15 dezembro 2011


O banco era de madeira  daqueles verdes, de jardim, a beirar o relvado inglês,  sentada  nele, passeava o olhar pelos tons de Outono que caíam em  redor como  uma espécie de enormes flocos de neve acastanhada. Meio perdido o olhar, ensombrado por  nostalgia,   tentava encontrar significado para o vazio que sentia.
Ultimamente a ideia da morte  invadia-lhe  a mente numa fracção de segundos, deixando uma sensação esquisita  que se esforçava por afastar .
Passava a vida a  esquecer que somos seres finitos. Interrogava-se como sentiriam aqueles que, pela ordem natural das “coisas” ou pela força das circunstâncias,  mais perto desse términos estariam; que pensariam?  Será que a natureza é benévola e nos  vai desprendendo suavemente de tudo aquilo que durante a vida  conquistámos, muitas vezes com sangue , suor e lágrimas?
A  vida tinha sido uma longa  viagem de  auto descoberta através dos meandros da natureza humana mais profunda; naturalmente estava atenta  mas a insatisfação interior era tanta, que nada parecia fazer sentido: sem afectos não valia nada!
E ela que sempre esteve pronta para amar, apenas encontrou no seu caminho pessoas com  imaturidade emocional: gente com medo da vida e do sofrimento que a mesma implica e sem coragem para mudar seja o que for, a fazer lembrar casulos com crisálidas mortas. E sem sofrimento não há renovação.
Seja como for há que continuar o caminho. Levantou-se e procurou o calor de um animado centro comercial:  lá dentro sentia-se mais reconfortada e depois sempre havia o brilho das luzes e o riso das crianças a tirar fotografias no colo do Pai Natal.

11 comentários:

Celso Mendes disse...

Os caminhos sempre prosseguem e não como fugir deles. Há de se escolher um e trilhar, mudar de rumo se precisar, guardar o que de bom se colher pelo caminho e continuar.

Belo texto!

Beijo.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Arrobamiga

Nunca tirei uma foto sentado ao colo do Pai Natal; a saber,

Primeiro, porque quando era puto, nada de Pais Natais, donde... Era o menino Jesus e ele éke andava ao colo de;

Segundo, porque se hoje o tentasse fazer, o desgraçado, face aos meus quilitos, ou partia mesmo sem estar na pool position ou suicidava-se a ele mesmo, ou mesmo a ele propriamente dito próprio.

Peço-te desculpa, mas ainda acredito nele; nele, Pai. No Coelho, nunca!!!!!!

Bjs da Raquel & qjs para tu

Giuseppe Pietrini disse...

Partilho do seu estado de espírito, cara Arrob@... o deste post e o do post anterior também...

Ah! Perdão... não me apresentei. Eu sou o Pai Natal que a menina viu no centro comercial com as criancinhas ao colo.

Oh, oh, oh!!!...

Arroba disse...

Celso Mendes, verdade que sim como dizia o nosso vizinho castelhano " O caminho faz-se caminhando" Tenha um bom Natal mas com o Menino Jesus!
Abraço

Arroba disse...

Amigo Antunes Ferreira, se quer que lhe diga eu acredito apenas e só no Pai, pois ninguém chega a Deus senão por Ele Jesus Cristo.
Abraço para si e Dona Raquel

Arroba disse...

Amigo Giuseppe Pietrini pensava eu que andava ocupado com outras candidaturas!! É que eu para encontrar o Menino Jesus prefiro olhar simplesmente as crianças.
Abraço amigo

Petrarca disse...

Eu quero acreditar que sim, "que a natureza é benévola e nos vai desprendendo suavemente de tudo aquilo que durante a vida conquistámos..."

Mas enquanto desprende e não desprende, fique com os meus votos de Feliz Natal.
Bjo.

Arroba disse...

Meu Caro amigo Petrarca.
Obrigada pela visita, agradeço os votos de Feliz Natal e retribuirei em sede própria.
Quanto ao seu desejo sobre uma natureza benevolente....pois não sabemos, cada caso é um caso e há que passar pela vida de peito aberto e coração ao alto!
Um abraço com amizade

Álvaro Lins disse...

Garanto que não encontro o Pai Natal no Centro Comercial:)!
Pois.....já me esquecia: a insatisfação que falas no texto é característica dos que....amam:)
Bjo

Arroba disse...

Olá Al! -:)))
Não? Eu sim , desses com barbas postiças e desempregados que sempre ganham alguns euritos. Agora o meu Menino Jesus....esse ...não o vejo por lá ....mas sei onde Ele está, juro que sei! Se Cristo viesse à Terra decerto derrubaria muitos templos de vendilhões...
Abraço natalício cheio de luzinhas-sinapses!!

Álvaro Lins disse...

Feliz Natal e tudo de bom:)!
Bjo