24 fevereiro 2011

Vogais e Consoantes


A origem da Via Láctea - Tintoretto
Escrevo para apontar palavras
Como quem aponta uma arma
E digo ao horizonte
Que levante o céu sobre os seus ombros
Como se o jugo mais leve fosse
Aponto baionetas ao sol e transformo-o
Em negrume azulado, para lá dos sete sóis
De opaca clarividência
Para que   possa ver a luz da lua reflectida
No  frio aço estilhaçado.
Com  palavras já construi um foguetão
Pela via láctea  procuro  um poeta
Senhor de impérios  de fogo
E  de vogais incendiadas em espasmos
e consoantes sonâmbulas.


Louco é o  poeta que vê
Para lá  do que não é visível
Que sente exacerbado
A alma a arder no corpo
E a vida inteira suspensa.







4 comentários:

Petrarca disse...

Também a minha vinda aqui ao blog é consoante: não encontrando vogal apropriada para lhe juntar, leio, gosto e parto sem deixar rasto (a não ser no contador ali ao lado).
Hoje resolvi juntar a vogal à consoante e deixar este apontamento, que dizendo pouco, diz o que sei dizer.

Paulo V. Pereira disse...

Delicioso, logo no início.
Sim, porque as palavras podem-se apontar como uma arma.

Abraço,
paulo

Colecionadora de Silêncios disse...

Olá.

Gostei muito do seu espaço. Belos e intrigantes poemas. :)

Sigo-te!

Beijos

A.S. disse...

O Poeta canta palavras, emoções,
como janelas abertas para o espanto,
com as mãos a lavrar o corpo,
escrevendo até à foz do desejo
sem saber se o que escreve é poema,
embora arda na seiva dos dedos!...


Beijos...
AL