29 abril 2014

Neste longe se cumpre o presente
neste caminhar sem retrocesso
como se a vida fosse assim feita de partidas
estranha ilusão humana
a vida é feita sempre de despedidas
entre o ontem e o amanhã
na projecção do destino
ontem foste a sombra do homem
que começou a sonhar
voltar um dia a ser menino.
entre a certidão de nascimento
e a certidão de um óbito
um sopro de vendaval, um verão
uma primavera, um outono
e uma folha amarela
a tua alma a cair, a cair
numa fenda do destino
por onde se vai o inverno
e tu, espiral, ainda projecto de homem
todo tu em desatino.


Maria João Nunes
 

1 comentário:

Cris Braghetto disse...

Lindo poema!
A vida é um tênue e curto fio, mas é colorida e linda se assim quisermos.