30 novembro 2009

Manhãs e tardes de Domingo

São tristes as manhãs,
feitas de domingos solitários
os pássaros debicam lá fora
e trazem um canto fugaz e aguçado
São tristes as tardes
feitas de névoa e silêncio amargurado
as persianas descem vorazes
sobre a mesa vestida de branco
rendada e vazia, jaz uma jarra
sem o perfume dos lilazes,
nesta solidão sonolenta
de vida apenas cinzenta.
No olhar, mais do que céus
lagos profundos, procurando os teus
E a vida dorme, adormecida
e eu fecho às vezes as mãos
fecho-as em vão
geladas, sem sol quente do verão
Ninguém profundamente me conhece
nem talvez a alguém interesse.
Bastam-me as cotovias
no meu silêncio
e a dor já não me dói, já não a sinto.
Branco rosário de contas de lithium.

2 comentários:

Carapau disse...

"Ninguém profundamente me conhece
nem talvez a alguém interesse."

Quantas vezes nós não nos conhecemos a nós mesmos...
E mesmo assim (ou por isso mesmo) pode alguém ter interesse nesse conhecimento.

Palavras à parte, é um belo poema.

Arroba disse...

Ai sr. Carapau! ( rindo) algum alento me dá ser lida por um peixe.
Às vezes tenho a nítida sensação que sou um exemplar raro neste planeta de Et's !!