30 setembro 2012

Seda....




(Foto retirada da net - desconheço a autoria)

O teu amor era de seda e foi escorregando nos meus ombros
Esboroada urdidura, trama tecida com afinco
Algures num tear longínquo .
O teu amor era de seda pura, sem mistura
A respeitar a etiqueta que no avesso trazia
Mesmo assim ficou puído, descendo devagarinho
Deixou-me despida e nua
O teu amor era feito de asas de borboleta,
Casulos da cor do sol, até podiam ser sóis
Levados pela corrente numa amálgama empapada
E o toque da seda em mim, uma carícia aprisionada
Escorregou dos meus ombros  esvoaçou leve
e aterrou feito restolho numa poça de água na estrada.

5 comentários:

Rogério Pereira disse...

Entre outras coisas, de seu ministério
anda Cupido
entretido
a desenhar nos céus
estradas encantadas
onde acabam por aterrar, tais véus

E todos os ombros da terra se desnudam

Arroba das Palavras disse...

O seu comentário faz-me lembrar um texto poético do Herberto Helder: "Dava pelo nome muito estrangeiro de Amor, era preciso chamá-lo sem voz - difundia uma colorida multiplicação de mãos, e aparecia todo nú escutando-se a si mesmo, e fazia de estátua durante um parque inteiro, de repente voltava-se e acontecera um crime, os jornais diziam, ele vinha em estado completo de fotografia embriagada, descobria-se sangue, a vítima caminhava com uma pera na mão. a boca estava impressa na doçura intransponível da pera, e depois já se não sabia o
que fazer, ele era belo muito, daquela espécie de beleza repentina e urgente, inspirava a mais terrível acção do louvor, mas vinha comer às nossas mãos, e bastava que tivéssemos muito silêncio para isso, e então os dias cruzavam-se uns pelos outros e no meio habitava uma montanha intensa, e mais tarde às noites trocavam-se e no meio o que existia agora era uma plantação de espelhos, o Amor aparecia e desaparecia em todos eles, e tínhamos de ficar imóveis e sem compreender, porque ele era
uma criança assassina e andava pela terra com as suas camisas brancas abertas, as suas camisas negras e vermelhas todas desabotoadas.
in Vocação Animal, Cadernos de Poesia, Publicações Dom Quixote

Obrigada pelo seu comentário -:) Volte sempre!

© Piedade Araújo Sol disse...

poema de inegável beleza.

gosto!

um beijo

Marta disse...

O desejo fala...O beijo também....
Juntos, num toque, numa carícia...
Gostei muito...
Obrigada pela visita...Volta sempre....
Beijos e abraços
Marta

Lou Salomé disse...
Este comentário foi removido pelo autor.