05 maio 2012

O canto do cisne



Há um canto de cisne neste meu amor
Aproxima-se o fim, já  sinto o torpor
E este negro animal assim me vai invadindo
Mesmo que seja primavera
E as andorinhas agitem o horizonte
Anunciam em vez de flores
o fim  desta quimera.
E secam-se nos meus olhos todas as fontes.
A negra sombra avança sobre mim
E cobre-me com as suas longas asas
Feitas de tempo
E porque por tanto tempo
Naveguei nas asas do sonho
e fiz de uma gaivota o meu corcel
andei de mar em mar
de navio em navio
noites sem dormir
e o sonho preso por um fio.
Há um canto de cisne neste meu amor
Um piar de fénix amortecida
E já quase em desatino e desalmada
É chegado o momento da partida.
Liberta serei já que fui cativa
De uma vida desencantada.

3 comentários:

Artes e escritas disse...

Este balé é encantador e me traz boas recordações. Um abraço, Yayá.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Arrobamiga

Lindo, lindo, lindo, mas triste, triste, triste. Por isso, gostei.

Já cá estou, depois de três meses de sonho em Goa: Porém, perante o que vim encontrar, só tenho um desejo: assim que possa - as dificuldades são cada vez maiores com esta gente... - voltar.

Mas, para já, dorido, dolorido, revoltado, vou estando por cá.

Bjs da Raquel e qjs para tu

BlueShell disse...

Muito prróximo do divino...as palavras, a música os movimentos corporais...BELO!
BShell