20 outubro 2009

Sonhos

Sonho às vezes , sonhos impossíveis
Coisas de menina, que não cresceu ainda
Sonho a saudade que sinto
De não te sentir assim
Poder deitar a cabeça nos teus braços
No teu aroma de jasmim.
Sonho que chegas no teu cavalo de pau
Chegas inteiro, no silêncio das grandes noites estreladas
para me leres um velho conto de fadas.
Sonho que me abraças como se fosses a corda
E eu pião ou a tua bola colorida.
Aquela que , mais do que tudo, tanto gostas de rolar.
Ficamos ali, devagar, parados, entre sombras
Sentindo a dois , aquele imenso abraçar.
Então, uma onda suave nos invade
Como se não existisse mais nada
Como se tu fosses remo e eu a tua jangada.
E remamos os dois juntos, no mar calmo
Sem parar.
Avanço de proa erguida, sentindo o teu remar
Sempre em redor de nós, onde me irás abraçar
Até ao dia final em que o sonho se acabar.
Uma onda rolará, revolvendo o côncavo
Do meu peito a palpitar.
E no dorso curvo dos montes
Negro corcel me irá arrebatar
Agitando as longas asas
Quebrando os ninhos em flor
Acordarei do meu sonho
Num pesadelo de dor
Eu que não queria sonhar
Não queria adormecer
Sinto um cortejo sinistro
Que me vem ver a morrer.

2 comentários:

Arnaldo Norton disse...

Isto é o lamento de um poeta que gostaria de estar apaixonado !
Para escrever assim, é preciso ter muita sensibilidade, muita amargura e o grande dom de ser um poeta.

Arroba disse...

Meu caro Amigo Arnaldo,
Sabe que sim....sabe que sim...