21 setembro 2009

Fragmentos de um discurso

Quanto mais amo o desejo
Menos o posso dominar
Tantos corpos que desejo
Apenas a um posso amar.

Terrível dilema este
Amar o amor e,
Não saber se te amo a ti.
Sopro de palavra perdida
Alma doce e pervertida.

Choro-te ó musa ilusória
Renuncio-te em luta violenta
Contra mim própria inflijo
Todo o Imaginário da tormenta.

Onde está a Verdade deste mundo?
Aquela que me electrizava?
Sonhei-a mais que a vida
Muito mais do que o ar que respirei
Deixei-me armadilhar
Ao procurar-te eu sufoquei.

Sonhei-te assim, como se a tua pele
Fossem palavras,
Sempre que te ouvia, me via a mim
Em ti
Envolta na emoção dos significados.
Não te escreveria desta forma
Se existisses e me tocasses
Não serias uma alocução secreta
Exorcismo de todos os pecados.

1 comentário:

Arnaldo Norton disse...

O que é que nesta vida não é uma ilusão ?
A sua poesia, como é habitual,
consegue, em poucas palavras, resumir a maior ilusão com que a vida nos condiciona.
Como sempre, gostei mas fico com um sensação amarga no meu espírito.
Creio que a sua não será mais doce que a minha.
Um abraço fraterno.