06 outubro 2008

Corpo sem memória



(Autoria da foto desconhecida)


Todos os meus versos começam em ti
Para acabarem em secreto esquecimento
Num chão de folhas caídas
Madeira outrora reflorida
Com pomos vermelhos de cristal
Sepultados no ventre da terra
Onde bate o coração do silêncio
Onde te vou perdendo
Seremos apenas saudade
Entre nós a distância do brilho
Das estrelas
Velas mirrando nas
Madrugadas sentidas
Vigilantes apenas os espelhos
Que me atiram para dentro de mim
Perdida em becos quotidianos
E os olhos morrendo
Na busca incessante
do corpo sem memória.

3 comentários:

Arnaldo Norton disse...

"Um corpo sem memória"..."os espelhos que me atiram para dentro de mim"...
Só uma pessoa muito especial seria capaz de dizer tanto com tão poucas palavras.
Frases que me deixaram a pensar; que me atiraram para dentro de mim!
Parabéns, minha amiga!
Este blogue é mesmo o palácio onde vive a última flor de Lácio.
Norton

tonecaspintassilgo disse...

Lindíssimo e intenso. Parabéns.

pianistaboxeador21 disse...

E os olhos morrendo
Na busca incessante
do corpo sem memória.

Perfeito. O corpo sem memória.

Beijos,

Dan~iel