25 setembro 2012

Obsessão



 

Gostava de ser livre para poder dizer que sou livre!
Mas nasci aprisionada no grito onde sobrevivo
Quando o tempo bate no mecanismo inventado
Eu não me oiço
Quando o silêncio se instala dentro de mim
Existem vozes que me falam
E eu não me entendo
Porque não sou livre, deixei-me aprisionar
Pela verdade que creio ser minha
E não tenho nada de mais a não ser
Esta estranha obsessão de continuar a gritar
Para que alguém me ouça
E me diga que eu existo!

Maria João Nunes

7 comentários:

Joao Raposo disse...

Sou livre.
Só quando me fecho, quando construo muros de silêncio, quando afasto os outros é que perco a minha liberdade.
Longe dos outros, dentro do meus muros, ninguém me ouvirá.
Nem eu.

Arroba das Palavras disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Arroba das Palavras disse...

Caro João Raposo, A liberdade é uma liberdade ilusória, pois obriga-nos sempre a uma escolha. Escolhemos entre duas ou mais coisas prontas, isto é, pré-determinadas por outros. Uma sociedade como a nossa, capitalista, onde a única liberdade que existe socialmente é a liberdade de escolher qual mercadoria consumir impede que os indivíduos sejam livres na sua vida do dia a dia. A vida quotidiana na sociedade capitalista divide-se em tempo de trabalho (que é não-livre, submetido à hierarquia de administradores e às exigências de lucro impostas pelo mercado) e tempo de lazer (onde os indivíduos tem uma liberdade domesticada que é escolher entre coisas que foram feitas sem liberdade durante o tempo de trabalho da sociedade). Assim, a sociedade da mercadoria faz da passividade (escolher, consumir) a liberdade ilusória que se deve buscar a todo o custo, enquanto que, de fato, como seres activos, práticos (no trabalho, na produção), somos não-livres. Foi nisto que pensei e assim senti em

Joao Raposo disse...

"Acontece, a meio da vida, a morte bater-nos à porta
e tomar-nos as medidas. Essa visita é esquecida,
e a vida continua. O fato, porém, esse
é cosido em silêncio"

Tomas Tranströmer - prémio Nobel da Literatura em 2011

Comecei com esta citação de Tranströmer para dizer que entendo (à minha medida) o que quis dizer.
Há (haverá) um desacordo quanto ao significado de "liberdade", mas não no que respeita ao essencial, incluindo o que disse sobre a liberdade.
Espero, com um pouco mais de tempo, poder em breve dizer algo sobre o que é ser livre (na minha medida).

Mika disse...

..." Porque não sou livre, deixei-me aprisionar"...

...acaba a liberdade num tempo do verbo DEIXAR, conjugado em qualquer tempo?

Mika disse...

"Porque não sou livre, deixei-me aprisionar"

o verbo DEIXAR, é dinâmico, vivo, activo...nunca submisso.

Mika disse...

As minhas desculpas, se enviei vários comentários seguidos.
Nunca tinha enviado comentários de um mac.
Obrigado