30 dezembro 2009

Passagem de Ano

Mais uma passagem de ano a guardar sonhos para a próxima. Mais um ano que chega, recheado de nova esperança, verde clara como as folhinhas da roseira que está no canteiro do jardim a preparar-se para florir na próxima primavera.
Todos os anos se repete o ritual : Boas Festas ! ( alguns acrescentam ironicamente – pelo corpo todo). Eu não reclamo festas dessas e, porque as festas dessa natureza não precisam do mês de Dezembro para se desejarem ao próximo, vamos acalentando a ilusão de umas Boas Festas “adjuntas” ao Ano Novo.
Estou mesmo a ver que este ano não vou ter a passagem de ano sonhada!
Talvez para o ano aqui esteja a repetir este mesmo texto, este mesmo pensamento. Ocorreu-me agora, que os seres humanos se parecem com relógios, sempre a dar horas ( algumas perdidas, outras vazias) sempre a dar meia – horas ( apressadas, fugidias, egoístas), isto para não falar nos quartos ( de hora) - silenciosos, mudos, isolados.
À meia-noite de 31 transporto o meu pensamento, uma vez mais, para o alto da minha serra, verde e selvagem, aquela de onde te avisto a ti e ao mar, mar imenso onde um dia finalmente pedaços de mim voarão leves e soltos por sobre a espuma das ondas.
Nem sei quem partirá primeiro, se eu ou se a outra parte de mim, mas sei que por cada passagem de ano, os meus sonhos se desfazem um a um.
Tanto espero por este dia, e quando cá chego, quando aterro nas horas, nas meias – horas e nos quartos (de hora), percebo que o tempo me vai tirando o pouco ( quase nada) que de ti tenho.
Sonho-te assim a chegares, a sorrires-me, sonho com um abraço feito de pedaços de infinito, quente e com estrelas de afecto a polvilhar.
Sonho que me levas para o ponto mais alto do mundo e na imensidão do céu azul até onde a nossa vista abarca, vemos miríades de estrelas, brilhos de fogos a luzir , cometas em rota e luas a brilhar.
Amanhã o meu pensamento voará perdido pelo espaço deste Universo à procura da luz dos olhos teus, e mesmo no meio da multidão, serei um farol direccionado num único sentido.
Nunca ninguém verá em ti o brilho que eu vislumbro. Estarão às escuras, tal como tu, que procuras deliberadamente a noite profunda, esquecendo que a estrela de alva brilha no meu céu.
E a Terra segue o seu movimento de rotação, e eu sigo com ela, voltas e mais voltas, até ficar tonta e cair estatelada no chão.
Algures, em latitude que desconheço, estás tu a rodar em sentido desconhecido.

3 comentários:

Luis F disse...

Vim agradecer e retribuir os VOTOS DE UM EXCELENTE 2010

Tudo de bom para ti e para os teus

Luis

Dilaida disse...

Feliz Ano 2010.
Bicos

Petrarca disse...

Fazer o balanço nunca foi o meu forte. Hoje vamos pôr mais um risco na parede da vida e o amanhã é uma sequência e uma consequência do hoje, da mesma maneira que o hoje o é do ontem.
E se é certo que "quem espera desespera", também é verdade que "quem muito espera sempre alcança".
E entre as duas "verdades" vamos vivendo.
Bom 2010 !