22 agosto 2009

Petrarca - Soneto XXII



Soneto XXII

S’ amor non è, che dunque è quel ch’ io sento?
Ma s’egli è amor, per Dio, che cosa e quale?
Se buona, ond è effetto aspro mortale?
Se ria, ond’ è si dolce ogni tormento?

S’a mia voglia arado, ond’ è ‘I pianto e ‘I lamento?
S’a mal mio grado, il lamentar che vale?
O viva morte, o dilettoso male,
Come puoi tanto in me s’io nol consento?

E s’io ‘I consento, a gran torto mi doglio.
Fra sì contrari venti, in frale barca
Mi trivo in alto mar, senza governo,
Sí lieve di saber, d’error sí carca,
Ch’ i i’ medesmo non so quel ch’ io mi voglio,
E tremo a mèzza state, ardemdo il verno

♥ ♥ ♥

Soneto XXII

Se amor não é qual é este sentimento?
Mas se é amor, por Deus, que cousa é tal?
Se boa por que tem acção mortal?
Se má por que é tão doce o seu tormento?

Se eu ardo por querer por que o lamento?
Se sem querer o lamentar que val?
Ó viva morte, ó deleitoso mal,
Tanto podes sem meu consentimento.

E se eu consinto sem razão pranteio.
A tão contrário vento em frágil barca,
Eu vou para o alto mar e sem governo.

É tão grave de error (1), de ciência é parca
Que eu mesmo não sei bem o que eu anseio
E tremo em pleno estio e ardo no inverno.

Fransesco Petrarca ( 1304-1374)

Tardes caídas.



Tarde ociosa
em declínio.
Areia molhada, macia.
Figura silênciosa
vulto que se perdia.
Agonia lenta, vazia
vai vestindo, devagar
a imensa praia-mar
com aromas de maresia.

Arriba fóssil
avança , densa
em negrume a transbordar.
Fatídica vaga
a trespassar o mar,
horizontes longínquos
de estrelas a brilhar.

12 agosto 2009

Barco perdido.


Na linha do horizonte,
Navegava um barco perdido
Asa de pássaro ao vento,
Memórias de um tempo ido.
Espuma desfeita em sonhos
Violência no embate
Rocha partida no cais
Casco de um coração
Abandonado em combate
ao ter perdido o arrais
No meio da ilusão.
Barco descomandado
para além daquela margem
nunca mais serás navio
nunca mais serás viagem.

27 julho 2009

O combóio

Segue a alma, inquieta
Ao sabor do condutor
Em arremesso constante
Numa paisagem tremida
Que nos faz ficar para trás
Pedaços de uma vida.

Ainda não chegámos lá
E já sentimos, dormente
A saudade da partida
Espelhada no cristal
Uma sombra surge
Refundida e tripartida
O tempo rola a correr
Entra a lembrança na treva
Para mais à frente ofuscar
Em arrozais e searas
Com o vento a murmurar
Pouca-terra, pouco-mar.
Ainda não chegámos lá.
E o Tempo sempre a correr
Que Saudade sinto agora,
Alma em fogo, vai marcando
Uma estrada pelo caminho
Espécie de éter volátil
Que percorre o seu destino
E o Tempo sempre a correr.Pouca-terra, pouco-mar.
Ainda há pouco parti.
Tenho urgência no chegar.

17 julho 2009

Poemas de Amor e Vida

A ave domesticada vivia numa gaiola. A ave livre vivia na floresta.
Encontraram-se um dia. Era do seu destino.
A ave livre grita: “Ó meu amor, voemos para a floresta!”
E a prisioneira murmura: “Vem cá tu dentro, viveremos juntas.”
A ave livre diz: “Como posso entre grades estender as minhas asas no frémito dum vôo?”.
“Ai de mim, diz a outra, onde encontrar eu poiso na vastidão do céu?”
A ave livre torna: “Ó meu amor, entôa, os cantos das florestas!”
E a prisioneira diz: “Ficai junto de mim. Ensinar-te-ei as canções que aprendi.”
A ave da floresta, responde: “Não! Não! Os cantos não se ensinam!”
E a prisioneira: “Ai de mim, não conheço os cantos da floresta!”.
O amor e o desejo, vão par a par no seu peito, mas nunca poderão voar juntas, a par.
Contemplam-se através das grades e em vão procuram conhecer-se uma à outra.
Batem as asas, queixosas e cantam:” Vem mais perto de mim, meu amor!”
A ave livre diz: “Não posso, tenho medo das portas do teu cárcere.”
E a prisioneira chora: “Minhas asas morreram já não sabem voar!”.

In Antologia de Autores Portugueses e Estrangeiros; Poesia de Rabindranath Tagore ; Ed. Confluência.

14 julho 2009

"Aquele" ser Humano na entrada do Metro do Rossio

Ignoro o seu nome, mas adivinho-lhe as dores
Todos os dias o olho, todos os dias o vejo
Abandonado e perdido, dele próprio
E dos outros, que deixaram que se perdesse.
Deitado sobre a sombra fresca
Dos corredores da cidade, entranhas do sub mundo
Estéril matriz, que vomita vazios de solidão
E eu fugitiva desse apelo, não oiço o silêncio do grito
Vou passando em intermináveis silêncios
Esperando que o destino mude o rumo
Juntos na dualidade/simbiose homem/cão
Ambos desditosos, ambos a pedir atenção
Deixam passar os homens, enquanto a noite
Avança em segredo, e as estrelas se abatem sobre eles.
Quantos pensamentos? Quantas lágrimas?
Quantos abraços ao cão?
Por não poder abraçar mais ninguém
Sozinho, sem pai e sem mãe,
Adormece, embalado pelo vento
Esquecendo a solidão.

13 julho 2009

Memórias

Tenho guardado no meu bolso
Um bocadinho do rio
Umas gotas do oceano
Mil brilhos
Ondulações
E este som do piano.
Eco de velhas canções
Uma canção azul
Com o brilho do luar.
Uma outra
Em tons de verde
Que me fazem recordar
Duas asas lado a lado
Num alegre esvoaçar
Andorinhas junto ao chão
Em alegre chilrear
Anunciando o verão
Que teimava em chegar.
pensava eu...que chegava
Mas nunca chegou a vir
Restaram-me as memórias
Das andorinhas , ao partir
E um pedaço de estrela
Que em cada noite roubo
Para me alumiar a alma
Baú de velhas memórias
Onde conservo a vida
Guardada em papel de seda
Com saquinhos de alfazema
E no meu bolso
Escorre o rio, o riso
A fonte, o pranto
Afogo-me em tanto mar
Que nenhum lenço de mão
Consegue fazer secar.

13-07-2009

Eros, Agape e Philia

"Amor: eros, agape e philia
Na sequência do texto Amizade versus Amor e do comentário que fizeram a gentileza de postar, voltei novamente ao tema deixando aqui um texto que encontrei no blogue "B-Logos", do Walter Neto que achei bastante interessante e que serve para comentar o Homem sem Sombra ....mais tarde voltarei ao tema...."Perdi o sono a pensar (melhor dizendo – viajando) sobre o que seria esse tal de amor. Difícil definir algo que se sente mais do que se fala, que se sonha mais do que se vive, que se deseja acima de um querer simples e imediato. A principal dificuldade está exatamente em que o amor não é algo concreto. Enquanto sentimento ele é abstrato, alguns alegadamente dizem ou imaginam que seja até elevado. Os nossos avós culturais – os gregos – tinham três palavrinhas para definir amor. O amor, para eles poderia ser amor-eros, aquele amor sensual, possessivo, egoísta. Eros é o amor que a sacerdotisa celebrava no templo em êxtase sensual. Eros, era portanto homenageado por uma mulher que se prostituía. Era o deus que não exigia sangue, mas o acto sexual que ali se transformava em acto religioso.No outro extremo, existia o amor-agape. O amor voluntarioso, sagrado, imaculado. O amor-agape é um amor que sai de si mesmo em beneficio do outro. É o amor que pode até negar o amante, desde que afirme o amado.Os primeiros cristãos tomaram agape emprestado e o fundiram na imagem de Jesus de Nazaré. A imagem do homem (ou Deus como desejarem) que se nega a si mesmo, toma uma cruz e morre perdoando é materialização de agape. Agape é perdão, aceitação, serviço em favor do outro, negação de si mesmo, amor incondicional, amor angélico. Tão angélico que se torna amor distante da nossa humanidade imperfeita.Entre agape e eros, os gregos percebiam um terceiro tipo de amor. Philia é o amor amizade, o amor bem querer, nascido da simpatia mútua e crescido na fidelidade. É o amor que tem algo de altruísmo no bem querer e algo do egoísmo ao exigir algumas condições para esse bem querer. Philia estende-se para além do humano e ama até o inanimado e o abstrato. Assim, fala-se em amor à liberdade, amor ao ideal. Como exemplo disso, Platão chega a afirmar que o filósofo é aquele que ama (philia) a verdade.Mas serão eros, agape e philia três amores distintos como distintos são os termos gregos para designá-lo?O ponto de vista que pretendo demonstrar aqui é que não. Todos esses termos são dimensões ou condições psicológicas de um mesmo e único amor. As barreiras que impedem o trânsito entre um e outro não são factuais, são meramente construções culturais interiorizadas sem uma reflexão mais profunda de nossa parte.O amor-philia, da amizade entre pessoas de sexos diferentes ou não, pode facilmente transitar a amor eros na concretização de desejos sensuais, empurrados para baixo do tapete por toneladas de cultura repressora. São desejos que existem – portanto reais - apesar da nossa vontade de vê-los como impuros. Assim, não se devia perguntar: estamos confundindo as coisas? Não há confusão alguma! São apenas três dimensões, ou termos, para o mesmo e único amor. Ao contrario, deveríamos perguntar: estamos transitando no nosso amor?Já consigo ouvir uma objeção a esse meu pensamento. Essa objeção seria a de que quando se “confunde” philia com eros a chance de se perder a philia, ou seja, de se jogar uma bela amizade fora, é gigantesca. Insisto que não seja assim porque o trânsito entre um e outro é bidirecional. Tanto se vai da amizade ao sensual quanto do sensual para a amizade (não é o segundo caso que acontece tanto em relacionamentos que, após vários anos, perde completamente a paixão sem perder o afecto?).
O único impedimento para esse trânsito é somente o nosso medo adolescente de não termos maturidade suficiente para continuar aceitando o outro sem as cobranças de posse típicas do eros. Nesse caso realmente fica difícil manter um amor-amizade com base no transformar o outro em algo a ser possuído como “meu”. Como eu disse anteriormente, isso, no entanto, não é um impedimento real, mas uma degradação do amor para o lado ruim de eros (esse lado ruim não é de forma alguma o sexo – mas a posse).O trânsito entre philia e agape penso ser ponto pacífico. Por isso não gastarei linhas com esse.Resta-me analisar o trânsito entre eros e agape. E que maravilhoso exemplo desse trânsito nos dão aqueles casais simpáticos de idade avançada sentados no banco da praça a conversar, andando de mãos dadas pela rua (mãos que se deram em philia, eros e agora encontram agape). Esse exemplo, entretanto, não é exclusividade de casais com uma longa vida a dois, mas de casais que amadureceram seu amor da posse à doação. Não é privilégio de casais velhos, mas de casais maduros que conseguiram alcançar a plenitude do amor em eros, em philia, e em agape, abolindo o lado ruim de eros (a posse), de agape (a negação do eu), e de philia ( a superficialidade).Casais maduros são o melhor argumento (a guisa de prova) que posso dar da unicidade do amor nas suas três dimensões.Apesar de termos os nossos momentos de cada uma destas dimensões, penso que o ideal é mantermos a vontade de, no todo, vivermos um amor pleno. Amor esse que não será jamais conquistado sem muito suor e, quem sabe, algumas lágrimas, mas que recompensará nosso coração igualmente carente de afeto, doação e sensualidade."

10 julho 2009

Mamã!!!.....
Já sei onde acaba o céu! Acaba onde começam os países!!
( Da autoria da minha sobrinha fada Oriana com 5 anos)

Ectoplasma ....

Descobri-te ansiosamente
Entre olhares mudos
Olhares de silêncio
Corri para ti e abri-te
Rèptilmente

Ondulei no teu corpo
Sem som , lentamente
Com as palavras despidas
Construi-te na mente

A sós
Comigo mesma
De punhos cerrados
Doridos, magoados
Gritando inutilmente

Apenas o som vazio
De uma forma pungente
Um deserto a arder
Imenso.....
Tecendo oásis
Entre a poeira do tempo
As palavras incendiaram-me
E a sós, exorcizei assim
mais um tormento.

10-07-2009

06 julho 2009

Renascer


Ophelia- John Everett Millais (Pintor - Ilustrador Inglês (Pré-Rafaelismo) 1829-1896)

A vida crê que nos aprisiona
Entre as margens do rio.
Criando a ilusão de viver,
Nessas margens brancas
Perdidas entre vales sombrios
Penas de amor e desamor
Como folhas que se abatem
no reflexo traiçoeiro da aguada que segue
Em direcção ao horizonte,
céu sublime, onde se cruzará
com as vagas alterosas
na linha onde nasce o Belo e o Sublime
Em tons de azul oriente.
Renasce lá a lua branca, gigante,
Ungida desde o principio da terra
Coada com fino linho do Egipto
E faz-me adormecer, sonhando
Com aloés, mirra e canela
E assim eis que morro mais um dia,
Encurtando o espaço e o tempo
Diminuindo o abismo que me separa
Dos que de madrugada me procuram
Tornando sublime nascer
sem começar a morrer .
Poder acreditar que a Verdade existe,
para me levar nas suas longas asas
Do Conhecimento da fonte eterna da Vida.

06-07-2009

23 junho 2009

Marinhas

Pintei-te em tons de azul e verde
Maresias, brisas
Ondas de tule a voar
Linho branco tingido
Com todo este imenso mar
Nunca tu soubeste afinal,
Qual o oceano que pintei
Que tesouros nele guardava
Que sonhos nele enterrei.
Daqui a muitos, muitos anos,
Séculos, uma eternidade
Um olhar irá poisar
Nesse mar que eu tanto amei
Sem nunca descobrir
Que o azul era paixão
O verde era a vida
Encerrada num caixão
Que de encontro aos rochedos
Se desfez
Em branco linho
E veio morrer na praia
Chorando muito baixinho

19 junho 2009

Miragens

Sou eterna filha do deserto
Sempre a clamar
Por uma sombra
Onde meu coração
Possa descansar.
Ergo-me ao vento
Que fustiga a carne
Deixando fios de linho
A esvoaçar.
Gritos mudos
Como almas de pássaro
Que não tem onde poisar.

As miragens espreitam
a cada olhar meu
Deitado ao horizonte
Alcançando oásis
Feitos de saudade
E o meu corpo jaz
Quase amortalhado nessa ansiedade.
Os meus olhos quietos, baços
Já sem vida, escavados na dor
São agora , apenas
Um espectro, um grito mudo
Sem eco de amor.

18 junho 2009

Pudesse eu.......

Dominar-te a ti
Ò dor
Eterna testemunha
Do tempo
Enfeixado em
Simultâneo e fraternal
Passado, Presente e Futuro
Através do tempo
Que nos leva.
Ou, seremos nós
Que o levamos ?
Guardando dentro
A partitura da vida.
Estranhas visões
Que nos modelam
Passo a passo
Iludindo-nos e,
Dominando a mágoa
Com um sorriso
Inglório
Que logo esmorece
Quando as sombras se adensam
Na estrada incerta do tempo.
Expectante fica o destino
Sabendo que lhe minto
Não realizando nunca
Mergulhada em absinto
Estonteada na loucura
De não querer ser apenas pó
Na ampulheta das tuas mãos.
E contudo, o meu velho coração
Cansado, revestido de paciência
Espera ainda
Um sopro , que realize
O milagre de te poder sentir
Acordar no resto do
Tempo que nos falta cumprir.

02 junho 2009

Veludos...



Erguera-se lentamente
Arqueando em meia - elipse
Preguiçoso
Envolto
Em veludo escuro.
Lançou no ar
Um sopro quente
Expirado
Sorveu atento
Interessado
Na noite quieta
Aromas de outros corpos
Que deambulavam,
Atentos
Sôfregos
Esfomeados
Ousando sonhar
Crateras esventradas
Onde rios cor de rubi
Morreriam
Sugados
Manchando
O veludo negro.

Saltou
Depois da dança
E aterrou
Faminto
Falhou
E novamente tentou
Cravando punhais de marfim
Afiados
Rasgando
O gemido
Que logo calou

Ao longe
Tambores
Forravam a noite
Quente.
E o céu ,
Gigantesco candelabro
Velou
A presa e o predador.
Em combate desigual
Finalmente terminou.

27 maio 2009

Amizade versus Amor

“Depende de nós praticarmos actos nobres ou vis; e se é isso que se entende por ser bom ou mal, então depende de nós sermos virtuosos ou viciosos.” Aristóteles.
A AMIZADE
A amizade é uma virtude extremamente necessária à vida. Mesmo que tenhamos diversos bens, riqueza, saúde, poder, ainda assim, não será suficiente para nossa realização plena, pois falta a essencial e indispensável amizade. De acordo com a proporção da faixa etária de cada indivíduo, a amizade apresentará uma função específica. Para os jovens ela ajuda a evitar o erro, para os mais velhos serve de amparo para as suas necessidades e suprime as actividades que declinam com o passar dos anos, porque dois que andam juntos são mais capazes de agir e pensar.

A condição necessária e basilar para se formar uma amizade dá-se pelo conhecimento de uma a outra pessoa que desejam entre si reciprocamente o bem. Segundo Aristóteles deveria existir mais de uma forma de amizade, neste sentido apresenta três espécies de objectos de amor: o que é bom, ou o agradável, ou útil.
Destes três objectos nascem três espécies de amizade. Encontra-se em situação de superioridade aquela que é motivada pelo bem, pois é duradoura. Enquanto a agradável está relacionada aos jovens e a terceira parece existir principalmente entre as pessoas mais velhas, pois nesta idade buscam não o agradável, mas o útil. Nestes tipos de amizades as pessoas buscam seus próprios interesses para terem alguém que lhes proporcionem prazer ou alguma utilidade. Não ama o amigo por ele mesmo, mas na medida em que ele pode proporcionar algum bem, utiliza a amizade para conseguir outra coisa, de modo que o amigo é tido como um meio; não como um fim. O verdadeiro amigo quer as coisas para as pessoas a quem ele ama, o amigo por acidente quere-as para si.
A amizade perfeita é aquela que existe entre homens onde existe a reciprocidade de carácter e de objectivos, consequentemente terá a tendência de ser perene.
São consideradas amizades acidentais aquelas que se fundamentam no interesse, espécie de derivada do amor como uma utilidade, e não ao outro por si mesmo, assim elas são facilmente capazes de se fragmentarem quando uma das partes cessa de ser agradável ou útil, pois existia apenas como um meio para se chegar a um fim.
Já que a igualdade é característica essencial da amizade e que ela exerce os mesmos actos também na justiça, aquele que for melhor para com o outro deverá receber mais amor, para que assim se estabeleça uma proporção.
Por outro lado, ser amado é algo bom em si mesmo, e por isso parece ser melhor ser amado que receber honras, consequentemente a amizade parece ser desejável por si mesma. Mas a natureza da amizade consiste muito mais em amar do que ser amado, por exemplo, o amor de uma mãe pelo seu filho. É dessa maneira que pessoas desiguais podem ser amigas, sendo possível a igualdade entre eles. Desta forma, a amizade que se forma entre contrários visa à utilidade.
Creio que amar assemelha-se à actividade, e ser amado à passividade: amar e ter várias formas de sentimentos amistosos são atributos dos homens mais activos.
A amizade pode cessar quando a reciprocidade de interesses é desvinculada. Esses factos ocorrem quando o amante ama o amado visando o prazer, e o amado a utilidade, e nenhum deles possuem as qualidades que deles se espera. Ou seja, nenhum deles amava o outro por si mesmo à vista que suas qualidades não eram duradouras.
Nesse sentido, os desentendimentos ocorrem quando o que as pessoas obtêm é algo diferente daquilo que desejam.



Em que difere a Amizade do Amor

Pergunta simples, mas de difícil resposta. Não pela resposta em si, mas sim porque tudo que envolve sentimentos se torna sempre difícil de expressar em palavras, em argumentos lógicos e coerentes.O que se prefere? Uma grande amizade ou um grande amor? Muitas pessoas dirão que preferem uma grande amizade, pois esta dura a vida toda. Pois bem, eu prefiro um grande amor, pois se eu creio que uma amizade é por toda vida, eu também creio que um grande amor é por toda eternidade.Mas nem sei se gosto desta separação, amizade e amor.Penso que a amizade faz parte do amor. Não existe amor entre duas pessoas sem uma amizade entre elas. Porém, também penso não ser possível uma amizade verdadeira entre duas pessoas que não se amam em alguma medida.Cabe então, talvez reflectir sobre o amor. Pois existem formas diferentes de amar, embora o amor seja um só. Amor dos pais pelos filhos, dos filhos pelos pais, de um amigo pelo outro, de um homem por uma mulher, e assim por diante. Amar alguém é tornar essa pessoa tão real quanto a si próprio. Quase sempre o nosso ego faz com que a nossa realidade gire em torno de nós mesmos. Como se fossemos o centro do nosso universo enquanto os outros ‘estão’ no nosso universo. É a sensação do ego. Amar alguém creio ser elevar a pessoa amada ao mesmo patamar no mesmo universo. É perceber, é sentir alguém tão real quanto eu.
No l Primeiro Livro de Corintios 13 (4-8): “O Amor é muito paciente e bondoso, nunca é invejoso ou ciumento, nunca é presunçoso nem orgulhoso, nunca é arrogante, nem egoísta, nem tampouco rude. O Amor não exige que se faça o que ele quer. Não é irritadiço, nem melindroso. Não guarda rancor e dificilmente notará o mal que outros lhe fazem. Nunca está satisfeito com a injustiça, mas se alegra quando a verdade triunfa. Se você amar alguém, será leal para com ele, custe o que custar. Sempre acreditará nele, sempre esperará o melhor dele, e sempre se manterá em sua defesa. Todos os dons e poderes especiais que vêm de Deus terminarão um dia, porém o Amor continuará para sempre. (...)”. Eu acredito neste amor. E vejo-o em todas as formas de amar. Amar é antes de tudo uma acção. Só se ama, amando.E a amizade? Também não incluí um doar-se ao outro sem querer nada em troca? Ser fiel ao outro sem pensar duas vezes? Estar junto em todos os momentos? Sim, é tudo isso também, tal qual o amor. Creio que posso dizer que numa verdadeira amizade existe sim amor. Um amigo pode dizer ao outro com convicção: Eu te amo. Assim como uma mãe fala ao filho.Mas então retorno à pergunta inicial: O que diferente a amizade do amor? Até aqui só parecem existir semelhanças.Uma vez existindo a certeza de que existe amor na amizade e que existe amizade no amor, falta definir de que tipo de amor me estou a referir e, querendo, encontrar o que o difere da amizade.
Então a pergunta apropriada poderá ser: o que difere, numa relação entre homem e mulher, uma amizade verdadeira entre ambos e um amor verdadeiro entre ambos (no contexto de homem- mulher )?Até onde vai este amor entre homem- mulher ? Talvez não me pareça ser maior que o Amor puro pelo ser humano (o Amor pelo próximo na percepção divina). Mas também me parece ser maior do que o amor entre amigos e o amor entre familiares. Novamente no Primeiro Livro de Corintios, na Bíblia, há também uma passagem que diz que uma forma do homem ter a certeza de que encontrou sua esposa, é quando o seu amor por ela for maior do que o seu amor por sua mãe. A mim faz-me todo o sentido. Quando amamos uma outra pessoa, com quem pretendemos casa-nos ou ficarmos juntos, então criamos com esta pessoa uma nova família. Passaremos da nossa actual família, de pais e irmãos, para a nossa própria família, onde seremos os pais. Quando constituímos uma nova família (ainda que apenas um casal) então os nossos pais e irmãos se tornam parentes, familiares e não mais a nossa família. Por isso devemos sim amar mais o nosso grande amor, nosso verdadeiro amor, do que os nossos pais, para podemos realizar essa mudança de família sem problemas.Quando isso ocorre, não há influências de pai, de mãe, de irmãos, que nos impeça de sermos felizes nesse grande amor. Ou seja, seu amor pela companheira ou companheiro é maior do que o amor pelos pais, irmãos, avós, etc. Ainda que sejam amores diferentes, há uma força maior.
Mas quando existe essa aparente incapacidade talvez surja aqui o Complexo de Èdipo /Electra, o adulto não consegue transpor as etapas normais da sua evolução, fica preso no passado, nenhuma mulher/homem, conseguirá substituir a imagem materna ou paterna. Uma espécie de limbo...Incapaz da Paixão, incapaz de sentir o Amor .E quanto ao amor na amizade? Também penso que é maior. Desde o início é minha convicção de que muitas pessoas consideram a amizade mais importante. Porém eu penso que o amor verdadeiro pelo parceiro é ainda maior. Amizade dura por toda a vida. Um grande amor dura por toda eternidade, através de várias vidas.Mas para surgir o amor, deve-se ter a amizade. Se há amor na amizade, é porque há elementos da amizade no amor. Só que há muito mais no amor entre homem- mulher . Se não o for, cairá na mesma questão dos familiares que podem influenciar um relacionamento. Amigos são importantes e podem influenciar de forma positiva sim, mas não definir um relacionamento onde existe um amor verdadeiro.Muitas pessoas acreditam que se uma relação atingiu um determinado grau de amizade, então não há como os dois namorarem e amarem-se . Eu penso o contrário. Só é possível amarem-se de verdade quando há um grau elevado na amizade, pois isso significa dizer que já existe de antemão entre essas pessoas, o outro tipo de amor, o amor da amizade, e com ele a cumplicidade, a fidelidade, o companheirismo, o doar-se, dentre outros elementos existentes no amor de um casal. É como se fosse já meio caminho andado.Pois bem, se quando há grande amizade, há mais chances de um amor verdadeiro, o que faz com que uma amizade se transforme em amor? Em que momento isso ocorre e o que faz ocorrer? A vivência é um elemento. A sintonia é outro. A percepção apurada, o despertar, o sentir a outra pessoa também. Quem não conhece histórias de pessoas que procuravam tanto um grande amor e quando perceberam que o seu grande amor sempre esteve perto, ao lado, podendo ser um amigo ou amiga? Isso ocorre muito, principalmente quando a pessoa consegue ter aquele ‘clik’. Quantos casais não começaram quando dois amigos se olharam e ‘puff’, perceberam que tinham tudo em comum, que nutriam afectos um pelo outro? Nem todo amor se inicia de uma paixão ardente. Aliás, uma coisa é paixão e outra é amor, embora haja no amor os elementos da paixão, mas não o contrário.Entendo paixão como uma intensidade muito grande, mas em desequilíbrio. O amor possui a mesma intensidade, e até maior, mas em equilíbrio, em harmonia. Não quer dizer que paixão seja ruim, claro que não. Apenas a entendo faze-la diferir do amor. Muitas amizades começaram por paixão também. Depois que este diminui, percebem que não era amor, apenas amizade. E em alguns destes casos, a amizade cresceu posteriormente e então veio o amor. Não há uma regra definida quanto ao início. Mas há quanto à continuidade, a saber: A vivência, seja para perceber o amor, seja para manter o amor, seja para fortalecer o amor.Quer dizer então que se eu me apaixonar, não vou amar? Não, quer dizer apenas que se alguém se apaixonar, isso não é amor. Vai ser preciso existir uma amizade forte, ainda que já em namoro, para que possa surgir o amor. É como se a amizade fosse um solo fértil para que o amor cresça. E as acções do dia a dia fossem regando este solo, esta semente de amor, para que cresça e fique forte.Quando existe apenas paixão, a intensidade em desequilíbrio, num casal, há sempre a possibilidade de que um simples desentendimento acabe com tudo. Isso porque um desentendimento gera mais desequilíbrio, que por sua vez não consegue ser administrado por uma força que já está em desequilíbrio, a paixão. Ao contrário do amor, que é uma força intensa em equilíbrio, capaz de entrar em ressonância com as energias em desequilíbrio que surgirem, a ponto de re-equilibrar todas elas. Conversando com um casal de idosos casados há anos e felizes, fizeram recentemente 50 anos de casamento, disseram-me que passaram por muitos problemas e superaram pois tinham o verdadeiro amor, a força intensa de equilíbrio capaz de ajuda-los a superar estes momentos. Brigaram muitas vezes, mas souberam que havia um amor ali e que isso era maior que qualquer outra coisa.E como é que percebemos que estamos de facto a amar um amigo ou uma amiga? Antes de tudo, é importante dizer que não é preciso que já se esteja amando, podemos estar propensos a amar, pode-se sentir um envolvimento tão forte, um sentimento tão forte por alguém que já é nosso amigo ou amiga, que basta um tempo de convivência, para que o amor verdadeiro eventualmente surja. Existe um ditado chinês que cabe muito bem aqui: “Cuide do seu jardim, e as borboletas virão”. É a mesma coisa. Cuidarmos de nós mesmos, do nosso coração, das virtudes, da integridade, do amor pela vida, por nós mesmos, pelos outros, e irradiando este amor, com certeza que o grande amor virá, atraído por esta espécie de irradiação, de luz. Até porque não servirá de muito apenas um dos lados pensar que o outro é o seu grande amor. Tal ocorre muito em relação a apaixonar-se, a encantar-se. Um dos lados apaixona-se ou encanta-se pelo outro sem existir uma correspondência. A amizade neste ponto pode se tornar instável, e até terminar, a menos que já exista um amor de amizade muito forte que consiga lidar com isso e superar. Pois um amor de amizade verdadeiro também é mais forte que uma simples paixão ou encantamento. Isto passa e a amizade continua. Talvez por isso muitas pessoas confundem e acreditam que uma amizade é mais forte que um amor de casal. Não é, mas é mais forte que uma paixão ou um encantamento.Porém, voltando a questão, pode sim iniciar-se em sómente de um dos lados. Dificilmente um relacionamento começa de ambos os lados ao mesmo tempo, com os dois passando a gostar da mesma forma ao mesmo tempo. Então aquilo que era apenas paixão, encantamento de um dos lados, pode se tornar amor na medida em que o outro lado vai aos poucos percebendo que também sente algo. E numa amizade, é quase sempre assim que ocorre. Mas sem forçar nada, sem ficar ‘beijando todos os sapos que aparecerem’. Deixe fluir a relação. Quando há uma forte amizade, há sim as chances das coisas caminharem neste sentido, de surgir um encantamento, que poderá passar para uma paixão (intensidade em desequilíbrio) até chegar ao amor (intensidade em equilíbrio). E até mesmo iniciar algo a partir do encantamento, suficiente para então fazer surgir o amor. De qualquer modo, agindo assim, no mínimo você ganhará um(a) grande amigo(a). Deixe fluir. As borboletas virão.Para finalizar, então em que difere a amizade do amor de casal? Alguns precipitados poderiam dizer que seria o sexo. Mas não. Há sexo também entre amigos que não se amam, embora eu não consiga partilhar deste ponto de vista. Assim como é possível amar sem existir sexo. Outros poderiam dizer que é viver juntos. Mas não, pois há amigos que moram juntos e não se amam, embora a convivência possa ajudar a fazer surgir um amor entre os dois. Existe ainda quem afirme que será compartilhar os bens. Não, pois há casais com divisão total de bens que se amam, assim como há amigos que compartilham bens em comum, mas não se amam.Contudo há uma diferença entre amizade e amor. Todos nós sabemos que há. Mas talvez por esta diferença estar em algo que não é possível de ser ver, por estar justamente na esfera dos sentimentos, das emoções, como eu referi inicialmente, é que se torna difícil de expressar e definir claramente em palavras.Quando conseguimos olhar para uma amiga ou amigo e dizer que é apenas amizade muito forte e indestrutível e quando consegue dizer que já existe ‘algo a mais’? Bom, ‘algo a mais’ não quer dizer amor necessariamente, mas poderá se tornar. Quando se torna amor, conseguimos dizer e saber. Mas não se sabe quando se transforma em amor, em que momento exacto isso ocorre. Assim como é difícil dizer quando é amizade forte e quando já é um algo a mais. Difícil explicar. A diferença entre amizade e amor num casal também é assim. Sabemos que existe a diferença. Mas não se sabe bem como explicar.Perante isto lembro a resposta de Santo Agostinho, quando lhe perguntaram o que era o Tempo. Não é o tema principal, mas esta resposta pode servir para ilustrar a questão: “Se não me perguntarem, eu sei. Se já me perguntarem, eu não sei”.Então, simplesmente, deixemos fluir... seja o amor... ainda que sofrimento, pela dúvida eterna de ser ou não ser.

Carta de S. Paulo aos Coríntios

1 Ainda que eu falasse línguas,as dos homens e dos anjos,se não tivesse amor,seria como sino ruidosoou como címbalo estridente.
2 Ainda que tivesse o domda profecia,o conhecimento de todosos mistérios e de toda a ciência;ainda que tivesse toda a fé,a ponto de transportar montanhas,
se não tivesse amor, nada seria.
3 Ainda que eu distribuíssetodos os meus bens aos famintos,ainda que entregasseo meu corpo às chamas,se não tivesse amor,nada disso me adiantaria.
4 O amor é paciente,o amor é prestativo;não é invejoso, não se ostenta,não se incha de orgulho.
5 Nada faz de inconveniente,não procura o seu próprio interesse, não seirrita, não guarda rancor.
6 Não se alegra com a injustiça,mas regozija-se com a verdade.
7 Tudo desculpa, tudo crê,tudo espera, tudo suporta.
8 O amor jamais passará.As profecias desaparecerão,as línguas cessarão,a ciência também desaparecerá.
9 Pois o nosso conhecimentoé limitado;limitada é também a nossa profecia.
10 Mas, quando vier a perfeição,desaparecerá o que é limitado.
11 Quando eu era criança,falava como criança,pensava como criança,raciocinava como criança.Depois que me tornei adulto,deixei o que era próprio de criança.
12 Agora vemos como em espelhoe de maneira confusa;mas depois veremos face a face.Agora o meu conhecimentoé limitado,mas depois conhecereicomo sou conhecido.
13 Agora, portanto,permanecem estas três coisas:a fé, a esperança e o amor.
A maior delas, porém, é o amor.

18 maio 2009

NOVO LUTO NACIONAL- Contra a Vergonha!

seremos de início dez, depois cem… mil… um
milhão.....
vista algo de cor preta...pendure algo desta cor na
janela de sua casa... vamos conseguir!...
nos DIAS 22 e 23 Maio
( 2 dias)
TODOS DE LUTO
CONTRA A VERGONHA!
Sabemos que sair às ruas é complicado devido aos
compromissos diários, então
estamos propondo que nos dias
22 e 23 de Maio
todos ao saírem de casa vistam
camisas/blusas pretas, e se você não tem,
amarre um lenço preto no pescoço ou braço
amarre um lenço preto no pescoço ou braço
MELHOR AINDA:
Pendure um pano preto na sua janela em sinal
de luto pela morte da dignidade dos políticos.
Isto vai ser um sinal de repúdio à palhaçada
que virou a política.
DEMONSTRE a sua indignação em
todas as cidades !
Não tenha vergonha de participar!
Devemos ter vergonha de assistir
à bandalheira de boca fechada e
mãos atadas como um povo
ignorante que não sabe como
protestar!
Veja, analise e proteste !
Mais um roubo aos portugueses!
Leiam até ao fim e divulguem.
Isto não pode continuar!!!
Lista de Aposentados no ano de 2005 (Janeiro a Novembro)
com pensões de luxo (mas em 2006 a lista continua imparável!): pode ser
consultado em: http://www.cga.pt/publicacoes.asp?O=3
Janeiro
Ministério da Justiça
€5380.20 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
Março
Ministério da Justiça
€7148.12 Procurador-Geral Adjunto Procuradoria-Geral República
€5380.20 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
€5484.41 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
€5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
Empresas Públicas e Sociedades Anónimas
€6082.48 Jurista 5 CTT Correios Portugal SA
Abril
Ministério da Justiça
€5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
€5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
€5338.40 Procurador-geral Adjunta Procuradoria-Geral República
Antigos Subscritores
€6193.34 Professor Auxiliar Convidado
Maio
Ministério da Justiça
€5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
€5498.55 Procurador-Geral Adjunto Procuradoria-Geral República
€5460.37 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
€5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
€5338.40 Procuradora-Geral Adjunta Procuradoria-Geral República
€5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
Junho
Ministério da Justiça
€5663.51 Juiz Conselheiro Supremo Tribunal Administrativo
€5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
€5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
€5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
Julho
Ministério da Justiça
€5182.91 Juiz Direito Conselho Superior Magistratura
€5182.91 Procurador República Procuradoria-Geral República
€5307.63 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
€5498.55 Procurador-Geral Adjunto Procuradoria-Geral República
Agosto
Ministério da Justiça
€5173.46 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
€5173.46 Conservadora Direcção Geral Registos Notariado
€5173.46 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
€5173.46 Notário Direcção Geral Registos Notariado
€5173.46 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
€5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
€5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
€5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
€5043.12 Notária Direcção Geral Registos Notariado
€5173.46 Conservador 1ª Classe Direcção Geral Registos Notariado
€5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
€5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
€5027.65 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
€5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
€5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
€5173.46 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
€5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
€5173.46 Notário Direcção Geral Registos Notariado
€5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
€5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
€5159.57 Conservador Direcção Geral Registos Notariado
€5173.46 Notária Direcção Geral Registos Notariado
€5173.46 Ajudante Principal Direcção Geral Registos Notariado
€5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
€ 5173.46 Notário 1ª Classe Direcção Geral Registos Notariado
€5173.46 Notária Direcção Geral Registos Notariado
Setembro
Ministério dos Negócios Estrangeiros
€7284.78 Vice-Cônsul Principal Secretaria-Geral (Quadro Externo)
€6758.68 Vice-Cônsul mdash; Secretaria-Geral (Quadro Externo)
Ministério da Justiça
€5663.51 Juiz Conselheiro mdash; Conselho Superior Magistratura
€5498.55 Juiz Desembargador mdash; Conselho Superior Magistratura
€5498.55 Juiz Desembargador mdash; Conselho Superior Magistratura
Ministério da Educação
€5103.95 Presidente Conselho Nacional Educação
Outubro
Ministério da Justiça
€5498.55 Procurador-Geral Adjunto Procuradoria-Geral República
Novembro
Ministério dos Negócios Estrangeiros
€7327.27 Técnica Especialista Secretaria-Geral (Quadro Externo)
Tribunal de Contas
€5663.51 Presidente
Ministério da Justiça
€5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
€5663.51 Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
€5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
€5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
€5498.55 Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
€5015.16 Professor Coordenador Inst Superior Engenharia Lisboa
Boas Vidas!!!
Mas nem tudo vai mal nesta nossa República (Pelo menos para alguns)
Com as eleições legislativas de 20/Fevereiro, metade dos 230 deputados não foram
reeleitos. Os que saíram regressaram às suas anteriores actividades. Sem, contudo
saírem tristes ou cabisbaixos. Quando terminam as funções, os deputados e
governantes têm o direito, por Lei (feita e aprovada por eles) a um subsídio que dizem
de reintegração:
- um mês de salário (3.449 euros) por cada seis meses de Assembleia ou governo.
Desta maneira um deputado que tenha desempenhado as suas funções durante uma
Legislatura recebe seis salários (20.694 euros). Se o tiver sido durante 10 anos, recebe
vinte salários ( 68.980 euros).
Feitas as contas aos deputados que saíram, o Erário Público desembolsou mais de
2.500.000 euros.
No entanto, há ainda aqueles que têm direito a subvenções vitalícias ou pensões de
reforma ( mesmo que não tenham 60 anos). Estas são atribuídas aos titulares de
cargos políticos com mais de 12 anos.
Entre os ilustres reformados do Parlamento encontramos figuras como:
Almeida Santos.......................... 4.400, euros;
Medeiros Ferreira....................... 2.800, euros;
Manuela Aguiar.......................... 2.800, euros;
Pedro Roseta............................ .2.800, euros;
Helena Roseta........................... 2.800, euros;
Narana Coissoró……………….. 2.800, euros;
Álvaro Barreto............................ 3.500, euros;
Vieira de Castro......................... 2.800, euros;
Leonor Beleza………………….. 2.200, euros;
Isabel Castro............................. 2.200, euros;
José Leitão................................ 2.400, euros;
Artur Penedos............................ 1.800, euros;
Bagão Félix................................ 1.800, euros.
Quanto aos ilustres reintegrados, encontramos, por exemplo, os seguintes exdeputados:
Luís Filipe Pereira . 26.890, euros / 9 anos de serviço;
Paulo Pedroso ........48.000, euros / 7 anos e meio de serviço
David Justino ..........38.000, euros / 5 anos e meio de serviço;
Mª Carmo Romão ... 62.000, euros / 9 anos de serviço;
Luís Nobre Guedes . 62.000, euros / 9 anos e meio de serviço.
A maioria dos outros deputados que não regressaram estiveram lá somente
na última legislatura, isto é, 3 anos, foi o suficiente para terem recebido cerca
de 20.000, euros cada .
É ESTA A CLASSE POLÍTICA QUE TEM A LATA DE PEDIR
SACRIFÍCIOS AOS PORTUGUESES PARA DEBELAR A CRISE!...
MAS... HÁ MAIS !!!
Apesar de ter apenas 50 anos de idade e de gozar de plena saúde, o socialista Vasco
Franco, número dois do PS na Câmara de Lisboa durante as presidências de Jorge
Sampaio e de João Soares, está já reformado. A pensão mensal que lhe foi atribuída
ascende a 3.035 euros (608 contos), um valor bastante acima do seu vencimento como
vereador.
A generosidade estatal decorre da categoria com que foi aposentado – técnico
superior de 1ª classe, segundo o «Diário da República» - apesar de as suas
habilitações literárias se ficarem pelo antigo Curso Geral do Comércio, equivalente ao
actual 9º ano de escolaridade.
A contagem do tempo de serviço de Vasco Franco é outro privilégio raro, num país que
pondera elevar a idade de reforma para os 68 anos, para evitar a ruptura da Segurança
Social.
O dirigente socialista entrou para os quadros do Ministério da Administração Interna em
1972, e dos 30 anos passados só ali cumpriu sete de dedicação exclusiva; três foram
para o serviço militar e os restantes 20 na vereação da Câmara de Lisboa, doze dos
quais a tempo inteiro. Vasco Franco diz que é tudo legal e que a lei o autoriza a contar a
dobrar 10 dos 12 anos como vereador a tempo inteiro.
Triplicar o salário. Já depois de ter entregue o pedido de reforma, Vasco Franco foi
convidado para administrador da Sanest, com um ordenado líquido de 4000 euros
mensais (800 contos). Trata-se de uma sociedade de capitais públicos, comparticipada
pelas Câmaras da Amadora, Cascais, Oeiras e Sintra e pela empresa Águas de
Portugal, que gere o sistema de saneamento da Costa do Estoril. O convite partiu do
reeleito presidente da Câmara da Amadora, Joaquim Raposo, cuja mulher é secretária
de Vasco Franco na Câmara de Lisboa. O contrato, iniciado em Abril, vigora por um
período de 18 meses.
A acumulação de vencimentos foi autorizada pelo Governo mas, nos termos do acordo,
o salário de administrador é reduzido em 50% - para 2000 euros - a partir de Julho, mês
em que se inicia a reforma, disse ao EXPRESSO Vasco Franco.
Não se ficam, no entanto, por aqui os contributos da fazenda pública para o bolo salarial
do dirigente socialista reformado. A somar aos mais de 5000 euros da reforma e do
lugar de administrador, Vasco Franco recebe ainda mais 900 euros de outra reforma,
por ter sido ferido em combate (!?) em Moçambique já depois do 25 de Abril (????????),
e cerca de 250 euros em senhas de presença pela actuação como vereador sem
pelouro.
Contas feitas, o novo reformado triplicou o salário que auferia no activo, ganhando agora
mais de 1200 contos limpos. Além de carro, motorista, secretária, assessores e
telemóvel.
É BOM QUE TODOS SAIBAM COMO SE GOVERNA QUEM NOS GOVERNA.
MAS HÁ MUITO MAIS...
Vamos dar um basta e
reagir como gente
grande dizendo um
grande
BASTA!
Não se esqueça:
dias 21 + 22 de Maio BLUSA /
CAMISA PRETA E PANO PRETO NA
JANELA (…e divulgue este e-mail)

22 abril 2009

As palavras de que não gosto

As palavras que não gosto
Cansam-me e esmorecem-me
Ódio, raiva e vingança
Sentimentos que entristecem
E , fico triste a pensar
Que é bem mais fácil odiar
Do que sentir em si próprio
Capacidade para amar.
Cansa-me o pousio , a rotina
Do egoísmo
A quem trás satisfação?
Incapacidade de dar
De estender a própria mão.
Medo da própria sombra
Que surge avultada e medonha
Sufocando-se em si própria
Como bicho peçonhento
Que nos transforma
Num ser medíocre e cinzento.
Cansa assim tudo na vida
Sem cor, sem verde a agitar
Bandeiras.
Corpos cheios de fragas
Sempre a interpor barreiras
E surgem as palavras
Em pústulas acobardadas
Com grilhetas amordaçadas
No perdão
Na dádiva
No sentir
Rios frescos, clareiras abertas
Onde a alma espera
Renascer intrínseca
E genuína.

11 abril 2009

O Brilho das Estrelas


óleo sobre tela, de Adolphe William BOUGUEREAU (1825 - 1905)

L' ÉTOILE PERDUE

Parece tão simples olhar o céu
Basta erguer a cabeça e vê-lo
Ali, como que pousado
Sobre nós
Mil estrelas que brilham
E já não existem, sequer!
Porque brilham ainda?
Porque as vejo eu,
se já morreram?

Levam-me a duvidar
Se, também eu existo
Nesta espécie de realidade
Que insisto em criar.
Talvez eu seja como as estrelas
Perdendo, a cada dia que passa
O brilho da minha “existência”
E tu,?
Já paraste para pensar?
Será que o teu brilho chega a mim?
Seremos duas estrelas candentes
Apenas existindo no desejo
Formulado,
Por outro alguém que deseja
Existir realmente
Mesmo não sabendo
O que significa
A realidade.
Apenas pensamos
Antes de pensar
E existimos
Depois de sermos
Num caminhar acelerado
Diminuindo á vida
A morte.
Como o brilho das estrelas.

09 abril 2009

O verdadeiro significado da palavra Páscoa.



Há dois mil anos, um homem veio ao mundo disposto a ser o maior exemplo de amor e verdade que a humanidade conheceria.
A Sua proposta de vida não foi entendida por muitos.Condenaram este homem e crucificaram-no ignorando todos os seus propósitos de um mundo melhor.Houve dor, angústia e escuridão.Por três dias o sol se recusou a brilhar, a lua se negou a iluminar a Terra, até que ao terceiro dia a vida aconteceu, possibilitando-nos A certeza do futuro – promessa que não existe em mais nenhum lugar, nenhum governo, nenhuma instituição é capaz de a fazer a não ser Jesus.
João 14:2 e 3 “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.”
Jesus disse: Eu vou passar deste mundo, eu estou para morrer, daqui a pouco vai chegar a crucificação, depois a ressurreição, mas eu quero que vocês saibam que eu não vos abandonarei. Por quê? Porque eu vou voltar. Eu garanto-vos o futuro. É isto para mim é força do evangelho de Cristo. Num mundo tão frágil, onde a linguagem dos povos é hoje semelhante, quer seja na Europa no Brasil, no Uruguai, na China, no Japão, na África. A linguagem dos povos é a mesma. Sofrimento, dor, angústia, medo, terrorismo, morte, droga, prostituição, aborto...Esta é a linguagem dos povos. Jesus disse àquela gente que estava trémula: Eu vou preparar um novo mundo! O mundo que será o nosso lar final. Então, sinto em todo o meu coração e recebo no meu espírito, que a primeira coisa que Jesus queria deixar patente aos corações e a todos nós, é a garantia do nosso futuro, enquanto o mundo tem uma linguagem de morte, de sangue, de sofrimento, Jesus disse: Vocês não são daqui! Jesus quis dizer: O importante, agora na minha partida, é que vocês que crêem em mim, constituam uma família. João 15:12 e 17 “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.”Versículo 17: “Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros.”A Páscoa existe para nos lembrar deste momento inigualável chamado ressurreição.
Ressurreição do sorriso, da alegria de viver, do amor.
Ressurreição da amizade, da vontade de ser feliz.
Ressurreição dos sonhos, das lembranças.
E de uma verdade que está acima dos ovos de chocolates ou até dos coelhinhos da Páscoa.
Cristo morreu, mas ressuscitou. E fez isso somente para nos ensinar a matar os nossos piores defeitos e ressuscitar as maiores virtudes sepultadas no íntimo dos nossos corações.Que este seja a verdade da minha, da sua, da nossa Páscoa, que possamos encontrar amor, carinho, paz, fraternidade, companheirismo, porque isso sim é o verdadeiro sentido da Páscoa, neste mundo de crise instaurada pelo Homem que abdicou da moral e dos princípios da Fé Cristã.

08 abril 2009

Alexandrino e Altissonância


Óleo de :Julien Dupré, pintor naturalista francês (1851-1910)

Um dia um verso alexandrino,
Em rima emparelhada
Conheceu Dona altissonância
A musa dos seus encantos
Perderam-em em redondilhas
De uma grandeza tal
Que surgiu em verso puro
O nome de Portugal
Despediu-se este dos ultras
Românticos sem solução
Enfabularam um dia
Os destinos da Nação
Alexandrino e Altissonância
Partiram à desfilada
E surgiu airosa e bela
Dona Rima emparelhada
Ataviada de vírgulas
Pontos e reticências
O verso complicou-se
E foi dissecado, então
Pelos ilustres membros
Da academia em questão
Até hoje alexandrino e
Altissonância esperam
A conclusão final
Analisar o destino
Do nome de Portugal.

Sombra


Oléo de El Greco:A Santíssima Trindade (1577–1579)
Museu do Prado, Madrid, Espanha)

Quando Cristo sentiu a sua hora
Enfim era chegada, grave e calmo,
Sereno se acercou dos que o buscavam.
A turba vinha em armas. Mas, de tantos,
Nem um só se atreveu a dar um passo,
Ao por a mão no Filho do Homem. – Todos
De olhos no chão, as armas encobriam
Ante Jesus inerte.
Então aquele
Que o tinha de entregar, aproximando-se,
O tomou nos seus braços, murmurando:
Que Deus te salve, Mestre! E, sobre a face
O beijou, como fora contratado:
Então os mais, chegando-se, o prenderam.
Mas Jesus, sem os ver, lhes perdoava:
De olhos no céu, seguia-os sereno.
Era duro o caminho. Sobre um monte
Iam e, dos dous lados, lá em baixo,
Cobria a treva a terra toda.

Quando
Porém, sobre o mais alto desse monte
Foram enfim chegados, de repente
Viu-se-lhe uma das faces alumiar-se
De uma luz doce e branda, mas imensa!
E quanta terra, desde o monte ao oceano,
Lhe ficava do lado aonde virada
Lhe estava aquela face, reflectindo-a,
Tudo se esclarecia – vale e serra
E a metade do céu – aparecendo
Como em puro luar, ou qual fosse
Vir nascendo uma aurora desse lado.
E essa face radiante era a de Judas
Não chegara a tocar.


Porém a outra,
Que ele beijara, conservou-se escura
Como se o crime dele ali guardasse...
Nem dava luz; e o espaço, dessa banda
Onde a virava, era uma noite imensa,
Coberto o horizonte de nevoeiro...
Partindo o mundo em dois, essa metade
Era a que ficara envolta em sombras.
.........................................................
........................................................
Foi dessas sombras que se fez a Igreja!
( Quental, Antero, 1865 – Odes Modernas, pg. 133)

Redondilhas


Pintura de Michelangelo Merisi da Caravaggio italiano do final do século XVI e início do XVII. Este artista barroco nasceu na cidade de Milão em 29 de setembro de 1571.

Escapa-se-me a memória
Da redondilha, redonda.
Modelo ideal, para te conceber.
Sem lógica, ando
Entre imagens e conceitos
Divagando.
Para encontrar a inspiração
Em tom próprio, muito sério
De redondilha maior.
Neste andamento sem fôlego
Desarticulo em estrofes
Um raciocínio em verso
E sempre tão controverso.
Andando sempre ao redor
De uma poesia romântica.
Um segredo de uni-verso.
Em abstracções tais
Que me são sempre fatais.

05 abril 2009

Solidão



E se um dia ou uma noite um demónio imperceptivelmente se arrastasse até à tua mais isolada solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu a vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez mais e mais vezes sem conto: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande na tua vida te há-de voltar, e tudo na mesma ordem e sequência, e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, ínfimo grão de pó da poeira!". Não te lançarias ao chão rangendo os dentes e amaldiçoando o demónio que assim te falava? Ou viveste alguma vez um portentoso instante, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te esmagasse: a questão em relação a tudo e todos, sobre se "Queres tu isto uma vez e mais vezes sem conto?" permaneceria com o maior peso sobre as tuas acções! Ou, então, como terias de te sentir bem em relação a ti próprio e à vida para não reclamares mais nada senão esta última eterna confirmação, esta última eterna sanção?
Friedrich Nietzsche

03 abril 2009

O voo da borboleta



Pintor, desenhista e gravador, um dos mais importantes artistas brasileiros do período de transição entre os séculos XIX e XX, Pedro Weingärtner fez sua formação inicialmente em Porto Alegre, com o pintor Delfim da Câmara e depois, na Europa, onde foi aluno de E. Hildebrand, Ferdinand Keller e Theodor Poech, na Alemanha e, de Robert-Fleury e Adolphe Bouguereau, na França. Após um período de estudos na Europa, como bolsista do Imperador Pedro II, estabeleceu-se, finalmente, na Itália, de onde retornaria só muito próximo do final da sua vida. Texto de Paulo César Ribeiro Gomes-Professor Assistente no Curso de Design junto ao Centro Universitário Ritter dos Reis. Mestre em Arte Visuais - Poéticas Visuais (1998) e Doutor em Artes Visuais - Poéticas Visuais (2003), ambas pela UFRGS

Apanho-te em cada rasto
Da negação do ser.
De não seres
O que pensas.
Não quereres
de tão transparente
que julgas ser
um quase polén
em qualquer flor
À beira do caminho
quase borboleta
num voo sempre sozinho.
Mas estás lá,
manchando o azul do céu
com as cores do arco-íris.
Mesmo não sendo
Existes.
ser animal, meio-humano
enquanto eu,
por negação
sou o oposto
quase, quase meia-humana
opaca, densa
tentando o voo
da primavera
e despenhando-me
numa cidade de sonhos
que não existe.
É só mais uma quimera.

25 março 2009

Ariadne






Cai a tarde, mansa
Deliciosa poesia
Que nos consola
Da dureza de viver
E nos sorri, como criança
Fica o meu olhar, assim
Parado, melancólico
Enquanto o ocaso morre
Devagar, em cinzas
Desfeito.
O sol adormece, em mim
Em sombra, no meu peito.
Quadro de:
"John William Waterhouse (6 de abril de 1849 – 10 de fevereiro de 1917) foi um pintor neo-clássico e Pré-rafaelita do Reino Unido, famoso por seus quadros representando personagens femininas da mitologia e da literatura.
Filho de artistas, as suas primeiras incursões na pintura foram influenciadas pelo neoclassicismo vitoriano, pelo pré-rafaelismo e mais tarde sentiu-se atraído pelos impressionistas franceses. Se no princípio da carreira se dedicou a temas da Antiguidade Clássica, mas tarde debruçou-se por temas literários, sempre com um estilo suave e misterioso, repleto de romancismo, que o permitem enquadrar no simbolismo.O seu quadro mais famoso é The Lady of Shalott, um estudo Elaine de Astolat, Este quadro teve três versões: de 1888, 1896 e de 1916".

22 março 2009

Conheço e posso sentir
O vento e o sol
Mas não conheço o teu corpo
Enublado
Pela alma
São dias de eterno
Inverno
Que terminam em luto
Sem mortalha para abraçar
Apenas surge uma miragem ao longe
Uma espécie de deserto
Onde adormeço em mim
Sonhando que és areia
Que me envolve e me sepulta
Em nós.

A propósito do Dia Mundial da Poesia ou...como nascemos ingénuos e morremos envenenados.

Só quem consegue ser poeta é quem consegue sentir a dor, e porque o poeta é O fingidor - do latim aquele que inventa, que fabula, que fantasia, que molda- e não Um fingindor. "Fingir é conhecer-se", é dar-se a conhecer na sua ingenuidade, esperando do Outro o mesmo- mas poucos tem alma de poetas, poucos entendem a poesia, de tão envenenados que andam, sem sentido na Vida , porque a Vida perdeu o sentido, morrem aos poucos, sem lutar, sem comunicar, inventando mundos paralelos sem beleza; acabam frustrados pelo engano, pela ocultação pela mentira e, no entanto Deus deu-lhes uma Alma tão bela, sem que façam utilização dela/São estes que me envenenam/São estes que me corroiem/São no entanto estes que me dão motivo/Para ainda ser ingénua/Para ser fingidora/Sentir que é dor/ a dor que deveras sinto/Quando me mentes assim/E fazes brotar na dor/ toda a poesia que há em mim.


Excerto do Elogio da Ingenuidade ou as Desventuras da esperteza Saloia
"Aquele que recorrer ao dicionário para que lhe diga o que sabe sobre a palavra ingenuidade, talvez como eu, fique surpreendido com o que consta acerca do significado e história da palavra ingénuo.
Ao escrever Elogio da Ingenuidade ou as Desventuras da Esperteza Saloia, a intuição não me faltou, mas devo dizer-lhes que o meu intuito nestas palavras era premeditado. Para melhor esclarecimento dos que ouvem passarei a contar-lhes lealmente o que pensava antes de encontrar o significado da palavra ingénuo e o que aprendi depois de o ter encontrado.
A minha primeira ideia, intuitiva e premeditada ao desejar fazer o elogio da ingenuidade, era o de entrar acto contínuo no terreno e atmosfera onde a poesia, e por conseguinte os poetas não encontrarão nenhuma espécie de atritos para a sua voz e expressão.
Isto é, o elogio da ingenuidade, dirigia-se única e exclusivamente aos poetas e absolutamente a mais ninguém.
Sé depois de conhecer o significado e história da palavra ingénuo é que francamente eu desejaria que aqueles que não são poetas, mas de qualquer maneira tratam com eles, ouvissem estas palavras, para saberem em que altura vivem os poetas por cima do trato de quem quer que seja. Contudo, repito, o elogio da ingenuidade continua a referir-se única e exclusivamente aos poetas e absolutamente a mais ninguém diz respeito.
Haverá talvez alguém que creia que estas desventuras e esta esperteza saloia se referem às deles; não. Dizemo-lo claramente, não é à esperteza saloia deles e às suas desventuras que nos referimos, não, é à dos poetas.
Por conseguinte, a vós poetas única e exclusivamente me dirijo, e aos outros, que nos escutem ou que se vão embora.
Antes de mais nada é necessário dizê-lo bem alto para que bem o oiça cada qual isoladamente: Não é o bastante frequentar os poetas ou a poesia para se ficar poeta. Não. Nós sabemos onde hão-de ir buscar simulado prestígio aqueles que não o saibam encontrar nos seus lugares pessoais, ou que não se satisfaçam com o que tenham encontrado. Não, a poesia não concorre com ninguém nem com nenhuma outra expressão da vida. Não concorre porque vive. Ou vive ou morre, não lhe cabe nunca a vez de concorrer.
Dentro da Poesia, cada poeta que se realiza é tão representante da Poesia como aquele que ainda vai longe de se realizar. Isto é, dentro da Poesia, cabem todos os valores, realizados e a realizar, desde o momento em que sejam valores. A poesia nutre-se com os seus próprios valores, não se adianta nem atrasa com amigos ou inimigos da Poesia, nem com pseudo-concorrências entre valores, os quais se concorrem entre si é precisamente porque não representam valores, inconfundíveis e inteiros.
Não há creatura humana que neste mundo não tenha nas suas reservas pessoais as probabilidades de realizar em si o poeta; simplesmente, estas probabilidades são geralmente afogadas pelo próprio, único culpado da morte do seu poeta, morto por desgosto de o ver fazer coroas de louros que não são da sua propriedade legítima.
É tão fácil deixar morrer o poeta como substituí-lo por um filisteu.
Estas minhas palavras são para eu próprio provar aos que me ouvem que o assunto do Elogio da Ingenuidade ou as Desventuras da Esperteza Saloia não mete terceiros entre poetas.
(...)
Até aqui nada mais tenho feito do que chamar a atenção dos poetas para o momento em que é possível a poesia. Provavelmente terão reparado exactamente em que suponho o estado da ignorância mais propício para a poesia do que o estado do conhecimento. Mas não é assim perfeitamente exacto. O conhecimento só impede o estado de poesia durante o período de recepção que cada um faz para esse conhecimento. Uma vez ciente de um conhecimento, isto é, uma vez esquecido todo o estratagema intelectual indispensável à recepção ou entendimento de qualquer conhecimento, este pode ser remetido em sua essência para aquela força vital que em nós agia antes, no nosso estado de ignorância. O importante é não perdermos nunca de vista como sustê-lo constantemente por meio do conhecimento não em período de recepção, mas já dispensado de todo o processo técnico e intelectual indispensável para a recepção. É como quem diz: de facto, um conhecimento só nos serve depois de ter passado há bastante tempo por nós.
È este precisamente o fenómeno que se dá com a Poesia e a Arte. O que se deseja dizer é Poesia; a maneira que se emprega para dizer é a Arte.
A Arte é um processo intelectual; é um conhecimento em estado de recepção; mas só na Poesia é que se encontra o élan de cada qual.
Se o único modo da expressão da Poesia é de facto a Arte, não quer isto dizer nunca que a Arte alguma vez se sobreponha à Poesia. Quem fala são sempre as pessoas e nunca a voz que as pessoas têm. Mas a maior parte da gente facilmente se ilude julgando que progride, quando afinal nada mais fazem do que irem lentamente perdendo-se de vista a si próprios.. Melhor fora que assim o tivessem feito deliberadamente, porque o ímpeto da deliberação arrastaria afinal consigo o próprio que a tem.
A posição do poeta é a de rever-se consecutivamente. A sua ignorância é sua, a sua ingenuidade é sua, todas as condições em que foi gerado são suas, e após toda a experiência e conhecimento, a posição do poeta é ainda a de reaver-se, reaver a sua ignorância, reaver a sua ingenuidade, reaver todas as condições em que foi gerado.
Só assim, só por este autêntico egoísmo é que cada qual pode encontrar em si o poeta, isto é, aquele que perder para sempre todo o sentido imediato do imediato. Porque o poeta não tem nada a dizer que seja imediato. Não é imediato porque é para sempre, para qualquer momento em que o ouçam, para todo o instante em que o escutem. Ao perder para sempre todo o sentido do imediato ganhou título de príncipe para sempre. Mais do que os príncipes de sangue hereditário que fazem suceder o mesmo título através de várias gerações de vários indivíduos. O poeta guarda no seu nome pessoal o título de príncipe até ao fim do mundo.
O poeta não vive a realidade, ou melhor, aquela aparência a que os outros mortais chamam realidade. Para o poeta a realidade não está localizada em determinado segmento da linha do tempo. Exactamente como disse Santo Agostinho: a eternidade e um instante é a mesma coisa.
Por isto mesmo o poeta não está com determinada sociedade, ou com qualquer das idades da sociedade. O poeta está sempre só, ou seja, com a humanidade, com a humanidade inteira, desde o princípio até ao fim do mundo.
O poeta representa com o santo os únicos casos humanos onde a realidade não se sobrepõem.
Chegou finalmente a altura de irmos ao dicionário para ver o que quer dizer ingénuo.
Ingénuo – ( do latim ingenuus, nascida livre). O sentido corrente de ingénuo é o que deixa ver livremente os seus sentimentos, que é natural, que é simples, que é naif.
O seu sentido corrente já nós todos sabíamos,, quanto mais não fosse pelas ingénuas do teatro. Mas o que mais nos interessa é o seu primitivo significado em latim. A história da palavra ingénuo faz aparecer pela primeira vez esta palavra no direito romano para designar a condição de que não tenha sido nunca escravo. Foi buscar-se no latim a palavra que formasse o sentido exacto desta condição e nasceu então a palavra a palavra ingenuus que quer dizer nascido livre.
Claro está que estávamos então no tempo da escravidão. Terminada esta, a palavra ingénuo ainda se mantém no seu sentido original nos feudos da Idade Média mas adaptado às novas condições sociais. (...)
Antigamente quem nascia livre, livre morria, e quem nascia escravo podia ganhar ou merecer a sua liberdade.
Hoje todos nascemos ingénuos e morremos envenenados.
Vós todos que me ouvis sois testemunhas de que não faço o elogio dos ingénuos mas sim o da ingenuidade. É só a ingenuidade que representa em si o estado de pureza em que é possível a vida do poeta. Aquele que nasceu livre não ignora nem combate os preconceitos, não perde o seu tempo com estas realidades forçosas dos outros, e pelo contrário, esclarece a sua ingenuidade, torna-a simpatia ou repulsa, amor ou ódio, e, com ingenuidade, com simpatia e com amor e repulsa e com ódio, constrói realidade poética, essa a cuja luz nenhuma outra realidade resiste.
In “ensaios I” – OBRAS COMPLETAS, José de Almada Negreiros

06 março 2009

The Sheltering Sky


Vale a pena relembrar as palavras da cena final do filme «The Sheltering Sky» de Bernardo Bertolucci:Por não sabermos quando vamos morrer, vemos a vida como uma fonte inesgotável. E no entanto tudo acontece apenas um certo número de vezes, um número muito reduzido, aliás. Quantas vezes recordaremos uma certa tarde da nossa infância, uma tarde tão profundamente parte do nosso ser que nem concebemos a vida sem ela? Talvez mais umas quatro ou cinco vezes, talvez nem sequer tantas. Quantas vezes mais veremos despontar a lua-cheia? Talvez vinte. E porém, tudo parece ilimitado.

05 março 2009

Firmamento

Em toda a minha curta ou longa
existência, procurei-te
sem saber que estavas presente
em mim.
Quando olhava o oceano,
acreditava ver-te
esquecendo de olhar o céu.
Foste sempre tu que me norteaste
nas longas noites azuis
enviavas-me brilhos de
estrelas cadentes
que eu seguia com o olhar;
e pedia um desejo:
encontrar o firmamento
poder ser sol, lua e estrelas
adormecer em lençóis de veludo
azul.
Vais ver que um dia,
vou ser núvem, transformar-me
em pássaro e pousar
docemente
no teu coração a cantar.

27 fevereiro 2009

Nascentes


















Ontem quando me disseste,
Que beijar as nascentes dos meus lábios
Te fazia lembrar cascatas de água,
Acordaste em mim ecos adormecidos
Em dia de primavera.
O raio atravessou o firmamento
E fez eclodir as águas
Abrindo fendas nas fragas
Selvagens, na paisagem do norte
Penedos graníticos quebraram-se
Docemente,
E do seu interior
Brotaram as águas cristalinas
Este seiva que alimenta
E nos chama novamente á vida
A céu aberto, correm agora
Riachos de cristal,
Em melodias tranquilas
Risos da natureza
Que só nós dois conhecemos
Deitados na terra, confidenciamos
Mil segredos
Guardados na eternidade
E finalmente descobrimos
Que nunca estivemos sós
Unidos em tempo intemporal
Em minutos que nunca existiram
Rasgamos o tempo e o espaço.

25 fevereiro 2009

carpe diem

“- devemos olhar constantemente as coisas de uma maneira diferente.(...)
Quando pensarem que sabem alguma coisa, olhem-na novamente, mas de maneira diferente. Mesmo que vos pareça disparate ou errado, não deixem de tentar. Não tenham em mente só o que os outros pensam, pensem também no que vocês próprios pensam. Esforcem-se para achar a vossa voz. Quanto mais esperarem para começar, menos possibilidades têm de a encontrar.
Thoreau disse: “ A maioria dos homens vive uma vida de silencioso desespero”. Não se resignem a isso; libertem-se! (...) Ousem avançar e encontrar novos pontos de vista!
WalT Whitman escreveu este poema:
Apanha os botões de rosa enquanto podes
O tempo voa
E esta flor que hoje sorri
Amanhã estará moribunda.

E, já agora um diálogo extraído do filme O clube dos Poetas Mortos....
Quero revelar-vos um segredo. Aproximem-se. Não lemos e escrevemos poesia só porque é giro; lemos e escrevemos poesia porque fazemos parte da raça humana. E a raça humana está impregnada de paixão.
Medicina, direito, gestão, engenharia são nobres actividades necessárias à vida. Mas a poesia, a beleza, o romance, o amor são as coisas que nos fazem viver.

21 fevereiro 2009

"O homem é um ser social. Quem consegue viver em solidão , ou é Deus ou uma besta " - Aristóteles
Como é possível que ela tenha morrido e não lhe tenham dito nada?
Anda por aí a pensar que é gente, incomoda tudo e todos. Já não devia estar cá. Não faz parte deste mundo.
Afinal, quem é que tem coragem de lhe dizer isso?
-Tu!
-Eu? Mas eu ainda não morri como posso comunicar com ela?
-Afinal como sabes que ainda não morreste? Nem eu sei também!Será que alguém nos disse e não ouvimos?

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20 fevereiro 2009

Luxúria


Foto: João Mota Costa

Desliza leve o vento como pena de ave, que voa pela montanha suavemente ondulada.
Acaricia lento.
Escorre doce a água do ribeiro, sem pressas, inundando a terra sequiosa, aberta em sulcos que enchem mil lagos, jorrando sempre em direcção ao vale profundo.
Abandona-se inconsciente e o mundo pára por breves segundos.
Não sabe qual o norte nem o sul, perde-se no estuário do imenso oceano de sal. Ao fundo, arde ainda intenso o astro rei que vai lentamente caindo a pique. Finalmente vem o repouso da noite e a terra adormece saciada, abraçada ao vento parado.


Já é tão tarde, uma espécie de tarde arrastada que entra na noite. Imagino-te, devagarinho, a chegar, como quem nem sequer partiu. O teu sorriso nos lábios finos e malandros, esconde um vulcão que me faz lembrar o ataque da serpente; sei que pensas que sou eu a serpente, mas não - fica tranquilo e invade-me assim docemente, como se o pudesses fazer com a mesma liberdade com que o teu perfume se entranha em mim e deixa marcas no corpo e na minha almofada. Já faz uma semana que não troco a fronha só para te sentir assim bem perto das minhas narinas, insufladas de uma corrente de ar que me agita os sentidos, despertando-me para a essência daquilo que verdadeiramente nem sequer acontece.
Maldito desejo este, que carrego em forma de verbo, com espaços entre palavras, como se a pontuação fosse um arfar antes da subida ao cume mais alto
Tão tarde e o solilóquio instalado ainda ali no braço do sofá. O maldito não se vai embora, eu a querer ficar a sós com as palavras e fazer delas um poema. Acontece que já é tarde, e, afinal sempre acontece alguma coisa, sem que eu saiba qual o sabor desse fruto amadurecido depois de ter acontecido na tarde arrastada da noite. Fica apenas o teu aroma na almofada.

19 fevereiro 2009

Morte e Vida

Aprofundando a morte
Sei que sou e nasci
Para ela, a Morte.
Por ter nascido una
Fundi-me no todo
E perdi-me na vida
Morrendo a cada
Instante.
A vida não se resume
A um acidente empírico
Que a ciência dos Homens
Possa utilizar
Estranha dicotomia esta
Entre o Tempo biológico
E o físico.
No Tempo que decorre
Entre formas diferentes
Do acto de me negar.



O mar calmo, veste-se agora de negro
Sem aquele clarão lustrado do sol
Poente
A noite chegou viúva, debruçada sobre a praia
Vem chorando em silêncio
O tempo que gastou a murmurar
Palavras
Que julgou ouvir nos teus lábios
Areias molhadas de sal
Mortalhas de corpos perdidos
No imenso naufrágio da vida
Despenharam-se em ravinas
Surdas, abertas como bocas
Sequiosas
E no ar apenas o perfume das rosas
Que coloriram um pouco
O areal.

18 fevereiro 2009

Para meditar

Cada qual medite à sua maneira.
Eduardo Prado Coelho, antes de falecer (25/08/2007), teve a lucidez de nos deixar esta reflexão, sobre nós todos, por isso façam uma leitura atenta. Precisa-se de matéria prima para construir um País *Eduardo Prado Coelho - in Público* A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO. Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, lips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ....e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país: - Onde a falta de pontualidade é um hábito; - Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. - Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos. - Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. - Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. - Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns. Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame. - Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar. - Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. - Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes. Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta. Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa. Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte... Fico triste. Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados! É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda... Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias. Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada Poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos: Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO. E você, o que pensa?.... *MEDITE*!*EDUARDO PRADO COELHO*

Bibliopleonástica

Há um livro...
Há um livro onde...
Já viu o livro ...?
leu o livro onde...?

Ora, não há livro nenhum...
Não há nada que esteja nos livros...
Ninguém lê nada em livros mas dentro de si
Excepto os críticos que lêem o que lá não está, ou se vê , ou se se lê.
...Ou nada se entende,
Ou é percebido
Porque já tinhamos sentido a coisa
Existente ou não
Fora ou dentro de nós.

José Blanc de Portugal


Já não tenho direito a pensar
Porque já não sinto sequer
Fico apenas a cismar
Com as noites de luar
Quem as fez?
E para quem?
Se aos amantes são vedadas
Adormecidos que são
Em suspiros conformados
Saudades amarguradas
Olhos cegos e doridos
De tanto olhar o caminho

Feito de tantos nadas.

O Passageiro

O meu olhar há muito que tinha recaído nele. Recaiu e resolveu poisar demoradamente.
Cabelos grisalhos, meia-idade com encanto, vestuário elegante em tons de terra-cota, a dar com a pasta de pele que acompanhava um saco de uma marca bem conhecida.
Tamborilava os dedos no rebordo da janela, pensativo e ausente dali, quase pela certa com o pensamento em outras paragens.
Entretanto o combóio parado havia já alguns segundos, tinha deixado sair todos os passageiros com destino àquela estação e o movimento de vai e vem dentro da carruagem cessara.
Eis senão quando, num repentino movimento o homem levantou-se abruptamente e saiu a voar porta fora! Quase que se ia esquecendo do corpo dentro da carruagem.
Sorri interiormente, pensando como é que há gente que se consegue esquecer assim de si própria??
Não admira que na secção dos Perdidos e Achados da CP existam tantos objectos não reclamados.

17 fevereiro 2009

Sobre o lado esquerdo

De vez em quando a insónia vibra com a nitidez dos sinos, dos cristais. E então, das duas uma: partem-se ou não se partem as cordas tensas da sua harpa insuportável.
No segundo caso, o homem que não dorme pensa: " o melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim, deslocando todo o peso do sangue sobre a metade mais gasta do meu corpo, esmagar o coração.

Carlos de Oliveira

Contado do fim para o princípio não se entendia mesmo nada. Tinha acorrido um bando de forças policiais, cercaram o local da ocorrência com fitas amarelas, afastaram todo e qualquer mirone, inclusivé os jornalistas - esses são os piores - e conferenciavam em conjunto. Visto à distância lembravam um rebanho a olhar uma qualquer espécie vegetal , incomum e apetitosa.

Todos à vez, levataram a ponta do lençol, espreitando para debaixo do pedaço de 80% de acrílico e 20% de algodão.

Quem seria ela e, quais as causas da morte?

Colocaram-lhe a respectiva etiqueta no pé com um grosseiro atilho de cordão, daqueles que se usam nas mercearias do chamado comércio tradicional.

Quem sabe se outrora teria tido outro tipo de adornos?

Jazia ali um belo corpo marmóreo, de proporções esculturais, diria que esculpido por mestre divino.

Algures, fora deste restricto espaço, os movimentos da imensa mole humana continuavam iguais e rotineiros. Tudo uma questão de equação matemática; mas neste caso faltava encontrar o valor da incógnita! É que se fosse sómente uma fòrmula, mesmo contada do fim para o principio entender-se-ia toda.

O problema reside em que somos mais que equações e fórmulas matemáticas; e os mistérios adensam-se consoante a natureza humana: ou seja na inversa proporção do principio para o fim...

16 fevereiro 2009

Rotinas


Ela esgotou-se nele. De tanto se dar, de tanto o amar, deixou de saber quem era; deixou de saber amar.

Um dia olhou-se no espelho e não estava lá.

Anos mais tarde alguém quebrou o espelho, libertando a imagem prisioneira.Dizem ainda hoje, que são 7 anos de azar.

Espero que sejas tu a quebrá-lo e por cada fragmento partido onde te vislumbres, consigas ver, não a ti mas pedaços soltos de alma que vagueim por aí peregrina e pulverizada em mil pedaços de vidro reluzente, sempre que o sol os faz brilhar.

Terás talvez, então, o calor suficiente para acenderes uma fogueira no teu coração e entenderás finalmente, a forma como fui consumida por te ter amado assim.

Tango

Se por acaso nos amarmos esta noite,
amanhã há-de ser como se nada tivesse acontecido.
Mas, se nos amarmos esta noite,
será com raiva e desespero de amanhã ser como se nada
tivesse acontecido.

Amei-te ao nascer das luzes sobre o asfalto molhado,
ou amei-te anos sem fim?
Lembro-me de ti não sei donde, talvez
dos sonhos de todos os homens que antes de mim
sonharam
o amor como uma nova eternidade.

Adolfo Casais Monteiro

Grades subterrâneas


"Dois homens olharam através das grades da prisão;um viu a lama, o outro as estrelas."
Santo Agostinho.
Eu é que ainda não sei o que vejo! Se é que vejo alguma coisa...talvez olhe apenas, sem ver!



Olhas-me com olhos doces
Contornando as palavras,
Como se não fosses
Um lobo
Vestindo a pele de cordeiro
Que me atrai com ar matreiro.
Mereces o sofrimento
Por aprisionares a liberdade
De poderes ser o que não és
De me fazeres ser o que não sou
A raiva, essa secou, como secam
As ervas daninhas que piso
Na beira do meu caminhar
Mesmo morrendo aos poucos
Amordaçada na forma
A que me obrigas a ser
Sou mais livre de escolher
Onde e quando vou morrer.