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17 janeiro 2012

Um Novo Começo


Nú Feminino - Manoel Constantino 
 
Ninguém pode fazer história se não quiser arriscar a própria pele, levando até o fim a experiência da própria vida, e deixar bem claro que sua vida não é uma continuação do passado, mas um novo começo. Continuar é uma tarefa que até os animais são capazes de fazer, mas começar, inovar, é única prerrogativa do homem que o coloca acima dos animais.
Com efeito ela assim pensava e lutava para se manter à tona da dura realidade que enfrentava há já alguns anos.

Vitima de violência doméstica com requintes de tortura psicológica tinham-na levado ao seu limite máximo de resistência. Ele tinha sido militar e fez questão de aplicar nela as  práticas destinadas ao inimigo: agredia sem deixar marcas físicas.

Um dia ela fugiu.

Fugiu dele e de si própria. Deixou de o amar e pensava muitas vezes que, provavelmente nunca o teria amado – saiu de uma relação de tantos anos a pensar que não tinha sobrado nada. Esqueceu tudo o que ficou para trás.
Recomeçou.

Procurou refugio e companhia e deixou-se novamente encantar, pensando que com isso se libertaria realmente. Entregou-se , de novo, de corpo e alma. Havia  uma rosa a florir e um responsável por esse florescimento. Tinha levado tanto tempo aquele jogo de sedução.
De novo o destino lhe bateu no corpo e na alma. Recusou-se a acreditar que fosse possível tal sorte. Lembrava Jung e concordava com ele: (...) O homem que não atravessa o inferno de suas paixões, também não as supera”.
Revestiu-se de paciência, procurou refúgio em Deus, tentou perceber o que era o Amor e percebeu que finalmente amava, contra tudo e contra todos.
Sucede que  “O homem sobrevive a terremotos, epidemias, aos horrores das doenças e a todas as torturas da alma, mas a tragédia mais atormentadora de todos os tempos tem sido, é e será a tragédia da cama”. Leon Tolstói

Ela não compreendia porque é que ele fugia dela, não percebia se a ausência de desejo dele era somente por ela ou se seria por todas as mulheres em geral. Tentou perceber o pensamento e o sentir masculinos. Em vão. Sofria horrores por não conseguir sair da situação. Tornou-se obsessiva, dava tudo de si e recebia tão pouco.
Deu por ela a envelhecer antes do tempo. Deu por ela a viver a vida que era dele em que nunca conseguiu desenvolver as suas potencialidades e afectos, A tentar ser perfeita, demonstrando que tudo estava bem quando afinal não estava: os seus olhos tinham perdido o brilho, à libido tinha-a amordaçado, deixou de cuidar de si e do seu corpo, a cada dia que passava deixava de ser feminina.
Se as pessoas tivessem enchido antes a taça da vida até transbordar, e a tivessem esvaziado até a última gota, certamente seus sentimentos agora seriam outros. Tudo aquilo a que quereria  pegar fogo estava consumido, e apesar da quietude da velhice ser bem vinda para muitos, ela no seu íntimo revoltava-se porque não conseguia esquecer que só poucas pessoas são artistas da vida, e que a arte de viver é a mais sublime e a mais rara das artes.”
Ele tinha-a renegado.
Para além disso doía-lhe os olhares dele para  outras mulheres- as da faixa etária dos 30. Não compreendia, decididamente a psique masculina. Não era só ele que sofria, ela também –e calada.
Ultimamente andava  numa fase de indecisão: envelhecer calmamente ou voltar a ser quem era, cuidar de si e do seu corpo e partir de novo para a vida. Um novo começo que significava desligar-se dele e tentar esquecer o que significava amar.



06 maio 2008

Colo de garça (IV)





Sentia-me perdida. Sabia que era inevitável o momento seguinte - como uma espécie de fascínio maldito - no tempo que tinha parado , ele avançava para mim, como um felino que ataca a presa.
Os olhos brilhavam raiados de sangue, completamente cego e preso de um furor indescritível.
Sentia todo o meu corpo a retesar-se ,e as mãos a ficaram húmidas.
Encarei-o de frente, resignada. Abateu-se sobre mim, descarregando toda a ira e raiva.
A mão caía dura na minha pele, ardendo. (ainda consigo aguentar mais, afinal a dor é isto?), atrás de mim apenas e só a parede o último reduto, mas o olhar fugia para a porta da entrada , (se eu conseguisse lá chegar). Ao soco e ao pontapé deixei-me aprisionar ainda mais, agora já enrolada sobre mim mesma, apenas tentando proteger a cabeça. Mil pensamentos me passsavam em segundos: os meus filhos, a minha vida queimada, os anos desperdiçados, a juventude perdida, a segurança paterna.
Arrastando-me devagarinho - a próxima meta era a porta da casa de banho, lá estava o armário dos medicamentos - lá poderia acabar comigo e com o sofrimento.
Ardia-me o corpo todo, imenso e ensanguentado, partida, amarfanhada, humilhada. Num ímpeto , em desespero final, consegui erguer todo o peso morto de um corpo sem alma e vazio. Esgueirei-me de supetão para a casa de banho, fechei a porta à chave. Do outro lado as pancadas soavam fortes estremecendo as paredes.
Olhei-me no espelho, olhos vermelhos, rosto pisado escorrendo sulcos negros com marcas profundas no pescoço, (quem era eu afinal? Que fazia ali? Porque ficava dia após dia , deixando-me morrer assim?).
Do outro lado da porta a voz grazinava, martelada , violenta, acusatória, (tinha de saber esperar, ainda não era chegado o tempo da fuga).
E se fugisse agora? Maldito cárcere, carcereiro intemporal, voavas do tempo passado até ao presente (não tinha bastado a vez em que me degolaste? – tinhas de voltar para me fazer reviver o tempo em que me separaste dos meus filhos).
Quantas mais vezes vou ter que renascer e sofrer no corpo e na alma a tortura e a violência?
Olhei com desespero as pequenas pérolas brancas que tinha na mão, de um só gesto engoli rápido , sabendo que iria partir.
Hoje olho para baixo, e vejo o meu corpo jazendo envolto no frio da pedra de lioz, espécie de relicário, figurinhas em rosácea – Tanagras que a Dor revolve e sagra, degolada do mundo, alma vagueando de corpo em corpo, eternamente feminina, sempre …”Até ao fim do mundo”.

Pelo menos 17 mulheres morreram este ano devido a violência doméstica e 11 sobreviveram a tentativas de homicídio neste contexto. Os dados foram avançados pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), que realça que são apenas resultados preliminares, contudo, mostram um aumento dos homicídios no contexto de violência doméstica, em relação ao ano anterior.
Maria José Magalhães, da direcção da UMAR, adiantou que duas destas mulheres foram mortas pelos filhos e uma das sobreviventes encontra-se ainda hospitalizada em estado grave. A responsável adianta que só este fim-de-semana morreram duas mulheres às mãos de maridos, ex-maridos, companheiros ou filhos.
Segundo os dados da UMAR, referentes aos primeiros 3 meses de 2008, a maioria das vítimas tem entre 55 e 65 anos e moram na região centro, embora haja muitas da zona norte. Destaque ainda para o facto de 30 por cento das mulheres assassinadas serem consideravelmente mais jovens, tinham entre 20 e 30 anos. As estatísticas mostram também que as vítimas pertencem a todas as classes sociais e de todas as habilitações literárias.
Os dados referem-se apenas aos casos divulgados pela comunicação social , já que, segundo a UMAR, as estatísticas oficiais demoram muito tempo a serem divulgadas, por vezes meses. Assim, é possível que o número de vítimas ainda seja superior.
«Mais príncipes do que o príncipe encantado»
As responsáveis da UMAR explicam que «é difícil para as mulheres saírem do ciclo de vitimização. Muitas temem pelas suas vidas e têm razão. Fugir é difícil e há sempre a hipótese de correr mal, além disso, pensam no futuro dos filhos, e muitas não têm condições de os sustentar».
Maria José Magalhães explica ainda que, «depois de um episódio de violência, os homens pedem desculpa e durante algum tempo são mais príncipes do que o príncipe encantado. A mulher perdoa, até porque está apaixonada, e começa mesmo a desvalorizar, mas da próxima vez é um bocadinho pior».
«O problema», adianta a responsável, «é que o homem julga-se dono de uma mulher só porque gosta dela, namora com ela, ou quer namorar. Aquilo que começa muitas vezes como um controlo do telemóvel, da roupa, e das pessoas com que a namorada fala ou está, torna-se mais tarde em violência». A situação acaba por chegar ao limite em que o agressor diz: «Se não és minha, não és de ninguém», explica.
«A mulher não pode sair deste ciclo sozinha»
Maria José Magalhães explica que «a mulher não pode sair deste ciclo sozinha» e realça a importância dos centros de atendimento terem uma resposta técnica qualificada. «O centro do Porto funciona desde Janeiro de 2007 apenas com voluntárias», realça Ilda Afonso, também da direcção da UMAR. O centro, que faz atendimento de emergência, funciona 24 horas por dia, todos os dias, «mas é muito difícil conseguir isto apenas com voluntários», garante.
A UMAR apela assim à «população em geral, à Segurança Social e ao Estado» para que ajudem a dotar estes centros dos meios humanos e infraestruturas necessárias ao atendimento das mulheres e das suas famílias.
A organização diz ainda que é preciso uma mudança de mentalidades. Para isso, implementou um programa, aplicado em escolas e bairros, para mostrar aos jovens que os problemas não se resolvem apenas com recurso à violência e para ensinar às jovens como detectar os primeiros sinais de violência.
Entre 12 e 18 de Maio, decorre na Faculdade de Psicologia do Porto o Ciclo de Cinema Feminista. Além de pretender alertar a população para os problemas das mulheres, servirá ainda para angariar fundos para os centros da UMAR

03 janeiro 2008

Conselho ao Homo Sapiens













E, só porque hoje estou "raivosa" decidi emitir sinais para o éter, o tempo está chuvoso , não quero fumar e , assim sendo cuidem-se Homens Sapiens! E leiam.... com muita atenção, são arrobas de palavras com muito substracto , arrancadas ao entrecasco do sofrimento, que por mal tiradas que foram, deixaram o casco com feridas profundas, correndo o risco de secar a árvore por completo!
Não me venham depois dizer que é da poluição e das secas prolongadas....
O problema começa logo na inabilidade dos tiradores da casca!

Conselhos para o Homo Sapiens no ano de 2008
O Homem do século XXI , continua diáriamente a ser confrontado e surpreendido com o "nível" intelectual, cultural e, principalmente, "liberal" da mulher ou mulheres que o rodeiam e que fazem parte, de alguma forma, da sua vivência e/ou rotinas diárias.
Entretanto, a angústia masculina diante da traição preocupa-me e desperta-me a atenção já há algum tempo., dado que se pode transformar em graves crises de violência doméstica, algumas delas culminando drásticamente em mortes, o que poderia ser evitável, através do diálogo ou de apoio de gabinetes de aconselhamento para casais em crise. (Mas isso é uma outra abordagem basta séria, que alongaria demasiado este texto).

E temos assim o Homo Sapiens que por vezes não sabe sequer como agir, e bem no seu íntimo, sente-se inseguro, rápidamente possuído pelo medo de ser traído .
Saibam pois, homens do século XXI ... que esse risco é iminente, real mesmo!!! A probabilidade de tal suceder é muito grande, mas..atenção..existe esperança! e só cabe a cada um de vós, e a mais ninguém, evitar que isso aconteça ou, então, assumir as suas "pendências " de cabeça erguida e rconhecendo os erros ( o que não é nada fácil, convenhamos).

Mas... perguntar-me-ão como se classifica uma "mulher moderna"?

A princípio seria aquela que se ama acima de tudo,que se respeita a ela própria e ao próximo, que não perde (e nem tem) tempo com/para futilidades, é aquela que trabalha porque acha que o trabalho engrandece, que é independente material e sentimentalmente dos outros, (embora esta independência sentimental também constitua , por si só, um risco de isolamento) que é companheira, corajosa, confidente, amante...

É aquela que às vezes tem uma crise súbita de ciúmes mas que não tem vergonha nenhuma em admitir que está errada e correr para os seus braços... é aquela que sofre muitas vezes calada no isolamento das quatro paredes da sua ilha sem mar.

Um ser frágil e forte em simultâneo, que consegue ao mesmo tempo ser desarrumada e bonita... cheia de ideais e de imperfeições.
Assim, após um processo "investigatório" junto a essas "mulheres modernas" pude constatar que:

Nunca devem deixar a tal "mulher moderna" insegura. Antigamente elas choravam. Hoje, elas simplesmente traem, sem dó nem piedade. Traiem? Traiem depois de terem sido traídas e aviltadas! Note-se.
Em 1962 e , só para citar a Revista "Claudia que dava o excelente conselho : "se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar o seu carinho e provas de afecto, sem questioná-lo"...Pasme-se!!!

- Não achem NUNCA que ela tem poderes "adivinhatórios". Ela tem de saber - da sua boca - o quanto gosta dela. Qualquer dúvida neste sentido poderá levar às conseqüências expostas acima. Vinte anos ao lado de um Homo Sapiens, que só diz "Amo-te" na hora da separação, é o maior gesto de sado-masoquismo num relacionamento entre um homem e uma mulher!

- Não caiam na ilusão que é normal sair com os amigos (seja para beber, para jogar futebol...reuniões alegadamente masculinas ) mais do que duas vezes por semana, três vezes então é assinar atestado de um par de "adenóides de colecção".
As "mulheres modernas" andam esclarecidas e moderadamente alertadas podem chegar ao requinte de contratar um detective privado para apanhar o Homo Sapiens com alguma extremidade na borda do cálice .Entretanto elas são categoricamente "cheias de amor para dar" e precisam da "presença masculina". Se não for a sua ... bem... algo irá mal no "reino da Dinamarca"

- Quando disser que vai ligar, ligue, senão o fizer corre o enorme risco de ela ligar para aquele ex. bom de cama .

- Satisfaça-a sexualmente. Mas não finja satisfazê-la. As "mulheres modernas" têm um pique absurdo com relação ao sexo e, principalmente dos 20 aos 38 anos, elas pensam em - e querem - fazer sexo todos os dias (pasmem, mas é a pura verdade)...bom, nem precisa dizer que se não for com você...

- Mime-a! Dê atenção. Mas principalmente faça com que ela perceba isso. Machos mal (ou bem) intencionados sempre existem, e estes quando querem ( e elas permitem , evidentemente) são peritos em levar uma mulher às nuvens. Então, leve-a você, afinal, ela é sua parceira, companheira preferida.... ou não é????

Evite provocar "ciumites" à toa. Como se pode constactar, mulher insegura, é uma máquina colocadora de "adenóides".
Ao passo que homem inseguro é uma máquina colocadora de "tabefes".

- Nunca a deixe desconfiar do facto de estar saindo com outra ou outras , excluindo naturalmente relacionamentos saudáveis de amizade . Essa mera suposição da parte delas dá ensejo a um "adenóide" tão estrondoso que quando abrir os olhos para a dura realidade dos factos, já existirá alguém MUITO MAIS "comedor" do que você...só que o prato principal, bem...dessa vez é a SUA mulher.

- Tente estar menos "cansado". A "mulher moderna" também trabalhou o dia inteiro e, para além de cuidar das crianças, cozinhar e lavar a loiça, provavelmente, ainda tem fôlego para como diziam os homens de antigamente - "dar uma", para depois, virar para lado e simplesmente dormir.

- Volte a fazer uso da imaginação. Se a quando do inicio da relação viviam sem rotina, sentindo nos locais normais lugares cheios de encanto e magia, trocavam e-mails ou telefonemas picantes, creiam que a hipótese de uma mulher gostar disso é muito grande, e a de sentir falta disso então é imensa. A "mulher moderna" não pode sentir falta dessas coisas...senão... teremos os implantes de "adenóides"


Deste modo, se está ao lado de uma mulher de quem realmente gosta, e tem plena consciência de que, actualmente a sociedade está falha de valores e comportamentos éticamente aceitaveis, pense bem antes de fazer alguma dessas burradas"... proteja-a, ame-a, e, principalmente, faça-a saber disso.

Ela vai pensar milhões de vezes antes de lhe oferecer um par de "adenóides" extra!