29 maio 2011

O banho




O Banho de Apolo
Naquela manhã , depois da habitual sintonia  do rádio,  rumou ao banho, abriu a água e deixou que fumegasse..
Lentamente despiu-se enquanto  olhava  no espelho,  os pensamentos balouçando para cá e para lá; já nú  entrou na banheira, pé ante pé  e deixou que a água lhe escorresse   lenta pelo corpo; ultimamente tudo  escorria corpo abaixo, as mãos caiam  num tremelicar  sem força enquanto que  os seus pensamentos adejavam mais e mais em direcção  ao big-bang.
Ensaboou-se.  Era ainda um dos prazeres que lhe restava : o sabonete da Ach. Brito, aquele que , segundo lhe tinham confidenciado , era usado na Casa Branca. Ironias do destino.
Terminado o banho e com a última chuveirada, fechou a torneira e deixou-se também ele escorrer pelo ralo da banheira. Nadaria até ao oceano, lá estava a sua origem; era aí que tudo tinha inicio. Imaginava que assim fosse..
Pelo caminho encontrou  ratazanas, outros ratos  criaturas imundas que nadavam com ele e de olhos postos no fundo do túnel , atravessou o esgoto  e renasceu.
Finalmente era livre. Algures um rádio emitia para nenhures!!

3 comentários:

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Arrobamiga

Cá está o chato revisor. Um pedido: se não tiveres gostado do meu anterior comentário - não o publiques; não fico chateado...

E, agora, a observação. Escreveste:

... naquela manhã, depois de sintonizar o programa da radio que gostava...

Ora bem: o mais correcto é saber que se deve dizer gostar de alguma coisa.

Está a utilizar-se com enorme frequência a construção que usaste, mas para um minhocas como eu, continuo a gostar dos teus textos, doteu blogue, deescrever, de ler, de chatear.

Desculpa-me a frontalidade, mas não quase a chegar aos 70 anos que vou mudar...

Se entenderes que sim, publica; se entenderes que não, não publiques. Ficamos amigos como dantes, quartel-general em Abrantes...

Qjs

AC disse...

Um sabonete Ach. Brito na génese dum renascimento. Original, no mínimo!
(Como vivo no campo tenho que fazer um esforço para entender o pensamento urbano. Mas faz sentido...)

Beijo :)

Celso Mendes disse...

Gostei bastante do texto, em especial do surrealismo da cena que leva o personagem pelo ralo em direção ao seu renascimento. Muito interessante mesmo!

beijo, amiga.