22 março 2011

Eu sou a outra


Eu sou eternamente a outra
A senhora que de mim não sou
Sou aquela que deixou de o ser
Sou a eterna e insatisfeita
Amante
Aquela a quem fazes sofrer
Eu sou a outra para quem
A eternidade
Se fará cumprir num tempo
A que te espera para lá da vida e da morte
A que pensa em ti a todo  o momento
Eu sou a outra a quem tu ignoras
A quem compraste o passaporte
A quem tu um dia deste vida
A quem feriste de morte.
Eu sou aquela  que condenaste
Ao degredo
Sempre a buscar , sempre à procura
Da magia, do sortilégio, do segredo
Eternamente serei sempre
A outra, aquela e nunca  eu
Porque alma não possuo
Tudo o que tenho é teu.


4 comentários:

Paulo V. Pereira disse...

A outra mas, pelo menos... alguém numa história de amor.

A.S. disse...

A vida é uma busca permanente!


Beijos meus,
AL

palito.metrico disse...

Sobre o seu poema “Eu sou a outra”, a minha ressonância:

Adormeci, correndo atrás do tempo. Já o sol se despedira ao longe, deixando reinar sobre mim a mais densa escuridão: negras ficaram as imagens, confusas as ideias correntes, na sempre terrível noite do meu templo.

Por que não regressavam os encantos da natureza
Os ideais perdidos sem nobreza
A tão desejada paz que outrora me imprimia vigor e confiança?
Onde se abrigou a esperança?

Tudo era sombrio. As estrelas perderam a cor e o brilho, com brilho e cor jazentes, espalhando as cinzas do passado. Por que tardava a aurora? Por que não se abria a bruma do mar? Por que não acordava o dia? Por que se recusava o sol a acordar?

Perdido na tempestade, arduamente arranjei forças e a uma nova madrugada fiz preces. Subitamente, senti a manhã a chegar, vencendo as cinzas e o esquecimento. Luz e harmonia! Suave momento! Novamente a terra voltou a sorrir, vendo rir o sol, em melodia, num cântico triunfal. Era brilho, era cor, era dia. Senti vontade de lutar e de viver.
…mas afinal,
dissipado o sonho, mergulhei na noite e no mesmo ritual.

Sylvia Cohin disse...

Obrigada por sua visita ao ChavedaPoesia e por suas palavras tão gentis! Volte sempre.
Sylvia Cohin