06 junho 2011

A última gota de espuma



William Turner-Fishermen at Sea
No teu corpo existem velas que fogem de mim
Com elas afastas os alvores da madrugada
E navegas à bolina
Sem nunca chegar ao fim
Na manhã aberta ao sol
Rasgam-se as trevas
Com o grito das gaivotas
Que te perseguem
Iluminas o mar com um véu de espuma
Cada vez mais longe.
Afogo-me aqui e agora
Quando deixo de ver na linha do horizonte
A última onda que te levou
A última gota de espuma
Que sorvi, sem saber contudo
Que não haverá mais mar.
Abro o poema em cada dia maldito
Nego e renego o dito
Reinvento o horizonte sem brisa
Lá ao fundo está um barco parado
E na areia da praia jaz o grito.

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