23 dezembro 2008

Mensagem de Natal



No presépio de Belém “juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste a louvar a Deus dizendo: Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens que ele ama”(Lc 2,13-14).

Este mundo violento, egoísta, de exclusão social, de terrorismo, necessita de um ‘choque de amor’, de ‘um choque de Evangelho’
O Natal é uma festa de amor, de família, de reconciliação e de perdão. Vivemos numa sociedade chamada ocidental, cristã, mas, certamente, não vivemos o cristianismo pregado por Cristo no seu Evangelho.
A época do Natal é uma oportunidade especial para agradecermos a Deus por Jesus, que trouxe paz aos nossos corações, pela Sua mensagem e por nos dar o Espírito da paz. A paz é chamada de fruto do Espírito em Gálatas 5.22.
Somos realmente pessoas que esperam em Deus? Só assim experimentaremos aquilo que Ele promete em João 14.27: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize." É assim que, no meio deste mundo agitado, poderemos ter a paz que ninguém conseguirá nos tomar! A paz que Cristo pregou no Evangelho é fruto do amor, da justiça, da fraternidade, da solidariedade.
Os meus pensamentos estarão com os que sofrem na alma e no corpo, injustiçados e espoliados, no meio da tristeza e do lamento das guerras, esperando com Fé o tempo de que fala Isaías (2.4), quando as espadas se transformarão em relhas de arado e as lanças em podadeiras, quando uma nação não mais levantará a espada contra outra nação e nem aprenderão mais a guerra, quando até os animais selvagens serão mansos, quando o lobo e o cordeiro habitarão juntos e um menino apascentará o bezerro, o leão novo e o animal cevado ( Is 11.6-9).
Que o Menino Jesus ilumine os vossos corações, vos dê a graça da Graça, e só por ela e através dela conseguiremos ultrapassar os tempos difíceis que se avizinham.
Obrigada a todos quantos passaram por aqui e me leram, me comentaram e a todos os que me ajudam a crescer em Espirito .

Que a Paz seja connvosco!

13 dezembro 2008

Espelho meu



Hoje acordei e olhei no espelho.
Esperei ver-me inteira, sem dor
Desesperei, apenas vi
Um ser solitário, sem amor.

Tentei olhar, melhor, ver!
Ver com os olhos da alma
Entristeci, triste
Porque apenas vi
O olhar duro em riste

Olhei o canto superior
Do dito espelho, perscrutei
Um ponto obscuro,
Quem sabe se estaria ali
Escondido
Algum rosário esquecido
Deste mundo ensandecido

Centrei o olhar, no meio
E vi pulsar uma veia
Afinal….vivo
Respiro, ainda não morri
Sequer.
Que faço eu em frente
Ao espelho
À procura de uma imagem
Que só existe no fundo
Porque me coloco lá
Transformando-me
Em miragem?

Quando sinto e sou mulher.

10 dezembro 2008

A Videira



Nem sei como nasceu ali, mas causava-me algum deleite observá-la.
A tenacidade não lhe faltava, a cada dia que passava, mais e mais enterrava as suas raízes no terreno árido, e, como se não bastasse tamanha adversidade, o vento açoitava-a noite e dia, vindo sabe-se lá muito bem de onde. Deitada na terra, aninhada debaixo da folhagem verde acastanhada, eu imaginava-me a vestir a sua pele e porque gostava de a tocar devagar com as minhas mãos, acariciar o seu tronco nodoso, coberto de rugas, como se de um rosto enpedernido de um velho pescador ou camponês, diria que mais não era, aparentemente, que um corpo inteiro, sólido, formado de sulcos profundos, com feridas marcadas pelo tempo, provocadas pelos invernias agrestes, quando os assobios de um Zéfiro em fúria surgiam fortes vindos ali do monte que ondulava suave. Zéfiro procurava Flora, a deusa que encarna toda a natureza e cujo nome se convertera na designação de todo o reino vegetal. Eu continuava escondida na terra batida; o ar seco era pronúncio de um verão em declínio. Fiquei a piscar os olhos , vendo o sol brincar com os bagos dourados, em tom de mel e verde água, outros de cor rubi, autênticas pedras preciosas encastoadas na forma de cachos gigantes, inchados, grávidos de taninos e frutose que as abelhas teimosamente vinham provar.
Um delicioso néctar dos deuses – pensei eu, observando deliciada a quietude do local. Um zumbido de abelhas, um canto de pássaros, minúsculas formigas que se moviam em carreiro, prodígio de diligência, para que o Inverno fosse farto; mais longínquo o canto da cigarra, alegadamente preguiçosa acompanhava o canto da poupa, que esvoaçou assustada à chegada do bulício de um tempo de colheita.
A magia do local fugiu para longe , com longas asas de nuvem dando lugar à vindima.
No fim do dia, milhares de bagos seriam pisados, doridamente massacrados para se transformarem em embriagante líquido de cor sanguínea,afinal tão longe do tronco severo e nodoso, da raiz que diariamente se agarra desesperada à terra que a viu crescer;quem diria que dali ressurgia Dionisio folião, trazendo loucura a quem o despreze, também ele morrendo a cada inverno e renascendo em cada primavera.

08 dezembro 2008

Fragrâncias



A fragrância da vida
Tocou leve
Como o som perfeito
O gesto aconteceu
E pronta para a jornada
Iniciei
O caminho da Verdade
Na justa medida
Em que fui tocada
Recolhi o gesto
Interiorizei
Decidindo viver
A minha consciência maior
Inclinei-me
Estendi a mão e bati
A tecla, o portão
Confiei para não perder
A minha alma
Através da alegria
E da tristeza
Vibrei interiormente
Tocando as esferas celestes
Em sintonia
Sem pressa, filha do desejo
Respirando apenas
Um sopro de cristal.

30 novembro 2008

Carta ao meu Pai


Aniversário - Palabras, Patxi Andion


A lei natural da vida implica, regra geral, que os pais partam à frente dos filhos. Prefiro pensar que partiu para me preparar um novo caminho e, logo ali na curva da estrada, da via láctea, ou de uma qualquer galáxia distante o meu pai estará à minha espera.
Não sei se depois da morte existirá vida, mas sei que tenho Fé e que a mesma Fé é, para mim, uma espécie de intuição de que Deus existe, e que guardará a Alma dos que partiram. Mas o pai não acreditava em Deus e agora como vou eu saber onde o encontrar no tempo? Vive em mim? Enquanto eu o recordar, estará aqui, guardado no meu coração, na minha mente.
Lembro tantas coisas suas. Lembro que acreditava no Ser Humano!
Lembro o seu afecto e presença sempre constante.
Lembro entre tantas outras coisas, que mandou fazer um cavalete e comprava papel e aguarelas e para que eu desenhasse, o que fazia horas a fio: bailarinas, paisagens, cenários de contos de fadas. E aguarelávamos lado a lado, eu seguindo os seus conselhos!
Um dia eu seria a herdeira do dom, um dos muitos dons que tinha meu pai e que me coube em herança genética. Infelizmente ainda nada fiz para o continuar.Alguém disse que os artistas falhados são criaturas que cometeram o erro formidavel de educar primeiro o gosto e depois o senso.
Lembro do seu olhar ansioso, sempre à minha espera , depois de terminadas as aulas.
Lembro do olhar vigilante, na praia, quando as ondas eram altas demais, hoje compreendo o seu temor, porque fui mãe.
Lembro dos livros que me comprava, todos os anos, na Feira do Livro de Lisboa.Lembro de dividirmos o jornal ao meio, era eu miúda, e fazermos as palavras cruzadas a “meias”, - pensava eu que era a meias, mas o pai sabia sempre muito mais do que eu!
Lembro de me segurar pela mão, e como eu gostava das suas mãos, mãos que pintavam, que faziam casinhas de madeira para mim. Lembro tantas coisas pai, e tinha de partir tão cedo! E era Dezembro, era Natal. Nunca mais existiu Natal sem si. Passaram vinte anos.
Não sei onde está, mas se me ler, sei que sorrirá ao ler estas minhas palavras.
Quero deixar aqui uma espécie de homenagem, e dizer públicamente, que muito me orgulho do pai que tive; deixou-me como herança um código de honra: Lealdade, Honestidade e Integridade, cabe-me a mim no dia-a-dia, tentar seguir esses valores, já plantei as minhas sementes, mantendo a chama viva e continuada. Caminho assim, por si, por mim e por aqueles a quem dei a vida. Eis-me aqui, a caminhar desta forma, através da palavra, que herdei de si, meu pai!
Com saudade que só morrerá quando também eu morrer com ela, desde o dia em que o vi partir, frágil no corpo, mas forte em espírito. Era um dia frio, sem chuva, e no céu um estranho silêncio apenas quebrado pelo esvoaçar de algumas aves. Ninguém se apercebeu, mas olhei bem alto e senti o bater de asas. Era o inicio de uma outra viagem...
Espere por mim....aí onde está....

28 novembro 2008


Deixo-te aqui
estas flores
brancas.
Um braçado
De vida colhida
por mim.
Que o perfume
se solte
no teu ser,
e te faça
sentir
a beleza
das coisas simples.

27 novembro 2008

Tudo cambia....

Pobreza...


fotografia: gad. Santuário de Fátima, Janeiro 2008

A escada rolava
Ali.
Tão perto de outra escada
que descia.
Sentada, sozinha
ela sofria.
Todo o dia
Pedia.
Pão,
Farrapos de solidão
Subi a escada
que rolava,
De olhar parado
no fundo
da escada que descia.
Ela continuava
E eu, tremia
na incerteza
Entre o subir e o descer
Entre o dar
o ter e o não ter
para dar
Mas tinha
E não dei.
E fiquei a pensar,
amanhã é outro dia
Volto lá
à escada que descia.
Para me dar.

Amar as palavras



Aprendi a amar as palavras
Em ti.
Antes de ti , já as amava
Mas não sabia
Onde estavam as palavras

Aprendi a escrever cartas
de amor.
Outras, as que não escrevi
e guardo no silêncio
das entrelinhas,
escondidas
esperando que as descubras
devagar.
Ontem só existiam poemas
dentro do meu olhar.
Hoje, tudo o que olho
É poesia.
É respirar
Este meu sopro de vida
Cheio de pontuação
Espaços,
Cadências
Ritmos
Apenas marcado pelas
Estações do ano.
Escrevo-te sempre em dia de verão
quente,
onde o poema
sai pela janela aberta,
em forma de borboleta
e vai pousar no teu cabelo
docemente,
para não te acordar
do sonho
da minha poesia em ti.

15 novembro 2008


Oswaldo Montenegro - Quando Agente Ama


" ...a vida passa num instante/ e um instante é muito pouco para sonhar."

Os dias são povoados
Pela raiva de sentir
Que não és livre de ti
Porque te aprisionaste
E recusaste o porvir
E, agora só me resta
fugir eu de mim também.
Fugir incessantemente
E tornar-me degredado
Recusar este fado
que me estava destinado.

Quisera eu aprisionar-te
sem nunca te poder ter.
Ao ter-te, não te teria.
como não te tenho agora,
nem nunca terei um dia.

Não és livre de sentir.
E apenas nos unimos
Na desunião,
que nos completa.
Apenas nos encontramos
no espaço
Entre dois silêncios.
O teu e o meu,
E calados
Desejamos
Nunca ter sido assim.

12 novembro 2008

Soneto de amor


Volúpia a filha de Eros e Psiquê ou L’enlèvement de Psyché” de William Adolphe Bouguereau
Não me peças palavras, nem baladas,
nem expressões nem alma...Abre-me o seio,
deixa cair as pálpebras pesadas,
e entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nús vibrem de enleio
das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua...- unidos,
nós trocaremos beijos e gemidos,
sentindo o nosso sangue misturar-se...

Depois...- Abre os teus olhos minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!

José Régio
O poeta onde os transes da posse são como actos litúrgicos, assumindo através das palavras o pulsar da carne e dos sentidos, mesmo quando em causa está uma mística cristã heterodoxa.

Vem...devagar,
como se não viesses
realmente.
Olha-me assim com aquele olhar,
de quem conquista reinos e continentes
Mas vem... vem sempre de mansinho.
pela calada da noite
pela madrugada fora
Para eu te poder olhar!
Para poder beber rios líquidos de cristal
que nascem na fonte dos teus olhos.
para poder provar o mel que jorra
no teu sorriso,
de mistério.
que me abre a porta do sonho, da volúpia
quando o desejo dói, sereno
em ondas que voam pelo asfalto
assim como nas tardes quentes de verão
em que a terra pulsa, ondula
E agora vou sentir-te....como quem sente rios a correrem
rios lascivos, ingénuos, sem conhecer o leito
onde se deitam, brancas fragas, de linho
fresco,
e deixa a terra unir-se ao rio, correrem juntos
um no outro, febris, revoltos
sedentos
que nasça um arco-iris
e o extase desfaleça
em corpos abandonados, floridos
doídos, cansados
de tanto beber a seiva da loucura
poção mágica que nos faz rensacer
sempre que acontece
assim...!
Arroba

09 novembro 2008

A Sala das Duas Verdades



A Verdade desvendada pelo Tempo Giambattista Tiepolo (1696-1770)
Deverei comparecer
Senhor,
Na sala das 2 Verdades
Pesarem meu coração
Em balança calibrada
Oscilando entre a dor
E a crença malfadada
De que
Existia o oposto
A que estive destinada
Não consegui fugir,
Deste pedaço de corpo
Ectoplasma transformado
Clamando pela justiça
De um fim tão mal fadado.
Eis-me aqui, Senhor
Que julgas os pobres mortais
Levai-me ao outro lado
Onde possa descansar
Deste corpo já cansado
Fazei-me nascer de novo
Nesse Além tão almejado

Saudades do futuro




Saudades do futuro

Um futuro que nunca terei
Um passado que não existe
Memória que não queria
Pensar
Sequer sentir
Porque não sou presente
Apenas ponte
Entre o ontem e o amanhã
E porque o amanhã
Não existe
Caminho não sei para onde
E o caminhar faz-se
No entanto
De pequenos nadas
Que são parte de um tudo
Que não sei onde começa
Que não sei onde acaba
Apenas saudades
De um futuro
Já perdido à partida

08 novembro 2008

A Barca do Hades



Ontem desconhecia
Que tinha tomado a barca
A caminho do Inferno

Hoje crepito no fogo
Sabendo no entanto
Que tracei o tal caminho
Ignorando sempre
A sábia voz do destino

Não queiram chegar aqui
Façam tudo por fugir
Vale mais carpir a dor
E acreditar na razão
Não sigam nunca
Os fáceis passos
deste coração traiçoeiro
Vejam bem ao que cheguei
O barqueiro me levou
Por negras águas paradas
Em rochas alcantiladas
Pensando eu ser apenas
Um passeio de prazer
Acabei aqui
Sem corpo
Alma penada a arder
Nas labaredas vermelhas
Que me consumirão
Tudo isto
Porque apenas
Quis ouvir meu coração

Tarde arrastada esta,
Sabendo eu
Onde fica um pedacinho de céu
Onde existem risos mansos
Ternuras no ar voando
E eu aqui,
Triste magoada
Voz calada
a penar.

07 novembro 2008

Comentário ao Evangelho do dia feito por São Francisco Xavier

Comentário ao Evangelho do dia feito por : São Francisco Xavier Viver como bom gestor dos dons de Deus
Evangelho segundo S. Lucas 16,1-8. Disse ainda Jesus aos discípulos: «Havia um homem rico, que tinha um administrador; e este foi acusado perante ele de lhe dissipar os bens. Mandou-o chamar e disse-lhe: 'Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar.' O administrador disse, então, para consigo: 'Que farei, pois o meu senhor vai tirar-me a administração? Cavar não posso; de mendigar tenho vergonha. Já sei o que hei de fazer, para que haja quem me receba em sua casa, quando for despedido da minha administração.' E, chamando cada um dos devedores do seu senhor, perguntou ao primeiro: 'Quanto deves ao meu senhor?' Ele respondeu: Cem talhas de azeite.' Retorquiu-lhe: 'Toma o teu recibo, senta-te depressa e escreve cinquenta.' Perguntou, depois, ao outro: 'E tu quanto deves?' Este respondeu: 'Cem medidas de trigo.' Retorquiu-lhe também: 'Toma o teu recibo e escreve oitenta.' O senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. É que os filhos deste mundo são mais sagazes que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes.»

Da Bíblia Sagrada

06 novembro 2008

Tantas palavras




Delicacy de Rybonns and Pearls



Existem palavras
que magoam
contidas
sentidas
doridas
palavras que
não podem ser ditas
apenas pensadas
nunca faladas
nunca escritas
palavras malditas
de tanto pensar
sem nunca dizer
palavras que fazem sofrer.

Existem palavras
amadas
redondas
em sóis dourados
sorridentes
palavras
de pura candura
palavras mágicas
encantadas
quentes

Existem palavras
assassinas
que matam
depressa
a quem as ouviu
certeiras
bicudas
balas
ponteagudas.

Existem palavras
cáusticas
irónicas
cortantes
ferindo certeiras
pensamentos distantes.
na vida, na morte

existem palavras
menos importantes
dispensaveis
até.

palavras cobardes
matreiras
astutas

Palavras....palavras....vazias....ocas....sem ternura...
sem pai e sem mãe...palavras estas vindas do Além...

E o Céu ali tão perto...
no príncipio era o Verbo...palavra feita...

Só resta o Inferno, cheio .....de palavras!











Na vida


existem palavras


que dispensam a morte

02 novembro 2008

Passagem...



Um tempo virá em que irei chegar ao outro lado da ponte que existe entre nós. Levarei comigo flores frescas.
Todas as que não me quiseram ofertar enquanto percorri a margem, aqui deste lado.
Não sei se já cheguei ao meio da ponte, mas quanto às flores ainda não lhes sinto a fragrância.

01 novembro 2008

Tell Me Why-Declan Galbraith




Tell Me Why-Declan Galbraith

Entre esta imagem da década de 40 do século XX



e esta do ínicio do século XXI


que será que nós "seres"Humanos aprendemos????



29 outubro 2008

Mensagem

1º. -

2º. -


Ali estava cadáver
Mas renascido
Numa outra vida
Esperança viva
Que não morre nunca.
Etiquetado, amortalhado
Jazia em fila de espera
No limiar
Onde portais de luz
Abriam de par em par.
Bem no meio do círculo
Ouviu-se a voz
Que dizia:
Levanta-te e caminha!
Quebraram-se as grilhetas
Alvéolos de prata pura
Anéis que o algemavam
Ao planeta.
E subiu
Está sentado à direita
De Deus Pai
E de novo virá
Em toda a imensa Glória
Para julgar
Todos os que
Recusaram a Luz
E um reinado sem fim.

A porta fechou-se…

Os Vendilhões do Templo




Illuminati e G8geography.busythumbs.com/users/D/DaCosta/geog...



Que venho eu aqui fazer ??
Quando o mundo gira louco
Na ganância de poder
Comprar mais umas almas
Para depois as abater !!

Terá a Palavra impacto?
Ou o vil metal
Sonante?
Quando uma criança
Morre abatida
de rajada
Por uma bala cortante!

Nada conta neste Mundo,
em contagem decrescente,
caminhamos mais que certeiros
para uma morte iminente.

Quanto custa uma bala?
Uma vacina?
Um livro?
Que desígnios serão estes,
que nos levam a ceifar
o brilho de um sorriso
Uns olhos a naufragar

África, fome
Fascínio
Diamantes e petróleo
Europa, meretriz
Que se vende a troco
Da morte de um petiz
Servidão, doentia
Nas mãos do senhor
das guerras
Mãos tintas de sangue
Consciências negras
Outros rúbis,
Outras pedras,
No lugar da alma
E dos corações
Apenas
O templo
Dos vendilhões!


  • FMI (Fundo Monetário Internacional) / OMC (Organização Mundial de Comércio) / BM (Banco Mundial)
    Muito se escreve sobre a globalização. Os tempos de hoje são conturbados, onde imperam mudanças rápidas que se dão em todas as sociedades, em diferentes sentidos. E os agentes dessa rápida mudança somos todos nós, desde há muitos séculos, no momento em que começamos a povoar a superfície deste planeta.Contudo, há agentes e agentes, e três deles merecem uma referência especial, ou seja, o FMI, o Banco Mundial e a OMC. Estas três entidades são dos �produtos� mais claros dos novos tempos, de um mundo globalizado que funciona em rede, numa malha cada vez mais apertada. Porém, estes agentes contribuem de forma negativa para um mundo globalizado, que se quer mais justo e mais equilibrado.O papel que estas três organizações desempenham actualmente �, na minha opinião, lamentável. Temos um mundo onde existem �mananciais de riqueza� que chegavam para evitar as situações de pobreza e de miséria que todos os dias chegam até nós pelos meios de comunicação social, mas o sistema de comércio e de apoios financeiros internacionais sofre de tantas carências e tanto espírito colonialista, que ser� inevitável deixar-mos de ver os episdios da vida real com que todos os dias somos confrontados.O FMI e o Banco Mundial nos apoios que concedem acabam por arrasar mais depressa um país do que o contrário. Para além de terem o mesmo modelo de gestão aplicado a diferentes realidade territoriais, impõem ainda a liberalização económica, um clima de austeridade financeira, a abertura de fronteiras a v�rios produtos, entre outras politicas, gerando na grande maioria das vezes, um sistema econ�mico d�bil, corrupto, ineficiente, socialmente injusto e que gera habitualmente dividendos para uma minoria instalada no poder.Quanto � OMC, diz-se a organiza��o que regula o com�rcio internacional, mas na realidade o que encontramos todos os dias, � uma regula��o que beneficia sempre os mesmos. Os pa�ses pobres deixam os seus frgeis mercados abertos para os produtos dos pa�ses desenvolvidos, enquanto que os pa�ses desenvolvidos colocam tarifas e tarifas sobre produtos que os pa�ses pobres t�m e que podiam ser uma mais valia para estes.Em poucas linhas � possvel identificar muitas fragilidades do processo de globaliza��o. Eu sou um adepto da globaliza��o, mas n�o nos moldes em que esta ocorre, mascarada por de tr�s de boas inten��es. Trata-se apenas de uma alerta, pois em profundidade, esta problemtica dava pano para mangas"

*Nuno Leitão*GeografoFCSH-UNL - Dept. Geografia




22 outubro 2008

Disse alguém que escrever é um acto de solidão


(autoria desconhecida)

Alguém disse que,
escrever é um acto de solidão.


Escrever é encontro com a alma
A solidão é só
daquele que não ama
É como estender as mãos
E queimar-se na própria chama
Que arde eterna sem palavras
Sem poiso em folha de papel
Como pássaro ferido, cansado
Esgotado no próprio fel.

Olhas para as tuas mãos
E vês
O vazio que se abeirou

Escorrem então as palavras
Como rios feridos de mansidão
Embatendo de encontro às margens
Onde pulsa o teu coração
É nesse confronto que sentes
A linha da tua vida
Como folha branca
Sem um pedaço de cor
Escrita de solidão
Mas escrita
Pela tua própria mão
Não estás só!
Só estão os que não sentem

Que não souberam
Sentir na solidão
um acto de amor
escrito linha a linha
por um poeta fingidor.

20 outubro 2008

Volúpia



O Pecado tomou a Experiência por amante, enleou-a nos braços e em total vertigem de absoluto amou-a até à eternidade.
Amou-a com tal volúpia e luxúria, como se tal desígnio estivesse escrito nas estrelas, selo feito de brilhos que chegaram até mim, filha da escuridão.
Em noites de lua cheia, acendem-se nos corpos chamas de vestais, viajando de um templo oculto até um gineceu abandonado, fazendo jorrar cascatas de mandrágora e absinto .
Juntos ganham asas , provando voluptuosamente o fruto do conhecimento de onde nasceu o Desejo.
A Experiência, sacerdotisa possuída pela serpente de fogo, dança em frenesim , corpos suavemente esculpidos na penumbra, escutando em sussurro uma voz forte que a leva ao Paraíso através de portais de alabastro , onde o Pecado nunca tinha entrado ….

18 outubro 2008

Viagens....




Acordei caótica, com frases a passarem na mente, como comboios em hora de ponta,
congestionados, em contracções, uns atrás dos outros.

Durante toda a noite, as palavras saíram marteladas, sincopadas, a circular em meia elipse na retina.
Agora com a luz do dia deixei de delirar, o vazio voltou a instalar-se, e só consigo pensar que devem ser os efeitos do deserto das palavras, esta estranha viagem que me leva de noite a centros cosmopolitas cheios de movimento, e durante o dia me larga numa qualquer estação abandonada, à espera do primeiro comboio que tarda em passar.
Só mesmo lá para o fim da tarde , o fluxo começa a aumentar.
A opção e ir seguindo a pé, devagar, carregando a bagagem aos ombros, deixando-me curvar pelo seu peso e esquecendo que nem sempre as palavras podem flutuar como balões – leves e soltas!

17 outubro 2008

Respirar



Quem quer dizer o que sente
não sabe o que há-de dizer
.
(F.Pessoa)



Afinal ainda respiro!
Pensei
E, se pensei
E respiro
Devo sentir
Que vivo

Não sei
O que é viver?
Será respirar
Apenas?
Pensar?
Devo ter morrido
A Vida não pode
E não é
Apenas isto!
Mas, afinal
O que será?

16 outubro 2008

Viagem de comboio




A lua rolava espelhada no vidro da janela do comboio, mais parecia um berlinde de vidro gigante.
Brincava de esconde-esconde com as luzes do casario que desfilavam em galope rápido, desguarnecendo a paisagem. A estrada marginal estreitava com a fila de carros parada, enquanto o meu olhar poisava descuidado na folha A4 afixada,que aconselhava os passageiros a não gastar gasolina, não pagar portagens, não andar às voltas para estacionar e, assim sempre poder dispor de tempo para ler ou escrever, entre o vai- e- vem de gentes com semblantes taciturnos, já sem a pele tisnada do verão há muito distante.
Carruagem cheia, meia adormecida, lendo , alguns ( poucos), como o meu desconhecido companheiro de viagem, sentado no banco, mesmo em frente que lia José Afonso – "Textos e Canções". Mais adiante, duas filas ao lado, uma figura feminina segurava páginas de um livro sobre Fen- Shui, capa amarelada que o meu olhar mal identificava.
Quase 21:30, lá fora a noite rolava escura, e deixava entrever o som forte do rodado sobre o carril de ferro, apenas cortado pelo aviso, igualmente sonoro, da identificação de próxima paragem.
À excepção de um pequeno gnomo verde de olhar risonho, gargalhada fácil e cristalina, alheio às rotinas e aos mil pensamentos de sobrevivência das formigas humanas no carreiro, nada mais era digno de menção.Trilhos de uma nova escravatura do século XXI, esperando ansiosos pelo dia de amanhã, quando o sol volta a nascer, dia após dia! Até que a morte os liberte!!!

06 outubro 2008

Corpo sem memória



(Autoria da foto desconhecida)


Todos os meus versos começam em ti
Para acabarem em secreto esquecimento
Num chão de folhas caídas
Madeira outrora reflorida
Com pomos vermelhos de cristal
Sepultados no ventre da terra
Onde bate o coração do silêncio
Onde te vou perdendo
Seremos apenas saudade
Entre nós a distância do brilho
Das estrelas
Velas mirrando nas
Madrugadas sentidas
Vigilantes apenas os espelhos
Que me atiram para dentro de mim
Perdida em becos quotidianos
E os olhos morrendo
Na busca incessante
do corpo sem memória.

05 outubro 2008





Na torre sineira
O relógio batia as horas
No meu cinzeiro
Batiam as beatas mortas
Enquanto outras beatas
Pelas trindades corriam
A bater nas outras portas

De lenços negros e xailes
Traçados no coração
Esfumando os caminhos
Cegas e sem razão
Endoidecendo na dor
Pela perda do batel
Onde ia o Zé Capitão
Arrastou consigo
Ao mar, sangue
Suor e lágrimas
Deixando mortas
Exangues
Nos corações apátridas.
E na torre sineira,
O Sino dobra…..triste………
Enovelado no fumo
Da beata que jaz morta

03 outubro 2008

Ok TELEINSEGUROS...Boa noite, fala a Marta!

Há o Homem, isso é facto.
Custa é haver o humano.
A vida rasga,
O homem passa a linha,
A costurar os panos do tempo.
Mia Couto

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Multitempo - Empresa de Trabalho Temporário, Lda
PROMOTOR (A). para a zona da Grande Lisboa para uma empresa prestigiada do ramo alimentar. ... Contacto com clientes e parceiros da empresa. ...www.multitempo.pt/

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Lusotemp - Trabalho Temporário ::::: O seu gestor de Recursos Humanos
A Lusotemp é uma empresa de trabalho temporário que se tem vindo a implantar no mercado, com especial incidência na área da Construção Civil.www.lusotemp.pt/

Flexitemp - Empresa de Trabalho Temporário, Lda.
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Multipessoal
Durante o serviço temporário, o trabalhador da Multipessoal cumpre o horário estabelecido pela e para a sua empresa, cumpre o regime de trabalho, ...www.multipessoal.pt/

Estas são algumas das empresas constituídas para largarem no mercado de trabalho PRECÁRIO, mão de obra barata
Portugal e Espanha são os países onde existem mais trabalhadores com trabalho precário. Por cá dizem-nos que «um em cada cinco portugueses assinou um contrato a prazo (a termo certo) ou temporário com a entidade empregadora»

João Proença frisou que no “ quadro da globalização", Portugal "tem de apostar num trabalho cada vez mais qualificado e melhor remunerado", até porque os trabalhos "de sobrevivência" criados actualmente "desaparecerão num curto prazo"- MENTIRA!!!!
O trabalho precário nunca registou números tão elevados, ocupando agora cerca de "um quarto" do emprego em Portugal, sobretudo entre as "camadas mais jovens".
"É um facto indesmentível que o Governo do PS se assumiu com a sua política como o campeão da precariedade. Alimentou sem cessar o desemprego e com ele a pressão para ampliação do trabalho precário", afirmou Jerónimo de Sousa.
É espantoso como o Governo, e também a direita, dizem sem corar que estão a tratar da modernização do país. Querem uma modernidade a todo o custo, dobrando o joelho perante os senhores do capital", criticou.
Não é o trabalho qualificado que está a crescer. É o trabalho pouco qualificado e não qualificado. Temos hoje menos 106 200 trabalhadores qualificados do que há três anos e mais 177 10 trabalhadores não qualificados", afirmou..
Francisco Louçã, num comício em Matosinhos, considerou que a atitude de José Sócrates foi "uma exibição de demagogia política, desprezo e desinteresse que equivale a uma forma de insulto aos portugueses"."Prometeu empregos para daqui a um ano. Mas de que tipo? Daqueles que dão direitos, que permitem uma carreira? Não. Veio apresentar empregos precários. Um 'call-center' é um conjunto de pessoas que se juntam num salão às centenas para atender telefones", acrescentou.Com a agravante, disse Louçã, dos seus contratos nem serem assinados com a Portugal Telecom mas "com uma empresa de trabalho precário da própria PT, que fica com uma parte do seu salário".
E, chegamos ao âmago da questão!!!! Todas as firmas supra enunciadas são autênticos sorvedouros, explorando por 2, 5 euros /hora, jovens, mulheres e homens que se vêm em situação grave de desemprego, e são empurrados para um posto de trabalho sem qualificação e dignidade, exemplo flagrante são os “call-centers”, onde, por cada 4 horas de trabalho existe uma pausa de, somente 12 minutos, enormes listagens em Excel no mínimo 50 contactos a serem realizados em cada 4 horas. Ambientes saturados, falta de cantinas e espaços dedicados aos trabalhadores, que tem que cumprir escrupulosamente, ao minuto, sob pena de no dia seguinte ficarem “dispensados!!! A PT Contact é uma dessas empresas!!!!
Quando nos ligam para casa a publicitar, a vender ou , mesmo a informar, lembrem-se que por detrás de cada linha telefónica estão os novos escravos do século XXI muitos deles licenciados!!! Pagos miseravelmente!!!
Aqui não vigora a norma que diz que “o trabalho é para o homem e não o homem para o trabalho”, ditando assim regras comerciais injustas que têm provocado o aumento do desemprego, da pobreza e da exclusão social”..
E viva o MEO!!!! Ou seja o “meu” os outros que se danem!!! Basta ver as reformas dos políticos, os “Lisboagate”, a corrupção vai de vento em popa: Em 1500 “descobrimos” o mundo, hoje apenas descobrimos VIGARISTAS, ALDRABÕES E MENTIROSOS! Político hoje, significa tudo isto e muito mais! VIVA O MEO ( já nem sei se não preferia o PREC!!!!!)

28 agosto 2008

Fiel amigo

Em conversa descontraída, troca de palavras e confidências, alguém me chamou a atenção para uma situação rotineira. Contudo, descobri que, apesar da rotina apresentava-se como um factor importante...
Afinal de que estará ela a falar??
Bem ... - estou a falar de algo que quase todos tem em casa!
Descobri, pasmada, que ele é o meu melhor amigo! Fascinada por tal constactação deixo-vos aqui os factos:
Quando chego a casa , lá está ele sempre fiel, esperando-me com o seu ar macio e tentador...
Como é bom deitar-me em cima ....nem reclama com o meu peso, antes pelo contrário, adapta-se ao meu corpo , num formato ergonómico que muito me delicia.
É companheiro amigo nas noites de chuva, atentamente envolve-me quando assisto a um filme e posso chorar no seu ombro, agarrar-me às suas costas, de imediato sinto-me a pessoa mais confortavel e protegida deste mundo ( no outro ainda não experimentei)!
Se rio, se choro, se resmungo, ele deixa-me aninhar nos seus braços, discreto com as conversas que tenho, mesmo ali....em cima dele, nada revelando , tem um poder de discrição enorme.
Poderia ficar aqui momentos esquecidos a falar-vos dele...
Mas...ali está convidativo e tentador a chamar-me- já são horas do aconchego - diz (piscando o olho).
Deixo-vos.... e vou refastelar-me no meu sofá!!!

22 agosto 2008

Que o Amor aconteça em mim.


NE ME QUITTE PAS ( NINA SIMONE ) & Les Amants du Pont-Neuf

Uma luta, uma amizade sofrida que se foi desenvolvendo, do caos para o cosmos, de alguma forma ainda caótico. Não resolvi nem parte, mas também não quero resolver, apenas apreender o que cada canto da vida pode revelar…
3! Três anos de conversão, de rasgos, de transfiguração, de renovação de olhar, de apurar a escuta, de descoberta, de (des) encontros, de partidas e de chegadas a conclusões que apontam para o mistério do tudo e do Todo...
…levando-me a modificar muito do meu pensar…
… e do meu rezar.
Perdi alguma da ingenuidade que fecha, purificando aquela que abre, sentindo-me mais humilde e também mais prudente. Depois de navegar, num primeiro ano, meio sem rumo em busca dos alicerces nos novos conceitos que apareciam, encontro o filão que me caracteriza, nesta entrega que desejo ser mais e em crescendo.
O Amor acontece em mim. Através da sabedoria do Homem – que desde há tempos designo por ser humano no respeito pela inclusividade – chego ao Amor da Sabedoria do Alto.
Nestes anos mergulhada na racionalidade, quase fria, do conhecimento, não me afundei na argumentação que tudo põe em causa e que, supostamente, tudo explica. Basta-me pensar: por mais razão que a fé possa ter, será sempre um mistério… Talvez pelo silêncio do limite que quer ser esquecido, mas que convivido tem mais força que muita capacidade.
De facto, apercebi-me do que sou capaz, por estar envolvida no corpo que conversa através da carne que grita, chama, sente, experimenta, que se dá desde o princípio ao fim dos tempos. Mas também me apercebi da minha fraqueza, que me ajuda a ir mais fundo na minha relação com o outro que surge e me leva a escutá-lo…
… sem rotular nem catalogar, numa imediatez como se tudo tivesse dito e não importasse escutar, até mesmo ver, um outro lado diferente, por ouvidos e olhos que trazem consigo outra narrativa, outra história.
Sinto-me envolvida pela amizade a esta Sabedoria, particular e universal. Sei pouco, talvez cada vez menos, mas saboreio muito e mais. O meu pensamento já não se fixa, quer-se espalhar por todos os cantos em busca do segredo sagrado… O medo dissipa-se, perde-se, diante da denúncia da injustiça e da perversidade, porque fui ganhando uma nova escuta em direcção ao mundo que não está fechado num recanto que se diz detentor da verdade…
… Ah! A verdade… O que é a verdade?, na famosa pergunta que me abre também para a caminhada. Sim, como muitas vezes afirmei, estou a caminho… Neste momento, para mim, a verdade acontece neste percurso que leva à fusão, em que as linguagens que falam do humano, na sua variedade fundidas, apontam, rumo no limite de cada uma, para o infinito…
… do qual somos participantes, porque o Verbo ao se fazer Carne assume a humanidade por Amor. E nesse Amor o ser vivente, no espaço e no tempo, incorpora-se…
Então, mesmo na confusão dos dias que correm por esse mundo fora tento viver sem desespero, escutando a melodia, mais que renovada, ressuscitada da morte geradora de vida, que me permite pensar, coreografar e dançar, encarnando também em mim, todos os grãos – prontos a rebentar no seu fruto – por Ti
Consagrados… Também aqui, neste ensaio final [apenas por uns tempos]…
Mas dói, dói na partilha diária, dar e tão pouco receber, apesar de tudo, Senhor, criaste-me mortal na carne, e a Alma - bem essa custa a amansar (ainda)....mas vou conseguir expurgar o desejo que me faz sofrer. Um dia, vou conseguir! Apenas o Amor sem nada pedir, sem nada exigir, paciente, benigno, á Tua imagem e semelhança, como Maria Madalena, será assim que irei seguir o caminho.

20 agosto 2008

Lisboa - Capital deste país à beira-mar abandonado

Não gosto da minha cidade assim! E não gosto de ver o Rossio sujo, com as fachadas dos prédios degradadas, sem vida interior, prédios pombalinos a ameaçarem ruína, candidatos a abrigarem no seu interior toxicodependentes, vagabundos e parasitas.
A frontaria do Teatro D. Maria sempre ornada de mendigos cobertos de papelão.
Não gosto de passar na Praça da Figueira, onde, em cada mês, se encerra um estabelecimento comercial, onde não existe uma única árvore, para não falar novamente, correndo o risco de me repetir, da maioria dos edifícios estarem vazios..
Não gosto de ver o Largo de S. Domingos, pejado de africanos a trocarem droga, documentos falsos e outras mercadorias ilícitas! A calçada portuguesa está suja, as sarjetas entupidas (quando vierem as chuvas logo se verá). No final de cada dia , sobra uma montureira de lixo oriúndo do acampamento que fazem junto à Ordem dos Advogados e cerca exterior do Palácio da Independência.
Árvores moribundas, pessoas decrépitas, cafés mal amanhados. Vidas tristes e almas ausentes ameaçadas pela precariedade de emprego.
Insegurança a partir das 20:00 horas, sensação de vazio e abandono é esta a radiografia da sala de visitas de Lisboa, capital deste jardim à beira mar abandonado!!!

19 agosto 2008

Sem palavras...

Enquanto passas os teus dias, perdido na revolta do que não disseste, repensando noites de inferno por tudo aquilo que não fizeste, eu vou mordendo as palavras que todos os dias me consomem.
Em cada momento invento e queimo as malditas, diluídas em fel que sorvo devagar..
No fim de cada madrugada, entre véus de agonia imensa, vomito em torrente, memórias entranhadas que me possuem.
Violento-me livremente, sempre que te sinto fugir chamo-te em voz surda, sem que me possas ouvir.
Esta sede intensa que me condena a uma longa noite sem alvorada, sem ver nascer o sol, chegará um dia ao cais.
Finalmente, a paz dormirá no silêncio do vazio, já que não me consigo transformar em grito de liberdade e, poder assim arrancar-te das grilhetas em que vives.
Que a asa do esquecimento nos envolva e possamos , enfim, repousar, sem mais palavras.
"O homem não é feito para a derrota.O homem pode ser destruído, mas não derrotado".
Ernest Hemingway

18 agosto 2008

Luas



Ontem existia uma lua branca, gigante a furar um céu em tons de azul ultramarino .
Por cima do caminho, junto ao bosque, o vento fazia dançar nos galhos despidos, raios de luz em tons de prata . Eram muitos os véus transparentes que me impediam de avançar.
Sacudi as teias de luz que teimosas, ameaçavam colar-se no meu rosto, assim a fazer lembrar algodão doce., para além disso, nada mais se movia.
E eu ali adormecida na curva do caminho, esperando que a lua envelhecesse, tomasse aquele tom amarelado, que hoje aparenta ter – não ser mais uma lua cheia – apenas para que o tempo transformasse o presente e tudo pudesse sentir-se com desprendimento como se fosse mais além, no futuro próximo.
Mas, só quando a lua estiver mesmo em tons de sépia! Até então, tenho a ilusão de que me embriago no infinito, sonhando com uma lua gigantesca , apenas suave , sem feitiço algum. Lua mansa, iluminando o sono inocente das crianças, o beijo terno dos amantes.
Nunca mais a guerra terá a Lua a iluminar a tortura! Cada raio de luz será amarelo em tons de sol que matará o ódio e a ganância dos homens – porque já perderam o direito a uma Lua Cheia com brilho de prata.

10 agosto 2008

Velho Tema



Velho Tema
I
Só a leve esperança em toda a vida
Disfarça a pena de viver, mais nada;
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.



O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,


Existe, sim: mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.
II
Eu cantarei de amor tão fortemente
Com tal celeuma e com tamanhos brados
Que afinal teus ouvidos, dominados,
Hão de à força escutar quanto eu sustente.

Quero que meu amor se te apresente
— Não andrajoso e mendigando agrados,
Mas tal como é: — risonho e sem cuidados,
Muito de altivo, um tanto de insolente.


Nem ele mais a desejar se atreve
Do que merece; eu te amo, e o meu desejo
Apenas cobra um bem que se me deve.


Clamo, e não gemo; avanço, e não rastejo;
E vou de olhos enxutos e alma leve
À galharda conquista do teu beijo.
III
Belas, airosas, pálidas, altivas,
Como tu mesma, outras mulheres vejo:
São rainhas, e segue-as num cortejo
Extensa multidão de almas cativas.


Têm a alvura do mármore; lascivas
Formas; os lábios feitos para o beijo;
E indiferente e desdenhoso as vejo
Belas, airosas, pálidas, altivas...


Por quê? Porque lhes falta a todas elas,
Mesmo às que são mais puras e mais belas,
Um detalhe sutil, um quase nada:


Falta-lhes a paixão que em mim te exalta,
E entre os encantos de que brilham, falta
O vago encanto da mulher amada.
IV
Eu não espero o bem que mais desejo:
Sou condenado, e disso convencido;
Vossas palavras, com que sou punido,
São penas e verdades que sobejo.


O que dizeis é mal muito sabido,
Pois nem se esconde nem procura ensejo,
E anda à vista naquilo que mais vejo:
Em vosso olhar, severo ou distraído.


Tudo quanto afirmais eu mesmo alego:
Ao meu amor desamparado e triste
Toda a esperança de alcançar-vos nego.


Digo-lhe quanto sei, mas ele insiste;
Conto-lhe o mal que vejo, e ele, que é cego,
Põe-se a sonhar o bem que não existe.
V
"Alma serena e casta, que eu persigo
Com o meu sonho de amor e de pecado;
Abençoado seja, abençoado
O rigor que te salva e é meu castigo.


Assim desvies sempre do meu lado
Os teus olhos; nem ouças o que eu digo;
E assim possa morrer, morrer comigo
Esse amor criminoso e condenado.


Sê sempre pura! Eu com denodo enjeito
Uma ventura obtida com teu dano,
Bem meu que de teus males fosse feito".


Assim penso, assim quero, assim me engano
Como se não sentisse que em meu peito
Pulsa o covarde coração humano.


Vicente Augusto de Carvalho nasceu no Brasil em 1866, onde morreu em 1924. Obras principais: RELICÁRIO, 1888; ROSA, ROSA DE AMOR, 1902; POEMAS E CANÇÒES, 1908; VERSO E PROSA, 1909; VERSO DA MOCIDADE, 1912.

09 agosto 2008

A um AMIGO ESPECIAL que tem tudo o que é preciso para ser AMIGO



Procura-se um amigo

Nota: este texto corre meio mundo como sendo de Vinicius. Na sua Obra Completa, a Editora Aguilar, não o regista; muito menos o regista a página oficial, mantida pela família do poeta...

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração.
Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.
Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa.
Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor...
Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão.
Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados.
Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.
Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo.
Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.
Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.
Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

23 julho 2008

Pain Of Salvation





Em cada poro
Da tua pele
Macia
Acetinada
Jaz
Uma gota

Pequena
Salgada

Em cada dia
Da tua vida
Árdua
Maltratada
Jaz


Uma criança
Pequena
abandonada

Em cada página
Do teu livro
aprisionada
Jaz
Uma palavra
Amordaçada.

22 julho 2008

Toque de Deus? ou divindade do Homem?



29 million views!!! Go Paul, go!!!
Congratulations.

Os Tudor (Ou como uma malvada inglesa assassinou um rei português)




Iniciou ontem, dia 21-07-2008, uma série, na RTP2, «Os Tudor » sobre a vida e a corte de Henrique VIII, rei de Inglaterra.!
“Os Tudors” é uma série de televisão que, produzida por canadianos e irlandeses (Peace Arch Entertainment / Showtime, Reveille Eire), foi apresentada em Portugal pela RTP-2, no Outono passado.
A série parece, à primeira vista, de facto histórica, baseada em acontecimentos reais e naquilo que realmente se passou na época – Mas , acautelai-vos gentes menos atentas, esta é mais uma manobra de enegrecimento da História do Reino de Portugal e dos Algarves; manobra esta que só é possível com o apoio de um canal de televisão pago e sustentado pelo erário público, pelo dinheiro dos contribuintes!!!
È triste o posicionamento da RTP, como alguém disse, é triste a fraca aposta em fazer ficção nacional com temas históricos. Mas se assim é, então os mais jovens olham para estas séries estrangeiras e pensam que aquilo que eles contam foi o que se passou na nossa história. O que neste caso claramente não é verdade.
Como é que a RTP compra e exibe uma tal monstruosidade, não se percebe.
Passo a explicar:
- Henrique tem uma irmã (Margarida na série, que na realidade não existiu), que é obrigada a casar com o Rei de Portugal. O Rei de Portugal é já de avançada idade e por isso (ela é nova), não quer casar com ele. Até aqui tudo bem, naquela altura o que mais havia era casamentos deste tipo.
Lá vai Margarida de barco para Portugal. Quase a chegar a Lisboa "enrola-se" lá com um nobre que a acompanha. Tudo bem, ficção normal. Agora vem a parte "triste":
Chega a Lisboa e o palácio real é retratado como um sítio escuro, com uma corte de "gajos" "rebarbados que mostram a língua e tal quando a princesa passa. Chega ela ao pé do Rei e este é retratado como um velho asqueroso e decrépito (mas mesmo nojento).
Passa-se para a cena em que ela e o Rei vão ter a primeira noite juntos. Toda a nobreza em volta da cama em libidinosa babosice. Até aqui tudo bem pois parece que naqueles tempos era usual ter "pessoal" em volta da cama quando se dava a "trancada" real.
Próxima cena: abre-se o pano em volta da cama e a princesa faz sinal que ele lá conseguiu consumar o acto. Mostra-se a tal personagem a arfar como se fosse morrer, e a nobreza a bater palmas.
Ultima cena : a princesa mata-o na cama, com uma almofada na cara. Ridículo da cena: mostram os pés do Rei todos sujos dando a ideia de que o velho não se lava há muito tempo. (Perdoem-me a crueza da descrição – é mesmo assim!!!)
Desconhecia por completo a existência deste rei português assassinado por uma malvada inglesa!!!

Aquela parte da ida da princesa Margarida para Portugal é invenção. Isso nunca existiu. Se assim é porquê encaixar aquilo na série? Nem acrescenta nada de jeito à estória. Enfim....Aquela então de mostrar os pés do Rei sujos enquanto a Margarida o mata é de um ridículo a toda a prova. Como se os Ingleses e Franceses naquela altura tomassem banho todos os dias. Volto a dizer, completamente despropositado. Se não retratam assim os Franceses na série, porquê os Portugueses?
Por ter duvidas é que, antes de meter o post andei numas páginas a ler o que aconteceu naquela altura. Espanto meu quando dou de caras com a wikipedia que tem lá uma referência à série e refere que aquela parte é ficcionada. Bonito... ehh pá os Ingleses (penso que a série é inglesa) podem retratar-nos como quiserem, agora a RTP é que devia ter mais cuidado naquilo que selecciona. Já viram os "putos" de 15, 16 anos a ver aquilo e a pensar: ehh lá!! naquela altura tinham um velho decrépito e tarado como rei, numa corte de porcos maltrapilhos.

Esta série, provavelmente foi adquirida em saldos ou nalgum pacote promocional.

Aparentemente o rigor histórico não interessa, e desde que tenha muitos peitos e coxas desnudadas é sucesso de audiência.
A corte portuguesa surge como algo grotesco! Tudo gente aparvalhada, pacóvia, que até no momento da consumação do casamento entre este Rei, com nome desconhecido, e a sua esposa (irmã do Rei Inglês), rodeiam a cama, fazendo claque para a coisa correr bem!!!
Em primeiro lugar, nenhuma irmã de Henrique VIII se casou com um Monarca Português. Houve uma que se casou, de facto, com um Rei velho e decrépito, que nem chegou a consumar o casamento mas esse era o Rei de... França (Luís XII)!!

Em segundo lugar, o Rei que governava na altura em Portugal não era nenhum velho, mas sim o jovem D. João III, de 23 anos! (1521-1557)ou, não precisando a data o seu antecessor o Rei D. Manuel I (1495- 1521) http://www.casareal.co.pt/casareal/cronologia/index.php

Em terceiro lugar, Portugal estava na época dos Descobrimentos, período que corresponde ao nosso apogeu de desenvolvimento, de riqueza e a corte portuguesa não era, de todo, aquilo que ali está retratado!
Bom, eu acho que toda esta má vontade em relação a Portugal é vingança por causa do caso Maddie. Os Ingleses pensaram: «Ai vocês dizem que foram os pais que mataram acidentalmente a menina, então nós vamos dizer que o vosso Rei era nojento!» Só pode! Vingativos, pá...malandros!!!
Pois afinal não era bem assim e a coisa tinha que dar para o torto. E onde é que deu para o torto? Na caracterização da corte portuguesa!!
Só pode mesmo ser vingança e com a conivência da RTP que, contribui para a deturpação do rigor histórico. Se assim é…..igualmente tiro as devidas ilações ou….sugestivas…..
Pobre país este! Nem a memória histórica é preservada no que de melhor poderíamos deixar como herança!!!

P.S. Sir Thomas More ( http://translate.google.pt/translate?hl=pt-PT&sl=en&u=http://www.luminarium.org/renlit/tmore.htm&sa=X&oi=translate&resnum=3&ct=result&prev=/search%3Fq%3Dthomas%2Bmoore%26hl%3Dpt-PT) e não sir Thomas Moro ( o "moro" deveria ser outro...

13 julho 2008

Amar é....ou deveria ser....assim!

“Amor não é posse. Amar é doar, é libertar, é permitir que o outro tenha a oportunidade de escolher e percorrer o caminho que lhe é próprio. Amar é permanecer amando, mesmo sabendo que os caminhos escolhidos são diferentes dos nossos”.

Em cada relacionamento quase sempre entramos no meio do filme, ou saímos a meio dele. Não existe uma hora certa, não há uma hora errada. É apenas uma das nossas horas.

Sempre que encontramos alguém deverá ser para aprender as lições de como podemos e devemos amar e amar a nós mesmos. Não importa o que foi dito e feito. Viemos para nos respeitar a nós próprios e aos outros, cada um no seu Universo.

Só o amor devemos levar de toda a relação. Ao sair, na metade desse filme, onde cada um é um dos protagonistas, deveríamos apenas levar as lembranças e imagens do Amor que se sentiu.

Deveremos ser capazes de fazer com que cada saída seja plena de leveza. Experimentar ficar volátil, leve, como a ave que vê e se sente desgarrar do nosso corpo como uma pena; mergulhar na atmosfera do túnel do tempo como as folhas de outono que se desprendem das plantas e árvores para permitir as florações futuras que anunciam a primavera, o novo tempo.
Claro que pode haver sofrimento... Todo o desprendimento, toda ruptura acaba por vezes provocando em nós crateras, que ameaçam a nossa integridade.
Antigamente, o casamento era um património da sociedade e envolvia compromissos para toda a vida, na tristeza e na alegria e até à morte.

Mas hoje em dia tudo está modificado, a mulher saiu do anonimato, abriu e escancarou as janelas da sua existência e deslumbrou- se com o que viu cá fora, e agora permite-se encantar com este novo jeito de viver.
Óbviamente que existem arranhões porque está a lidar com uma situação nova. No entanto, é positivo ver a mulher a conquistar espaço em todas as áreas de trabalho,
E a propósito de relacionamentos, lembrei-me desta espécie de apelo e ao mesmo tempo como que uma espécie de consciência a respeito do que representa sentir uma outra pessoa na minha vida:


“Querido DEUS, eu sei que com a Tua orientação elaborei este meu plano de vida e inclui nele relacionamentos. Com alguns, devo aprender com o fim do crescimento da minha alma; outros, irão ajudar-me a descobrir o meu valor e a qualidade das outras criaturas e, finalmente, terei aquele relacionamento no qual amarei e serei amada.

Peço sabedoria e sensibilidade para entender a diferenciá-los e a aceitá-los.
Dá-me coragem e a firme intenção para estar pronto (a) e aceitar o carinho e a presença de alguém que o Universo me possa destinar. Ilumina-me DEUS, para que o meu coração e pensamentos possam compartilhar espaço e metas sem restrições, medos ou preconceitos.

Elimina em meu corpo e alma a sensação de perda e de abandono, porque a TUA PRESENÇA será para mim, o refrigério, o escudo e a alavanca para que eu siga meu caminho com alegria e paz.
E que o teu AMOR possa trazer para o meu coração e minha vida, aqueles que me AMAM e querem a minha FELICIDADE. Obrigado DEUS”.

E, finalmente, gostava de dizer que todo tipo de relacionamento, seja por companheirismo de coração como no trabalho, na rua e em todos os lugares é um caminho para que nós aprendamos a nos amar. Procurarei fazer essa leitura, evitando cobrar da outro algo que nem eu dou completamente. Nem sempre exijo o melhor de mim própria física e emocionalmente . Então, como vou poder exigir de uma outra pessoa, , que conheci agora ou há alguns anos que ela tenha para mim atitudes que nem eu consigo ter.

Sim, eu vim à Terra para me amar, para me compreender e para fazer o melhor. E se desejo fazer na vida uma jornada brilhante, tenho de percorrer o meu Universo interior É nele que estão os tesouros da alma. Não me enganando, o outro ou a outra pessoa que está ao meu lado, compartilhando espaços e caminhos é também alguém que está na busca, tentando conhecer-se a si mesmo. Além disso, ambos surgiram de universos diferentes, costumes desiguais, interesses de outro tipo.

Mas, então, como interagir, com tantas diferenças? O único caminho é amar-se e amar. Procurar olhar o outro sem a obstinação de fazer dele uma sombra onde se possa repousar; ou uma cópia de seu jeito de ser; uma miragem com que me deixo encantar como se estivesse no deserto com sede.

Pensar que esta outra pessoa que está do meu lado é também um ser humano, com carências e afectos. Desconhecido até o dia do encontro. Agora, é parte de mim, cuidar do que há de bom nele, observar o seu jeito de entender a vida e procurar entendê-lo.
Olhar para o mesmo lado, pondo a mão assim, como que para proteger os olhos do Sol. Copiar dele o que tem de interessante, gracioso. ..e tem tanto !

E se não der certo, se tentar e nada der certo, possuir a coragem de dizer que terminou, com a mesma fidalguia e dignidade com que entrei na vida da pessoa e porque estou só na metade do filme, há muitas coisas ainda para viver e aprender, muitas criaturas para amar e ser amada. Lá para o final da estrada, há um horizonte imenso esperando por mim e, por lá, outras pessoas aguardando essas palavras, este meu jeito de amar.
Seguindo o meu caminho, secando as lágrimas e entendendo que amar é um jeito próprio de sentir, Nada está errado no Universo, somos apenas seres em elaboração, aprendendo a arte de viver e amar. E eu gosto de mim e de si também! Ah como eu o adoro!

10 julho 2008

Os sons das palavras que ficaram por nascer


Foto:arroba

Onde existem agora sombras
Sobre todos os sons
Das palavras
Que ficaram por nascer
Correremos a cortina
Do silêncio
Dos versos
Que não cheguei
A dizer

E sobre a palavra
Fecundada
O verso
Que não chegou
A acontecer

Direi , talvez
Um dia
Redescobrindo
Na noite esparsa
O verdadeiro
Sentido
De renascer

Alexandra/Esmeralda

Carta aberta aos nossos governantes:

Oficialmente, a pequena Alexandra não tem nacionalidade russa, mas sim ucraniana, por ascendência do pai. Já a nacionalidade portuguesa é devida ao facto de ter nascido em Portugal: o parto ocorreu no Hospital de São Marcos, em Braga, a 3 de Abril de 2003.Foi entregue a uma familia de acolhimento , o casal João Pinheiro e Florinda Vieira, na sequência de denúncias de alegados maus tratos.
Face à “manifesta incapacidade” da mãe biológica em manter qualquer tipo de ligação afectiva com a filha, o Tribunal de Barcelos decidiu em 04.06.2007, manter à guarda da família de acolhimento a pequena Alexandra Tsyklauri, a ‘menina russa’ que completou cinco anos em Abril de 2008 e chegou a estar retida nas instalações do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) do Porto no último Verão para ser repatriada para a Rússia, juntamente com a progenitora.

A decisão foi reavaliada muito recentemente, e, segundo informação ouvida hoje pela manhã, num programa televisivo da TVI, em que estiveram presentes o inspector da Polícia Judiciária Hernani Carvalho e João Pinheiro , pai afectivo da criança.
No acórdão inicial, são dados como provados comportamentos erráticos de Natália Zarubina, que foi alertada para a iminência de perder definitivamente a filha, “caso não demonstre que sabe ser ‘Mãe’”, o que não se limita apenas a um laço de sangue, mas sobretudo manter uma relação saudável de afecto, amor, carinho, cuidados de saúde, alimentação e educação.
Esse papel tem sido assumido por Florinda Vieira e João Pinheiro, o casal de Vila Seca, Barcelos, que há três anos acolheu ‘Xana’ em situação de desnutrição, com desequilíbrios emocionais e uma concepção desconcertante sobre a vida familiar, provocados sobretudo pela vida da progenitora, ligada ao alcoolismo e prostituição na cidade de Braga, o que levou a Segurança Social a considerar a criança em risco.
Caso se mantenha a incapacidade de Natália Zarubina – que não foi repatriada para a Rússia em Junho de 2007 por causa da dupla nacionalidade da filha – em ter uma relação parental com Alexandra, o Estado português irá assumir a responsabilidade sobre a criança, que deverá ser alvo de processo de adopção. Nesse caso, Florinda Vieira e João Pinheiro manifestaram já intenção de se candidatar, merecendo do privilégio de preferência, face à ligação já estabelecida.
“Ou fica connosco ou com a mãe, se ela mudar, mas isso é quase impossível, porque já tentámos de tudo e nunca conseguimos que mudasse um bocadinho que fosse”, comentou o empresário João Pinheiro, duvidando que Zarubina venha a exercer o direito de visitar semanalmente a filha e a aceitar o tratamento psicológico determinado pelo Tribunal de Barcelos.
Senhores, agora questiono eu, como simples cidadã: - Terei ouvido mal??é que o ùltimo acórdão do tribunal pronunciou-se a favor da entrega da menor à mâe biológica!!!!! Estamos em 2008 em pleno século XXI, um tempo em que cada vez menos compreendo as leis deste país. Teóricamente, todo e qualquer menor que esteja em risco, passa a estar sob a alçada das Comissões de Protecção, merecendo do Estado toda a protecção legal e de facto. Esta criança, independente de ser filha de uma imigrante ilegal russa, nasceu em Portugal, está em território nacional, foi aqui seviciada e entregue em deficiente estado de saúde, desidratada e, citando João Pinheiro: - VIOLADA!!!!
Pergunto onde está a comunicação social e as entidades públicas do "Caso Esmeralda"
Quem dá poderes em matéria de risco , para que um Tribunal de "Homens" envie esta criança para junto dos seus maltratantes pais???
Eu mesma estabeleci contacto em 10.07.2008(sensívelmente pelas 14:30H) , com o Instituto de Apoio à Criança, através do nº nacional 800 20 26 51 ( Drª Suzana) e fiquei surpreendida por, não existir nenhuma denúncia sobre este caso!!! Afinal??? Vemos, ouvimos e lemos e....nada fazemos??
Na Comissão de Protecção de Menores em Braga, através da sua interlocutora Drª Carla Antunes recebi a mesma resposta, o "caso" está entregue ao tribunal de Barcelos, fora portanto, da área de competência de Braga....
Sinto-me revoltada, e sem absolutamente nenhuma confiança na nossa Justiça Portuguesa!!! Como mulher, como mãe, como cidadã!
Constacto, cada vez mais que o sistema não funciona, demasiada acumulação de processos, demasiada burocracia, "jobs for the boys", inoperãncia completa do das instituições que deveriam zelar, neste caso, pelo melhor que ainda existe no ser humano: as nossas crianças!!Este é um país com duas faces da mesma moeda: ESMERALDA/ALEXANDRA.
E assim vai o estado de síto...da Nação!!!
Esclareçam-me..talvez eu esteja errada e tenha deturpado tudo!!!Será que fui manipulada em termos de informação? Deus queira que sim....

07 julho 2008

Paraísos perdios


Foto:JanaVieiras


Encostei-me à porta acabada de fechar, deixei-me escorregar, lentamente até me sentar no chão; com as costas apoiadas na madeira de carvalho carcomida pelo caruncho, minúsculos buracos ocultos em camadas de cera pacientemente aplicadas ao longo do tempo .Como eu gostava de sentir aquele cheiro, misturado com memórias da tua colónia discreta.O silêncio era forte, violava os meus sentidos, anteriormente despertos e expectantes.Agora só mesmo querendo esquecer, que a roda do tempo tudo tritura inexoravelmente.
Cerrei os olhos, pensando que tinha sido uma miragem. Não !Não tinhas estado comigo na noite de lua cheia, aliás nem eu já acreditava na existência da lua.
O silêncio invadiu o espaço, voltei para dentro de mim, procurando-te incessantemente num paraíso que adivinhava perdido.
Nunca voltaste! A porta continuou cerrada e eu....
Bem eu....fui condenada a prisão perpétua!

Zimbabue

Robert Mugabe roubou a presidência do Zimbábue com uma eleição de fachada. Presidentes e chefes de estado de todo o mundo precisam se pronunciar contra a presidência do Mugabe. Clique abaixo para enviar uma mensagem para o seu governo:
Participe agora!
Depois de uma eleição violenta onde o candidato de oposição Morgan Tsvangirai teve que desistir da sua candidatura, Robert Mugabe, se auto declarou presidente. A situação está bastante tensa e o destino do país depende de uma negociação entre Mugabe e o candidato escolhido pelo povo no primeiro turno, Morgan Tsvangirai.

Se governos ao redor do mundo se recusarem a reconhecer a presidência do Mugabe, e pressionarem outros países a fazer o mesmo, o poder político dele irá diminuir e ele será obrigado a entrar em um acordo com o Tsvangirai. Alguns governos já se recusaram a reconhecer o Mugabe como presidente, precisamos aproveitar o momento para pedir para outros governos aderirem. Clique abaixo para enviar uma mensagem padrão ou personalizada para seu chefe de estado:

http://www.avaaz.org/po/zimbabwe_chance_for_peace/16.php?cl=105505310

O povo do Zimbábue precisa desesperadamente de algum sinal de esperança. Depois de 28 anos no poder o Mugabe arrasou o país que tem 80% de desemprego, 160.000% de inflação, e uma violenta repressão política; com isso, 30% da população já fugiu do país.

Ficou claro que Tsvangirai é o preferido do povo, tendo ganho o primeiro turno das eleições. Quando o partido do Mugabe percebeu que o Tsvangirai venceria as eleições, eles passaram a intimidar, prender, torturar e até matar os militantes do MDC – partido do Tsvangirai. O MDC foi proibido de fazer comícios e qualquer um com uma camiseta do partido era vítima de ataques. O Secretário Geral da ONU, e observadores eleitorais da União Africana e da Comunidade do Desenvolvimento do Sul da África (SADC), alegaram que, por causa da perseguição política, o segundo turno das eleições foi ilegítimo.

Agora só há um caminho para acabar com a violência, a negociação de um acordo para os dois partidos. Se governantes, do Brasil ao Botsuana, da Indonésia á Índia, rejeitarem o regime do Mugabe, haverá a chance de um acordo que reflita a vontade do povo do Zimbábue. Temos que agir rápido, essa é a primeira oportunidade em anos de tirar o Mugabe do poder. Envie sua mensagem e divulgue a campanha:

http://www.avaaz.org/po/zimbabwe_chance_for_peace/16.php?cl=105505310

Com esperança,

Ricken, Alice, Ben, Graziela, Mark, Paul, Galit, Iain, Pascal e Milena – a equipe Avaaz.org

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03 julho 2008

Gotas de água




Gota a gota
surgiu
um universo
profundo
agitado
oceano imenso
de sentidos
a jorrar
em torrente
marés negras
azuis
imersas em pensamento
invadiram a orla da praia
e lá estavas tu
barco parado
vazio
dançando ao som
da brisa
que nunca te abandona
mesmo
quando gota a gota
a água cai do firmamento
inundando o convés
e te afoga
em oceanos infinitos..

Portal Gótico


deep purple - when a blind man cries

If you're leaving close the door...I'm not expecting people anymore.
Hear me grieving...I'm lying on the floor.
Whether I'm drunk or dead I really ain't too sure.

I'm a blind man, I'm a blind man and my world is pale.When a blind man cries,
Lord, you know there ain't no sadder tale...

Teu corpo é
portal gótico de luz
entrando em redondilha
nas cordas da harpa
perdida
em toque suave
acalentando, ainda
redilhados de palavras
que palpitam fugitivas
entreabrindo à cambraia
do tempo
o infinito do sonho.

20 junho 2008

Sobre o MEDO



E porque me recuso a ondular ao vento, como um papagaio de papel, amo, rio. choro e sofro mas sempre com o olhar posto no CAMINHO que se faz caminhando.

"Havia um imperador que tinha sempre presente a fragilidade de todas as coisas, para impedir-se de atribuir-lhes excessiva importância e poder manter-se em paz com elas.

Eu acho que pelo contrário tudo tem demasiada importância para que possa ser tão fugidio; por isso procuro atribuir a eternidade à mínima coisa.

Serão acaso de lançar ao mar os bálsamos mais preciosos? A minha maior satisfação é que tudo o que foi é eterno, e que o mar o devolve à praia.

Nietzsche, Vontade de Poder, III

Lamento



Engulo este meu lamento,
Oculto o meu choro
A esconder o sentimento
Em que me condeno e morro
Um pouco a cada momento,

Bebo a morte, no cálice da vida
Eternamente imobilizada a seus pés
Espero a hora de dizer adeus
Na lápide da despedida

Finjo não ter nada a dizer
Agonizo, mantendo-me muda e fria
Antes que seja obrigada a ver
a clara verdade como dia

Imploro ao tempo o desfazer
do erro que tem sido minha agonia
interrogo os anjos que me estão a olhar
Porque me fadaram nesta ironia

Não posso ficar presa ao passado
Mas difícil tem sido calar a memória
Quisera eu esquecer o dia amaldiçoado
Em que o marquei para a minha história

Continuando um caminhar magoado
Já que me puseste o selo do impossível
Não olhes para trás, não me venhas cantar
Após o meu corpo ir a sepultar

Já que odeio despedidas,
Não me pretendo alongar
Não costumo chorar as palavras perdidas
Vou, aos poucos, deixando o canto cessar

Calem-se as falas esquecidas
E os suspiros que o vento quiser levar
Se essa memória insistir em permanecer
Comigo há de envelhecer até ao momento de morrer

Ferida que nunca cicatriza
Não me liberta, não me dá sossego
Que tipo de criatura se inferniza
Com um amor que nunca lhe deu aconchego?

Apenas a dor a cada dia o eterniza
e, assim quanto mais perto da morte, eu chego
Pior o vazio da vida que nem o silêncio suaviza

Horas de queimar memórias
Já não preciso para lembrar de ti
Liberto a paixão que já senti
De tantos sonhos quebrados,
Ergui minhas asas e renasci
Manterei a minha boca fechada
Para que a alma fique sossegada

Que seja, adeus!
Ah, que falta me fará
O brilho destes olhos teus!
Em minha alma sempre estarás
Ver-te-ei de novo, em sonhos meus

01 junho 2008

Encontros e desencontros



Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

Fernando Pessoa, 2-8-1933.

30 maio 2008

Dia Mundial da Criança



E...para chocar mentalidades aqui fica um relato sem preâmbulo......Espero que NãO gostem! Mas ao virar de cada esquina e também neste nosso canteiro à beira mar plantado tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto não pode nem deve ser Fado nem fadário. Há que mudar consciências, denunciar, reportar e GRITAR bem alto!
Vergonha mundial: violência contra a criança
Todos os governos do mundo precisam enfrentar o problema da violência contra a criança, que é comum e tolerada em várias partes do mundo, segundo um relatório da ONU. Um estudo que durou quatro anos milhares de crianças enfrentam abuso físico que é escondido ou aprovado pela sociedade.


O garoto da soleira (Ricardo Lemos Neto)
Sentado à soleira da porta ele estava com o olhar vazio, tinha uma tristeza no olhar que ninguém entendia, seu sorriso era triste, como se usasse toda sua força muscular para aquele gesto tão trivial, tão normal, mesmo banal. Olhou ao longe e seu pensamento vagava, um pensar vago que ele se soltava e naquele lugar já não mais estava. Sua consciência era copiosa, às vezes lhe trazia lembranças tenebrosas, era um garoto, seus quinze anos passados naquela soleira, não tinha expressão facial, tinha olheiras, tonteiras de garoto novo, não ele não era mais um garoto, não como os garotos são. Ele era diferente, tinha algo que dá medo na gente, uma alma cinza, um manto em torno de si impenetrável. Ele mesmo criara essa proteção, ele não falava, monossilábico, sim senhor, não senhor. Era esse o garoto da soleira, olhou mais uma vez a rua, cambaleando seu pai em plena bebedeira, os olhos ficaram mais escuros, em segundos as pupilas dilataram, era uma reação quase química, o cheiro, os sons da chegada do pai lhe trazia na mente, um gosto dormente na boca, ele não sentia, ele jazia mais uma vez escondido, o pai entrou e o agarrou pela gola, jogou em cima da mesa, de costas, as calças abaixadas mais uma vez, por aquele idiota, pederasta, mais uma vez o cinto descia, desde os oito anos era isso que ele temia a chegada do pai, desde os oito anos era isso que lhe aguardava todo santo dia. A infância roubada, o homem que lhe invadia, os gritos abafados, a sua agonia. Era o menino da soleira, quinze anos e uma alma rasgada, olhou em frente em quando o pai se agachava pra retirar mais uma vez as calças, pegou a garrafa de bebida que estava armada, quebrou em um só golpe e na garganta do pai que ali jazia, o pai sangrava no derradeiro grunhido, o garoto sorrira pela primeira vez em muitos anos, era ele o assassino, não o garoto, e sim o pai que morria assassino da infância do garoto que nunca sorria, usurpador de um corpo que não lhe pertencia, uma ultima golfada de sangue, o garoto passou pela soleira e ganhou a rua... Pra sempre

Declaração dos Direitos da Criança

Adoptada pela Assembleia das Nações Unidas de 20 de Novembro de 1959

PREÂMBULO


Considerando que os povos da Nações Unidas, na Carta, reafirmaram sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor do ser humano, e resolveram promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla,

Considerando que as Nações Unidas, na Declaracão Universal dos Direitos Humanos, proclamaram que todo homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades nela estabelecidos, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição,

Considerando que a criança, em decorrência de sua imaturidade física e mental, precisa de proteção e cuidados especiais, inclusive proteção legal apropriada, antes e depois do nascimento,

Considerando que a necessidade de tal proteção foi enunciada na Declaração dos Direitos da Criança em Genebra, de 1924, e reconhecida na Declaração Universal dos Direitos Humanos e nos estatutos das agências especializadas e organizações internacionais interessadas no bem-estar da criança,

Considerando que a humanidade deve à criança o melhor de seus esforços,

A ASSEMBLEIA GERAL

PROCLAMA esta Declaração dos Direitos da Criança, visando que a criança tenha uma infância feliz e possa gozar, em seu próprio benefício e no da sociedade, os direitos e as liberdades aqui enunciados e apela a que os pais, os homens e as melhores em sua qualidade de indivíduos, e as organizações voluntárias, as autoridades locais e os Governos nacionais reconheçam este direitos e se empenhem pela sua observância mediante medidas legislativas e de outra natureza, progressivamente instituídas, de conformidade com os seguintes princípios:

PRINCÍPIO 1º

A criança gozará todos os direitos enunciados nesta Declaração. Todas as crianças, absolutamente sem qualquer exceção, serão credoras destes direitos, sem distinção ou discriminação por motivo de de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição, quer sua ou de sua família.

PRINCÍPIO 2º

A criança gozará proteção social e ser-lhe-ão proporcionadas oportunidade e facilidades, por lei e por outros meios, a fim de lhe facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, de forma sadia e normal e em condições de liberdade e dignidade. Na instituição das leis visando este objetivo levar-se-ão em conta sobretudo, os melhores interesses da criança.

PRINCÍPIO 3º

Desde o nascimento, toda criança terá direito a um nome e a uma nacionalidade.

PRINCÍPIO 4º

A criança gozará os benefícios da previdência social. Terá direito a crescer e criar-se com saúde; para isto, tanto à criança como à mãe, serão proporcionados cuidados e proteção especiais, inclusive adequados cuidados pré e pós-natais. A criança terá direito a alimentação, recreação e assistência médica adequadas.

PRINCÍPIO 5º

À criança incapacitada física, mental ou socialmente serão proporcionados o tratamento, a educação e os cuidados especiais exigidos pela sua condição peculiar.

PRINCÍPIO 6º

Para o desenvolvimento completo e harmonioso de sua personalidade, a criança precisa de amor e compreensão. Criar-se-à, sempre que possível, aos cuidados e sob a responsabilidade dos pais e, em qualquer hipótese, num ambiente de afeto e de segurança moral e material, salvo circunstâncias excepcionais, a criança da tenra idade não será apartada da mãe. À sociedade e às autoridades públicas caberá a obrigação de propiciar cuidados especiais às crianças sem família e aquelas que carecem de meios adequados de subsistência. É desejável a prestação de ajuda oficial e de outra natureza em prol da manutenção dos filhos de famílias numerosas.

PRINCÍPIO 7º

A criança terá direito a receber educação, que será gratuita e compulsória pelo menos no grau primário.

Ser-lhe-á propiciada uma educação capaz de promover a sua cultura geral e capacitá-la a, em condições de iguais oportunidades, desenvolver as suas aptidões, sua capacidade de emitir juízo e seu senso de responsabilidade moral e social, e a tornar-se um membro útil da sociedade.

Os melhores interesses da criança serão a diretriz a nortear os responsáveis pela sua educação e orientação; esta responsabilidade cabe, em primeiro lugar, aos pais.

A criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se, visando os propósitos mesmos da sua educação; a sociedade e as autoridades públicas empenhar-se-ão em promover o gozo deste direito.

PRINCÍPIO 8º

A criança figurará, em quaisquer circunstâncias, entre os primeiros a receber proteção e socorro.

PRINCÍPIO 9º

A criança gozará proteção contra quaisquer formas de negligência, crueldade e exploração. Não será jamais objeto de tráfico, sob qualquer forma.

Não será permitido à criança empregar-se antes da idade mínima conveniente; de nenhuma forma será levada a ou ser-lhe-á permitido empenhar-se em qualquer ocupação ou emprego que lhe prejudique a saúde ou a educação ou que interfira em seu desenvolvimento físico, mental ou moral.

PRINCÍPIO 10º

A criança gozará proteção contra atos que possam suscitar discriminação racial, religiosa ou de qualquer outra natureza. Criar-se-á num ambiente de compreensão, de tolerância, de amizade entre os povos, de paz e de fraternidade universal e em plena consciência que seu esforço e aptidão devem ser postos a serviço de seus semelhantes.