12 novembro 2008

Soneto de amor


Volúpia a filha de Eros e Psiquê ou L’enlèvement de Psyché” de William Adolphe Bouguereau
Não me peças palavras, nem baladas,
nem expressões nem alma...Abre-me o seio,
deixa cair as pálpebras pesadas,
e entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nús vibrem de enleio
das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua...- unidos,
nós trocaremos beijos e gemidos,
sentindo o nosso sangue misturar-se...

Depois...- Abre os teus olhos minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!

José Régio
O poeta onde os transes da posse são como actos litúrgicos, assumindo através das palavras o pulsar da carne e dos sentidos, mesmo quando em causa está uma mística cristã heterodoxa.

Vem...devagar,
como se não viesses
realmente.
Olha-me assim com aquele olhar,
de quem conquista reinos e continentes
Mas vem... vem sempre de mansinho.
pela calada da noite
pela madrugada fora
Para eu te poder olhar!
Para poder beber rios líquidos de cristal
que nascem na fonte dos teus olhos.
para poder provar o mel que jorra
no teu sorriso,
de mistério.
que me abre a porta do sonho, da volúpia
quando o desejo dói, sereno
em ondas que voam pelo asfalto
assim como nas tardes quentes de verão
em que a terra pulsa, ondula
E agora vou sentir-te....como quem sente rios a correrem
rios lascivos, ingénuos, sem conhecer o leito
onde se deitam, brancas fragas, de linho
fresco,
e deixa a terra unir-se ao rio, correrem juntos
um no outro, febris, revoltos
sedentos
que nasça um arco-iris
e o extase desfaleça
em corpos abandonados, floridos
doídos, cansados
de tanto beber a seiva da loucura
poção mágica que nos faz rensacer
sempre que acontece
assim...!
Arroba

2 comentários:

O Profeta disse...

Uma alma paira na brisa
A beleza mora no feliz pensamento
Murmurada oração toca os meus ouvidos
A palavra sai do peito em sentimento

Os pássaros alegram-se na tua passagem
Ainda tão breves são os dias
Já teus olhos bebem as virtudes do Sol
Já sorris no abraço que ao sentir confias


Resto de boa semana


Mágico beijo

Marta disse...

Gostei, poema com muita sensualidade ;)
Beijinho