meu lado esquerdo, embora me digam que o coração não dói!
Mas a mim dói-me o coração. Dói quando leio as noticias dos jornais , quando oiço os noticiários televisivos, quando vejo documentários , quando sou apanhada desprevenida, mesmo que seja o chamado “serviço público de televisão” – que ainda não compreendi muito bem que serviço público é este - com documentários a justificar a existência dos touros ou, em outro patamar, dói-me ao ler a noticia do jovem de 18 anos que perdeu pai e  mãe, esta  por causa de um  cancro ladrão,  e que, não satisfeitos os alegados desígnios do destino, levam o rapaz a passar fome; sem família, sem casa, sem protecção ,  a mendigar um  comida junto de uma esquadra de policia.
Dói-me quando vejo  imagens sobre comportamentos violentos,  crueldade, a ausência de  valores   entre os adolescentes ( muitos deles oriundos de famílias desfeitas) a par com um estado quase acéfalo .
Dói-me a falta de ideais, a política calculista, a pobreza de espirito, a ausência de elevação de ideias. E caminhamos assim cegos para o abismo.
Dói-me tanta coisa, que temo , um dia destes ficar insensível à dor, porque não quero que me doa mais.
A juntar a isto, há a minha dor pessoal, sentir que as pessoas que amo , também elas  carregam as suas dores e eu, sem lhes poder valer.
Chego a pensar que tanta dor junta é masoquismo. Dou por mim a inventar estratagemas, mecanismos de fuga – Morreu? Bom....assim já não sofre mais... não sei se,  pelas leis da morte se foram libertando parafraseando Camões.

29 maio 2011

O banho




O Banho de Apolo
Naquela manhã , depois da habitual sintonia  do rádio,  rumou ao banho, abriu a água e deixou que fumegasse..
Lentamente despiu-se enquanto  olhava  no espelho,  os pensamentos balouçando para cá e para lá; já nú  entrou na banheira, pé ante pé  e deixou que a água lhe escorresse   lenta pelo corpo; ultimamente tudo  escorria corpo abaixo, as mãos caiam  num tremelicar  sem força enquanto que  os seus pensamentos adejavam mais e mais em direcção  ao big-bang.
Ensaboou-se.  Era ainda um dos prazeres que lhe restava : o sabonete da Ach. Brito, aquele que , segundo lhe tinham confidenciado , era usado na Casa Branca. Ironias do destino.
Terminado o banho e com a última chuveirada, fechou a torneira e deixou-se também ele escorrer pelo ralo da banheira. Nadaria até ao oceano, lá estava a sua origem; era aí que tudo tinha inicio. Imaginava que assim fosse..
Pelo caminho encontrou  ratazanas, outros ratos  criaturas imundas que nadavam com ele e de olhos postos no fundo do túnel , atravessou o esgoto  e renasceu.
Finalmente era livre. Algures um rádio emitia para nenhures!!

26 maio 2011

Cloreto de (s)ódio



(nú feminino- desconheço o autor) 
Acordou sonolenta, ao sentir nascer, furtiva, uma lágrima túrgida e morna que teimava em ficar no canto do olho.
Testemunha incómoda do muito que gostaria de ignorar, do que não quereria saber nunca. Era essa minúscula gota que a tinha feito sair do sono e acordar para a realidade.
Aquela divisão da casa achava-se envolta na maior penumbra, uma quase perfeita escuridão sepulcral. Estendendo as mãos para o vazio, nada mais encontrava para além dele, senão a consciência estranha de si mesma.
Por instantes teve uma antevisão daquilo que julgava ser a Morte. Rapidamente afastou tal ideia do pensamento.
Quantas vezes, durante o dia, imaginou ou, desejou mesmo morrer, mas chegado que era o véu escuro da noite dissipava-se como por encanto esse absurdo pensamento.
Agora , ali, àquela hora da noite, uma quase madrugada, sentia-se prisioneira, mas o estado de letargia era tanto que se deixou ficar quieta, parada, quase que perdida no tumultuar dos pensamentos.
A lágrima secou entretanto,  e estendendo a mão para a mesa de cabeceira, ligou  a luz do candeeiro.
O quarto ganhou nova dimensão, num abrir e fechar de olhos pensou que com o nascer do sol, novamente nasceria a esperança de um  dia  pleno de  existência.

18 maio 2011

Desencanto

Não há encanto que me encante, desencantei-me sem sentir
Que assim me desencantava.
Resta-me fugir de mim, assim como quem foge de um feitiço desencantado.
Meio século  a quebrar esteios e amarras,
a lutar contra dragões que  eram feitos de papel.
Afinal uma simples chuvada apaga as marcas na calçada
Havia ali a pegada de um dragão, ainda à pouco...
Olhei com atenção, em seu lugar  um pequeno lago,
vulgo poça de água, fazia transparecer a imagem do meu desencanto.
Assim não consigo ir mais à frente - pensei eu - quem me garante que na próxima rua
não vou encontrar uma amálgama de folhas brancas rasgadas pelo poeta que já não sente?
É que para  fazer poesia preciso  de saber que as marcas estão no caminho, e sem caminho, não há ilusão que viva, porque eu não penso e , não pensando não há memória que resista. È como a chuva na calçada - tudo apaga; hoje foi dia de chuva na minha memória, resta-me uma folha branca que eu não consigo preencher.
Ando à procura do dragão, dediquei a manhã a perscrutar o horizonte e o maldito não se digna a aparecer!
Talvez a culpa seja da chuva, sim... porque para minha tranquilidade preciso de inventar um culpado!

17 maio 2011

R.X.

 
Pintura de Francisco Metrass - Só Deus
Uma das obras primas da pintura romântica portuguesa, sobre um dos seus principais temas: a tragédia humana.
Lembro, como se fosse hoje, a primeira vez que te vi. Olhei de soslaio, não sabendo que, anos mais tarde te continuaria a olhar desse mesmo jeito.
Estou proibida de te olhar de frente, olhos nos olhos. Hoje é maior a timidez que sinto, em relação a tudo o que se passou naquele tempo. Quando te vejo existem verdadeiros tsunamis  dentro de mim, a terra saí da sua rota e tenho a impressão que até a conhecida Lei da Gravidade fica alterada, tal a tontura que sinto. 
Não sei sabes, ou se sentes, mas esquadrinho-te com o olhar demoradamente no curto espaço de  tempo em que estou contigo; nada sobra  que não passe por esta estranha máquina de RX. E depois...bem depois, quando te vais embora, fico a saborear lentamente a memória de  cada pedaço do teu corpo, gerindo esta estranha sensação até ao próximo encontro, uma vez mais feito de  um outro toque fugaz. Fica-me o teu perfume, impregnado nas minhas mãos. E esta sofreguidão de ti não vai acabar nunca. Estrangula-me este desejo do abraço e do beijo que não dou; quando te vejo partir finjo que tudo está bem, sorrio para, no instante seguinte,  abrir as portas do meu céu e deixar que as nuvens descarreguem gotas de água salgada sobre a  pele ressequida.

16 maio 2011

Deserto

 

A minha alma é um braseiro a consumir a soma dos meus dias.
Estéril, morre  perto da sombra do  oásis chamado sonho.
Há um negro poço onde à noite me debruço e vejo as estrelas a cintilarem.
Escolho entre o brilho das estrelas e o calor do sol.
Falta-me a escada para descer ou talvez abra os braços e voe nas ondas quentes  do horizonte.
Abro os olhos e vejo-te em forma de pássaro suspenso no manto diáfano do dia.
Deixa que se extinga o último sopro da brisa e faz de mim fénix.
Mais tarde gritarás no branco silêncio o que nunca eu ousei dizer-te.
Nesse instante as palmeiras darão frutos e o doce das tâmaras saciará o meu desejo de ti.




13 maio 2011

A Volta do Duche


Há uma roupagem diáfana cor de primavera
A brincar na copa das árvores
Agora as madrugadas são coloridas
Em tons de mel e pêssego
As noites tem o brilho azul
Da chama enluarada
Pela janela aberta dançam pedaços
De voile encantado
Asas de fadas brincam às escondidas.
Ao fundo da minha escada florescem as hortenses
A fazerem lembrar Sintra e a “Volta do Duche”
Um dia vou voltar a ser a menina das tranças negras
Vou-me passear contigo por aí,
E de mão dada vamos à fonte da Sabuga.
Mãe, vais voltar para me dar a mão?
Tenho sede do teu olhar .

12 maio 2011

A Fonte da Sabuga


Há uma roupagem diáfana cor de primavera
A brincar na copa das árvores
Agora as madrugadas são coloridas
Em tons de mel e pêssego
As noites tem o brilho azul
Da chama enluarada
Pela janela aberta dançam pedaços
De voile encantado
Asas de fadas brincando às escondidas.
Ao fundo da minha escada florescem as hortenses
Tanto que me lembram Sintra e a “Volta ao Duche”
Um dia vou voltar a ser a menina das tranças negras
E de mão dada vamos à fonte da Sabuga.
Mãe vais voltar para me dar a mão?
Tenho sede do teu olhar .

09 maio 2011

Inferno

Vénus ao espelho - 

Adolphe-William 

Bouguereau 1879

Dentro do meu peito há um inferno
Labaredas de cor rubra em fúria
Revolvendo-se em espasmos de luxuria
Um inferno a arder abrasador
É sina minha sensualizar a Dor.
Tudo o que mais anseio de mim foge
E tanto que quero eu partir agora
Dai-me asas Senhor, dai-me asas
Deixai-me voar pelo céu fora!
Lá bem no alto, junto às estrelas
No meio da escuridão
Eu queria ser estrela cadente
E cair no teu coração.
Tem momentos que olho no espelho
E espreito a estranha que há em mim
Não sei quem é, não me conheço
E esta interrogação não tem fim.
Dentro do meu peito há um inferno
Labaredas de cor rubra em fúria
E o meu corpo frio a lembrar marfim.

05 maio 2011

Apelo


Há qualquer coisa no rio e no mar
Uma estranha voz, um apelo constante
Que me está sempre a chamar.
Tantas vezes que me calo
E nada mais sei dizer
Quando os oiço em silêncio
Quando me sinto a morrer.
E esta tristeza sentida
Só o rio e mar sabem dela
Tanto que a quero esconder.
Deixai-me ver se é certo
Andar aos poucos a enlouquecer
Fingindo o que não sou
E nunca virei a ser!

Há qualquer coisa no rio e no mar
Uma estranha voz, um apelo constante
Que me está sempre a chamar.
Um dia parto sem rancor
Já cumpri da Vida  a má sorte
Só  falta cumprir a Morte.
Por incumprimento do Amor.