18 janeiro 2010

Este é o meu País ( outrora marinheiros )

Cada um de nós anda fechado
Cada vez mais encerrado
Na sua torre de marfim
Eternos bastiões
De uma solidão sem fim.

São ameias e torreões
Castelos de desencantar
Terras a perder de vista
Onde não se avista o mar

Junto á costa é só ruínas
Dos pobres mortais
Que se perderam assim
Sem vilões e heroínas
Ao correr dos vendavais

Na curva do horizonte
Jaz a ponte levadiça
Eternamente fechada
Contra os muros de caliça
A cair na paliçada
Ilusão de segurança
Triste moira encantada
Que espalhas contra o vento
As cinzas do pensamento
Vives vazia e sonâmbula
A carpir o sofrimento.

6 comentários:

Petrarca disse...

É também o meu País. A cair aos pedaços. Os marinheiros também foram piratas, quando dava jeito, e ficou-nos mais essa faceta que a outra: a do saber ir mais Além.
Ficamos e estamos cada vez mais Aquém. E como a moira encantada, ficamos "a carpir o sofrimento".
Raça de gente a que pertencemos!

Dentro de 2 ou 3 dias também vai aparecer lá pelas minhas bandas uma qualquer coisa que tem a ver com isto tudo.

Fernando Santos (Chana) disse...

Olá, belo texto...Espectacular....

VANUZA PANTALEÃO disse...

Oi, Amiga!
Nós, brasileiros, acredito mesmo, não imaginamos a terra e os mares de Camões tão tristes e à deriva. Como os antepassados, vocês encontrarão o caminho...e já vem vindo o garboso Infante Dom Henriques!
Amamos Portugal de coração. Seu poema, tão melancolicamente belo...
Beijos e carinhos!!!

jefhcardoso disse...

Amigo; e que o sofrimento seja mesmo carpido, extirpado e lançado ao longe; muito para longe.
Belas palavras de sua terra! Parabéns!
Aceite estas gramas de palavras como mostra de minha visita.

Abraço: Jefhcardoso conhecendo os mundos de blog em blog>>, direto do http://jefhcardoso.blogspot.com

Arroba disse...

Petrarca,
Muito gostamos nós de carpir, enquanto outros agem em proveito pròprio; ignoram, estes últimos, os mais elementares deveres de lealdade para com a Pátria que, segue à deriva (des)governada por uma nova geração de piratas ( em terra).
Carpimos, sentados na práia esperando um mítico D.Sebastião.
Demitimo-nos da nossa consciência e vegetamos comodamente instalados, com longas noites de invernia; hipnotizados pelas "notícias" que nos chegam através da "caixa negra" manipulada e manipuladora.

Arroba disse...

Vanuza Pantaleão,
Grata pela sua visita, tb para si lhe escrevo o mesmo que para o Petrarca :-)
Apenas que não será o D.Afonso Henriques o homem que precisaríamos em segunda edição :)
Talvez sim o mítico D. Sebastião.
E, de facto nós os portugueses estamos a tornarmo-nos num povo cinzentão e com falta de novas crianças.Baixo índice de natalidade e baixo índice de produtividade, aumento da taxa de desemprego.
Só o sol continua a brilhar, depois de um inverno que tem sido de muita chuva.
Volte sempre .