02 agosto 2011

Tempo

Arrasta-se o tempo dentro dele
Onde outrora não se arrastava
Vazio , oco , adiantado de
Tanto adiantar que atrasou
A parecer estar no futuro
E nem pelo presente passou.
Outrora existiu um tempo rápido
escapou-se de mim
Fugiu célere e nem sequer
Olhou para trás.
Já passou, está enterrado
Morto no passado
Lá para trás.
Mas eu vivo e sou a sonhar
E guardo para sempre
Esta memória tão fugaz.
Ainda se voltasses,
Conseguisse eu fazer andar
Todo este tempo
Ai se eu fosse capaz!
Eis-me estática, parada
A olhar o nada
A pensar que também
Esse nada não me satisfaz.
Se matar o tempo, mato-me
A mim, nesta espera
Que viva ainda me trás!

6 comentários:

Álvaro Lins disse...

"Se matar o tempo, mato-me". Nós os portugueses temos uma certa propensão para "matar". matamos o tempo, matamos a dor, matamos saudades:)!
Não era falta de inspiração! Talvez falta para pensar!
bJO

Arroba disse...

Seguindo a corrente existencialista, somos feitos tb de Tempo...e nele cabem todas essas "coisas": a dor , a saudade ( ou não fosse eu portuguesa).
Mas dói mesmo!
Um abraço e um obrigada...

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Arrobamiga

Continuas de férias? Mulher de sorte. Vais em quantos meses? Oito, nove? Olha minha querida, eu já voltei de Trás-os-Montes e foram só uns singelos onze diazitos bem contados.

Não há dúvida: é tudo uma questão de... tempo

Qjs

Petrarca disse...

"Se matar o tempo, mato-me
A mim, nesta espera
Que viva ainda me trás".

Eepero bem que que não seja esta a razão de há mais de um mês não publicar aqui mais nada.
Aguardo e aguardo outras novidades. "Ouvi"falar de uma antologia...
Bjo.
Petrarca

Arroba disse...

Meu queridissimo Amigo Petrarca,
Os meus poemas em Novembro através da Editora Esfera do Caos. Fique certo que entrarei em contacto consigo para que possa estar presente.
Um abraço com amizade

luís filipe pereira disse...

Excelente reflexão poemática acerca do tempo que é de facto a medida da nossa existência, a irrevogabilidade da nossa condição.

grato pela partilha,
filipe